É falso que mega furacão atingirá o Sudeste nos próximos dias

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É mentirosa a alegação de que o litoral do Sudeste será atingido por um mega furacão de categoria F5 nesta semana, como afirmam postagens nas redes sociais. Não há nenhum alerta semelhante emitido por institutos meteorológicos internacionais ou brasileiros. Além disso, o próprio Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) negou a veracidade da informação.

Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 9.000 curtidas no Instagram até a tarde desta segunda-feira (10). O conteúdo também circula no WhatsApp, onde não é possível medir o alcance.

Nos próximos dias, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo vão enfrentar e vão ser atingidos por um mega furacão de categoria F5 com ventos aproximadamente de 350 a 440 km por hora, devastando toda a região litorânea e toda a parte costeira desses três estados

A imagem, que parece uma captura de tela de um vídeo de rede social, mostra um homem de pele de tom médio, com barba e o rosto pixelizado (censurado) em primeiro plano. Ele usa um boné cinza escuro e um casaco texturizado com zíper, com um pequeno microfone de lapela preto preso. Ele está em um ambiente interno com um armário de madeira marrom e uma parede pintada de verde-limão ao fundo. Sobrepostas à imagem, há três mensagens de texto alarmistas em português: no topo, uma barra vermelha diz: ‘MEGA FURACÃO CATEGORIA 5 ATINGIRÁ SÃO PAULO NOS PRÓXIMOS DIAS’; abaixo dela, uma caixa branca com texto preto afirma: ‘UM MEGA FURACÃO F5 DEVASTARÁ SP MATANDO MILHARES DE PESSOAS NAS PRÓXIMAS SEMANAS ! ESTOQUEM TUDO’; e no centro, outra barra vermelha contém a palavra ‘URGENTÍSSIMO’.

Um vídeo enganoso alega falsamente que um mega furacão de categoria F5 está se formando e irá atingir nesta semana os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. No entanto, não há alerta semelhante de nenhuma autoridade meteorológica.

Aos Fatos procurou notificações nos principais centros especializados — WMO (Organização Meteorológica Mundial), NHC (Centro Nacional de Furacões, do governo americano) e Inmet — e não encontrou nenhum alerta sobre um furacão que possa atingir o Brasil nos próximos dias.

No site de avisos do Inmet, por exemplo, há alertas de baixa umidade entre hoje e amanhã no Centro-Oeste, tempestades na terça-feira (11) no Mato Grosso do Sul e parte do Sul, e vendaval, também na terça, no Nordeste (veja abaixo).

Mapa da América do Sul com foco no território brasileiro, apresentando manchas coloridas sobrepostas que indicam áreas de alerta. Uma extensa zona amarela abrange porções das regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, contendo em seu interior uma área menor de cor laranja concentrada predominantemente no Centro-Oeste. Sobre essas manchas, há cinco ícones em formato de losango simulando placas de sinalização fixadas por hastes: na região central, vê-se uma placa laranja e uma amarela com símbolos de radiação e calor (sol e linhas onduladas ascendentes), além de uma placa amarela com o desenho do que aparenta ser uma fábrica ou medidor de umidade; mais ao sul, ao longo da faixa amarela, encontram-se duas placas amarelas ilustrando nuvens carregadas com precipitação. Nomes de cidades, como 'Brasília' e 'São Paulo', estão grafados no mapa base.
Inmet aponta possíveis tempestades e ventanias, mas não furacões nos próximos dias (Reprodução)

Em nota enviada ao Aos Fatos, o Inmet classificou o conteúdo como falso e disse que, “para os próximos dias, não há previsão de sistemas que possam acelerar o vento no litoral da região Sudeste, trazendo transtornos e/ou perigo para a população”.

Outros institutos meteorológicos brasileiros, como MetSul e Climatempo, também não indicam nenhum “furacão” nos próximos dias. As duas empresas alertam para o perigo de tempestades na terça-feira e queda brusca de temperatura em várias partes do país por conta do ciclone-bomba da semana passada.

O autor do vídeo também traz informações incorretas sobre a categorização desses extremos climáticos. Enquanto furacões podem se enquadrar em categorias que vão de 1 a 5, tornados são identificados entre os níveis EF0 e EF5 ou IF0 e IF5.

A categoria “F5”, citada no vídeo, faz parte de uma escala descontinuada em 2007. Atualmente, a categorização leva em consideração não só a velocidade dos ventos, como também os danos causados pelo evento.

Vale ressaltar que, por causa da localização próxima à linha do Equador, o Brasil não tem histórico de furacões: o único registro, até hoje, foi em 2004, quando o furacão Catarina — de escala 2 — passou pelo Rio Grande do Sul e por Santa Catarina, gerando ventos de até 180 km/h.

Já os tornados são mais comuns. O país registra, anualmente, dezenas de tornados. Desde 2013, quando o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) começou a monitorar os casos, o país registrou 87 casos que causaram algum desastre.

A diferença entre tornados e furacões está no tamanho e no tempo de duração. Tornados são mais rápidos e menores, enquanto os furacões podem durar dias.

O caminho da apuração

Aos Fatos procurou a informação que foi divulgada no vídeo enganoso nos principais institutos meteorológicos internacionais e nacionais. A reportagem também entrou em contato com o Inmet, o MetSul e o Climatempo, mas só o primeiro respondeu até a publicação desta checagem, desmentindo a alegação da gravação viral.

Por fim, Aos Fatos pesquisou informações sobre a categorização oficial de furacões e tornados.

Referências

  1. WMO
  2. NHC (1 e 2)
  3. Inmet
  4. Climatempo
  5. MetSul
  6. NWS (1 e 2)
  7. ESSL
  8. BBC Brasil (1 e 2)
  9. CNN Brasil
  10. g1
  11. Brasil Escola

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