Não é verdade que foi uma médica da PF (Polícia Federal) a responsável por receitar os medicamentos que causaram um suposto quadro de confusão mental em Jair Bolsonaro (PL) que o teria levado a violar a tornozeleira eletrônica. Marina Pasolini, apontada como responsável pela prescrição de sertralina e pregabalina, compõe a equipe médica do ex-presidente desde outubro deste ano.
Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 881 mil visualizações no TikTok, 2.000 compartilhamentos no X e alcançaram dezenas de usuários no Facebook até a tarde desta quarta-feira (26).
BOMBA! Quer dizer que médica da PF foi quem prescreveu a pregabalina e a sertralina - que surtou o Bolsonaro. E causou a prisão preventiva - Tem método.

Publicações nas redes mentem ao afirmar que a endocrinologista Marina Grazziotin Pasolini — responsável por receitar medicamentos que supostamente teriam causado um quadro de confusão mental em Bolsonaro — seria vinculada à PF. Ao contrário do que alegam os posts, a profissional foi incluída na equipe médica do ex-presidente em outubro a pedido da própria defesa do político.
Pasolini não possui nenhum vínculo com a Polícia Federal. Nas redes, ela se apresenta como empresária e palestrante, além de atuar como mentora de emagrecimento (veja aqui e aqui).
Em audiência de custódia realizada no último domingo (23), Bolsonaro atribuiu a uma “certa paranoia” a decisão de tentar violar a tornozeleira eletrônica. De acordo com o ex-presidente, Pasolini teria sido responsável por prescrever o uso de sertralina, um antidepressivo, sem comunicar os demais médicos.
Um boletim divulgado pelos outros membros da equipe de saúde do ex-presidente, Claudio Birolini e Leandro Echenique, concluiu que foi o uso de pregabalina — um anticonvulsivo usado para tratar ansiedade —, em interação com medicamentos já usados no tratamento de crises de soluço (clorpromazina e gabapentina) que resultou no suposto quadro psicótico.
Pasolini chegou a visitar Bolsonaro na superintendência da PF em Brasília no domingo (23). Questionada, ela disse que iria avaliar o estado de saúde do ex-presidente.
Bolsonaro preso. O ministro Alexandre de Moraes determinou na última terça-feira (25) o início do cumprimento da pena de 27 anos e três meses de prisão por Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. O ex-presidente ficará preso na superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde estava detido em sala especial desde o último sábado (22).
Todos os outros seis condenados do chamado núcleo crucial também tiveram suas prisões decretadas e começaram a cumprir pena em instalações das Forças Armadas e da Polícia Militar do Distrito Federal.
Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi o único a não ter sido preso. Ele está foragido desde setembro, após ter escapado para os Estados Unidos.
O caminho da apuração
Aos Fatos consultou documentos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal e constatou que a endocrinologista Marina Grazziotin Pasolini compõe a equipe médica de Jair Bolsonaro (PL) desde outubro deste ano.
Também buscamos informações sobre a atividade profissional da médica e constatamos que ela não possui nenhum vínculo com a Polícia Federal, como alegam os posts enganosos.
Por fim, a reportagem consultou informações publicadas na imprensa para contextualizar a verificação.




