Uma regra da Receita Federal sobre monitoramento de transações via Pix, editada em setembro passado e em vigor desde o dia 1º de janeiro, pautou as redes brasileiras nas duas primeiras semanas de 2025 com memes, golpes financeiros — e desinformação.
A informação falsa de que transações via Pix acima de R$ 5.000 passariam a ser taxadas ganhou tração nos primeiros dias do ano e foi a que teve maior alcance. O auge das buscas relacionadas no Google ocorreu entre 8 e 10 de janeiro, quando a desinformação também foi compartilhada por perfis de oposição ao governo Lula.
A viralização da mentira fez com que a Receita publicasse um guia com perguntas e respostas sobre o assunto. O governo federal teve de se mobilizar para criar uma campanha publicitária de emergência.
O período entre 8 e 10 de janeiro coincide com outras peças desinformativas sobre temas da pauta econômica do governo, como a de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), disse que a ordem era “taxar tudo”, e de que o presidente Lula (PT) congelou o salário mínimo em R$ 1.518 até 2030.
A AGU (Advocacia-Geral da União) agiu após a circulação de um vídeo manipulado por IA, que faz crer que Haddad teria proposto a criação de impostos sobre pets, boato já desmentido pelo Aos Fatos, e para grávidas, o que também não procede.
Além de explorar temas econômicos que estão na pauta do noticiário, a desinformação que circulou nas primeiras semanas do ano também inclui boatos que estão nas redes desde 2022. Um deles busca fazer crer que Lula irá taxar o Pix — o que ele nega desde a campanha eleitoral.
A disputa sobre as mudanças na taxação de produtos importados, apelidada de “taxa das blusinhas", fez com que Haddad ganhasse o apelido de Taxad. As mudanças aprovadas pelo Congresso no âmbito da Reforma Tributária e o pacote de corte de gastos do governo também geraram repercussão negativa — terreno fértil para desinformadores.
No começo deste ano, outros fatores ajudaram a amplificar as mentiras sobre temas econômicos:
- O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem usado as redes para alegar, por exemplo, que o repasse de informações para a Receita Federal não existia em seu governo, o que é falso;
- Desde 2001, a lei complementar 105/2001 garante à Receita Federal o direito de receber informações sobre movimentações e operações financeiras, na periodicidade e com os valores que a instituição julgar necessários;
- A norma anterior que regulamentava a lei complementar era de 2015, ou seja, tanto a lei como a antiga normas eram aplicadas durante o governo Bolsonaro, entre 2019 e 2022;
- Para completar, o pagamento de impostos está entre as principais despesas dos brasileiros no início do ano e vira alvo de golpistas que oferecem falsas promessas de descontos tributários.
Somente nesta terça-feira (14), Aos Fatos desmentiu a cobrança de taxa ambiental para veículos com mais de 20 anos de uso e mostrou que bancos não irão limitar saques em espécie a partir do segundo semestre.




