Não é verdade que a Marinha detectou a presença de navios militares americanos na fronteira marítima brasileira e emitiu um “alerta de vigilância máxima”, como alegam postagens nas redes. A corporação disse ao Aos Fatos que a afirmação não procede. Além disso, o vídeo que ilustra os posts foi divulgado originalmente em junho de 2025.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 140.000 curtidas no Instagram, 30.000 visualizações no TikTok e centenas de compartilhamentos no Facebook nesta sexta-feira (14).
O Comando de Operações Navais da Marinha do Brasil emitiu um alerta de vigilância máxima após detectar presença incomum de navios de guerra da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) operando no limite da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) brasileira, na região conhecida como Amazônia Azul.

São falsas as publicações que alegam que a Marinha emitiu um alerta após identificar a presença de navios militares dos EUA na fronteira marítima brasileira. Os posts sugerem que a suposta movimentação seria o início de uma possível operação contra o governo. No entanto, não há nenhum aviso semelhante da Marinha e o vídeo que ilustra as postagens é antigo.
As publicações desinformativas alegam que o Comando de Operações Navais da Marinha brasileira teria emitido um “alerta de vigilância máxima” após detectar a presença de embarcações americanas na chamada “Amazônia Azul”. Em nota enviada ao Aos Fatos, a Marinha classificou a informação como falsa.

As publicações dizem ainda que o almirantado brasileiro teria feito um pronunciamento oficial sobre o assunto. Aos Fatos não encontrou nenhuma fala semelhante no site oficial da Marinha ou na imprensa.
A gravação que acompanha a mensagem enganosa também é descontextualizada. Por meio de busca reversa, Aos Fatos identificou que a mesma gravação circula nas redes ao menos desde junho de 2025.

O vídeo original foi publicado por um perfil no TikTok chamado @allen2grim, que não está mais disponível na rede social. Uma gravação semelhante publicada pelo autor na mesma época, no entanto, continua no ar.
Não há nenhuma indicação de que o vídeo tenha sido gravado no Brasil. Na verdade, na legenda, está escrito “#iran”.
Esta peça de desinformação está inserida no contexto da escalada das tensões diplomáticas entre Brasil e EUA e do alinhamento da gestão Trump com países governados pela direita na América Latina.
Desde a operação militar americana que capturou Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, publicações nas redes (veja aqui, aqui e aqui) têm enganado ao fazer crer que o mesmo poderia ocorrer no Brasil com o presidente Lula (PT) antes das eleições.
A narrativa voltou a ganhar tração nesta segunda-feira (10), quando o deputado republicano Carlos Gimenez postou no X uma montagem que mostraria o petista preso da mesma forma que Maduro. A foto foi republicada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Um dia depois, na terça (11), o departamento de Estado dos EUA publicou um vídeo em que dizia que o domínio do país no continente “nunca mais será questionado”.
Segundo a Folha de S.Paulo, o governo americano planejava, inclusive, fazer uma demonstração de sua força militar com três bombardeiros com capacidade nuclear que voariam para o Chile e para a Argentina. O evento, no entanto, foi adiado para uma data ainda não confirmada.
O caminho da apuração
Aos Fatos buscou o alerta de vigilância máxima e o pronunciamento citados nas peças de desinformação, mas não encontrou nenhum deles. A reportagem também entrou em contato com a Marinha, que negou a veracidade do conteúdo viral.
Em paralelo, foi feita uma busca reversa pelas imagens que acompanham a publicação e foi identificado que o mesmo vídeo foi publicado em junho de 2025.





