Bolsonaro mentiu sobre território Yanomami 19 vezes, até na Assembleia da ONU

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Apesar de ter afirmado nas redes que o cuidado com os povos indígenas sempre foi prioridade do governo federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) professou mentiras para subestimar a população Yanomami ao longo de seus quatro anos de mandato. Em ao menos 19 ocasiões, Bolsonaro — declaradamente contrário à política de demarcação — minimizou o número de habitantes da região a fim de criticar políticas públicas de proteção aos indígenas.

  • Em algumas ocasiões, Bolsonaro disse que governos anteriores teriam delimitado uma área equivalente a duas vezes o estado do Rio de Janeiro para apenas 8.000 indígenas, o que é falso;
  • Maior território demarcado do Brasil, a Terra Indígena Yanomami de fato ocupa uma vasta extensão (96,6 mil km²), entre os estados de Amazonas e Roraima, que faz fronteira com a Venezuela, o que ensejou desinformação na última semana;
  • A população que vive lá é consideravelmente maior que a alegada por Bolsonaro em diferentes ocasiões: segundo o Ministério da Saúde, há atualmente em torno de 30 mil indígenas na região;
  • Bolsonaro citou um número falso até na Assembleia Geral da ONU: “A reserva Yanomami, sozinha, conta com aproximadamente 95 mil km² , o equivalente ao tamanho de Portugal ou da Hungria, embora apenas 15 mil índios vivam nessa área”.

Bolsonaro contou mentiras sobre os Yanonami em ocasiões diversas, conforme registra o contador de declarações do ex-presidente organizado pelo Aos Fatos. Houve falas em entrevistas à imprensa, discursos oficiais, encontros com apoiadores no cercadinho do Palácio do Planalto — além do discurso na ONU, quando ele atacou a política de demarcação e defendeu projetos que permitiam a exploração econômica de terras indígenas.

Saúde. Questionado sobre o estado de saúde dos Yanomami na terça-feira (24), o ex-presidente sugeriu que o povo não teria passado dificuldades em seu mandato com base em uma suposta conversa com indígenas que teria acontecido durante visita à cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM), em maio de 2021. Na ocasião, segundo ele, os Yanomami teriam lhe pedido apenas acesso à internet.

À época, a visita suscitou uma nova desinformação sobre o povo: a de que nenhum indivíduo teria morrido de Covid-19 na região graças ao consumo de um chá de casca de árvore. Em uma empreitada desinformativa em defesa do tratamento precoce e contra as vacinas de Covid-19, o ex-presidente anunciou a suposta cura milagrosa dos Yanomami em ao menos sete ocasiões ao longo de 2021.

Emergência em saúde. No último sábado (21), diante de casos graves de desnutrição, malária e infecção respiratória, o governo federal decretou emergência em saúde pública no território Yanomami. A violência, a poluição e as doenças trazidas pelo garimpo ilegal são apontadas como a principal fonte do problema. Até o momento, cerca de 1.000 indígenas foram resgatados para tratamento médico.

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