Médica que prescreveu remédios que causaram suposto surto em Bolsonaro não é vinculada à PF

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Não é verdade que foi uma médica da PF (Polícia Federal) a responsável por receitar os medicamentos que causaram um suposto quadro de confusão mental em Jair Bolsonaro (PL) que o teria levado a violar a tornozeleira eletrônica. Marina Pasolini, apontada como responsável pela prescrição de sertralina e pregabalina, compõe a equipe médica do ex-presidente desde outubro deste ano.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 881 mil visualizações no TikTok, 2.000 compartilhamentos no X e alcançaram dezenas de usuários no Facebook até a tarde desta quarta-feira (26).

BOMBA! Quer dizer que médica da PF foi quem prescreveu a pregabalina e a sertralina - que surtou o Bolsonaro. E causou a prisão preventiva - Tem método.

Print de publicação no X mostra o texto: ‘BOMBA! Quer dizer que médica da PF foi quem prescreveu a pregabalina e a sertralina - que surtou o Bolsonaro. E causou a prisão preventiva - Tem método’. O vídeo incorporado exibe um homem branco que fala diante de um microfone vermelho em um ambiente interno com objetos desfocados ao fundo. Sobre o vídeo aparece a data ‘24/11/25’. Na parte inferior da cena, há outro bloco de texto escrito: ‘URGENTE - Médicos de Bolsonaro assinam documento protocolado pela defesa de Bolsonaro dizendo que outra médica receitou remédios a ele sem permissão da equipe’.

Publicações nas redes mentem ao afirmar que a endocrinologista Marina Grazziotin Pasolini — responsável por receitar medicamentos que supostamente teriam causado um quadro de confusão mental em Bolsonaro — seria vinculada à PF. Ao contrário do que alegam os posts, a profissional foi incluída na equipe médica do ex-presidente em outubro a pedido da própria defesa do político.

Pasolini não possui nenhum vínculo com a Polícia Federal. Nas redes, ela se apresenta como empresária e palestrante, além de atuar como mentora de emagrecimento (veja aqui e aqui).

Em audiência de custódia realizada no último domingo (23), Bolsonaro atribuiu a uma “certa paranoia” a decisão de tentar violar a tornozeleira eletrônica. De acordo com o ex-presidente, Pasolini teria sido responsável por prescrever o uso de sertralina, um antidepressivo, sem comunicar os demais médicos.

Um boletim divulgado pelos outros membros da equipe de saúde do ex-presidente, Claudio Birolini e Leandro Echenique, concluiu que foi o uso de pregabalina — um anticonvulsivo usado para tratar ansiedade —, em interação com medicamentos já usados no tratamento de crises de soluço (clorpromazina e gabapentina) que resultou no suposto quadro psicótico.

Pasolini chegou a visitar Bolsonaro na superintendência da PF em Brasília no domingo (23). Questionada, ela disse que iria avaliar o estado de saúde do ex-presidente.

Bolsonaro preso. O ministro Alexandre de Moraes determinou na última terça-feira (25) o início do cumprimento da pena de 27 anos e três meses de prisão por Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. O ex-presidente ficará preso na superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde estava detido em sala especial desde o último sábado (22).

Todos os outros seis condenados do chamado núcleo crucial também tiveram suas prisões decretadas e começaram a cumprir pena em instalações das Forças Armadas e da Polícia Militar do Distrito Federal.

Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi o único a não ter sido preso. Ele está foragido desde setembro, após ter escapado para os Estados Unidos.

O caminho da apuração

Aos Fatos consultou documentos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal e constatou que a endocrinologista Marina Grazziotin Pasolini compõe a equipe médica de Jair Bolsonaro (PL) desde outubro deste ano.

Também buscamos informações sobre a atividade profissional da médica e constatamos que ela não possui nenhum vínculo com a Polícia Federal, como alegam os posts enganosos.

Por fim, a reportagem consultou informações publicadas na imprensa para contextualizar a verificação.

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