É mentirosa a alegação de que o litoral do Sudeste será atingido por um mega furacão de categoria F5 nesta semana, como afirmam postagens nas redes sociais. Não há nenhum alerta semelhante emitido por institutos meteorológicos internacionais ou brasileiros. Além disso, o próprio Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) negou a veracidade da informação.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 9.000 curtidas no Instagram até a tarde desta segunda-feira (10). O conteúdo também circula no WhatsApp, onde não é possível medir o alcance.
Nos próximos dias, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo vão enfrentar e vão ser atingidos por um mega furacão de categoria F5 com ventos aproximadamente de 350 a 440 km por hora, devastando toda a região litorânea e toda a parte costeira desses três estados

Um vídeo enganoso alega falsamente que um mega furacão de categoria F5 está se formando e irá atingir nesta semana os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. No entanto, não há alerta semelhante de nenhuma autoridade meteorológica.
Aos Fatos procurou notificações nos principais centros especializados — WMO (Organização Meteorológica Mundial), NHC (Centro Nacional de Furacões, do governo americano) e Inmet — e não encontrou nenhum alerta sobre um furacão que possa atingir o Brasil nos próximos dias.
No site de avisos do Inmet, por exemplo, há alertas de baixa umidade entre hoje e amanhã no Centro-Oeste, tempestades na terça-feira (11) no Mato Grosso do Sul e parte do Sul, e vendaval, também na terça, no Nordeste (veja abaixo).

Em nota enviada ao Aos Fatos, o Inmet classificou o conteúdo como falso e disse que, “para os próximos dias, não há previsão de sistemas que possam acelerar o vento no litoral da região Sudeste, trazendo transtornos e/ou perigo para a população”.
Outros institutos meteorológicos brasileiros, como MetSul e Climatempo, também não indicam nenhum “furacão” nos próximos dias. As duas empresas alertam para o perigo de tempestades na terça-feira e queda brusca de temperatura em várias partes do país por conta do ciclone-bomba da semana passada.
O autor do vídeo também traz informações incorretas sobre a categorização desses extremos climáticos. Enquanto furacões podem se enquadrar em categorias que vão de 1 a 5, tornados são identificados entre os níveis EF0 e EF5 ou IF0 e IF5.
A categoria “F5”, citada no vídeo, faz parte de uma escala descontinuada em 2007. Atualmente, a categorização leva em consideração não só a velocidade dos ventos, como também os danos causados pelo evento.
Vale ressaltar que, por causa da localização próxima à linha do Equador, o Brasil não tem histórico de furacões: o único registro, até hoje, foi em 2004, quando o furacão Catarina — de escala 2 — passou pelo Rio Grande do Sul e por Santa Catarina, gerando ventos de até 180 km/h.
Já os tornados são mais comuns. O país registra, anualmente, dezenas de tornados. Desde 2013, quando o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) começou a monitorar os casos, o país registrou 87 casos que causaram algum desastre.
A diferença entre tornados e furacões está no tamanho e no tempo de duração. Tornados são mais rápidos e menores, enquanto os furacões podem durar dias.
O caminho da apuração
Aos Fatos procurou a informação que foi divulgada no vídeo enganoso nos principais institutos meteorológicos internacionais e nacionais. A reportagem também entrou em contato com o Inmet, o MetSul e o Climatempo, mas só o primeiro respondeu até a publicação desta checagem, desmentindo a alegação da gravação viral.
Por fim, Aos Fatos pesquisou informações sobre a categorização oficial de furacões e tornados.





