Marido de neta de Lula não ganhou licitação bilionária no RJ

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Não é verdade que Felippe Miranda, marido de Bia Lula, neta do presidente Lula (PT), seja dono da empresa vencedora de licitação de R$ 1,1 bilhão para fornecer alimentação a presídios do Rio de Janeiro. O pregão foi suspenso antes de ser concluído, sem definir vencedor. Além disso, a empresa citada nos posts não tem relação com Miranda ou com a Secretaria de Estado de Polícia Penal, responsável pelo edital.

Publicações com o conteúdo falso acumulavam 85 mil visualizações no TikTok e mil curtidas no Facebook até a tarde desta quinta-feira (11).

AGORA A NETA DE LULA E MARIDO NA LICITAÇÃO DE COMIDAS PARA PRESÍDIO. A EMPRESA NO NOME DE UM MORADOR DE RUA...

A imagem mostra uma captura de tela com fundo preto. Na parte superior, em letras brancas, há um texto dizendo: 'AGORA A NETA DE LULA E MARIDO NA LICITAÇÃO DE COMIDAS PARA PRESÍDIO. A EMPRESA NO NOME DE UM MORADOR DE RUA... KKKKKKKKKKKKKK FAZUELI FAMÍLIA METRALHA'. Abaixo do texto há um vídeo em formato vertical. No canto superior esquerdo dele aparece o logotipo 'kwai'. A imagem mostra uma pessoa usando uma camiseta branca em um ambiente interno. O rosto da pessoa está coberto por uma pixelização composta por blocos quadrados, impedindo a visualização dos traços faciais. Ao fundo aparecem partes de um teto branco, uma parede clara e alguns elementos de uma residência.

Posts enganam ao afirmar que o empresário Felippe Miranda, marido de Bia Lula, seria dono de uma empresa chamada Caçarola, supostamente apontada como vencedora de uma licitação para fornecer alimentação ao sistema prisional do Rio de Janeiro.

Aos Fatos localizou apenas uma empresa chamada Caçarola que atua no ramo de fornecimento de alimentação e tem sede no Rio de Janeiro, mas ela não participou do pregão. Além disso, não há indícios de qualquer relação entre essa empresa e Miranda, que não consta no seu quadro societário.

As publicações também afirmam, sem provas, que a Caçarola estaria registrada em nome de um morador de rua, o que é falso. Um dos sócios da empresa, o advogado Alcides Oliveira Neto, negou a afirmação, a qual classificou como absurda. Segundo ele, a empresa não está em atuação desde o início da pandemia.

Procurada, a Seppen (Secretaria de Estado de Polícia Penal) disse desconhecer a participação da Caçarola no pregão e, após verificação nos registros contábeis, ressaltou não ter qualquer vínculo contratual com essa empresa.

O governo do Rio de Janeiro de fato lançou, em janeiro de 2026, um edital de licitação estimado em R$ 1,3 bilhão para o fornecimento de alimentação prisional. Ainda naquele mês, a própria Seppen suspendeu o processo após denúncias de vazamento de informações e encaminhou o caso para apuração.

Posteriormente, a pasta elaborou um novo edital e marcou a retomada da disputa para 2 de abril. Quatro dias antes da sessão, porém, o TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) suspendeu novamente o pregão em razão de supostas irregularidades.

A decisão atendeu a representações de empresas que já prestavam o serviço ao sistema prisional fluminense. Entre os questionamentos estavam a estimativa de preços, a transparência da pesquisa de mercado e possíveis restrições à concorrência.

Em nota, a Seppen informou que todos os questionamentos do tribunal foram resolvidos e que, “diante da consistência técnica e regularidade do processo”, a decisão foi revista e um novo edital foi lançado nesta quarta-feira (10).

A secretaria ressaltou que os recursos previstos para a contratação são exclusivamente estaduais, sem participação do governo federal.

O caminho da apuração

Aos Fatos consultou informações e documentos sobre o processo licitatório e verificou que o pregão foi suspenso antes da definição de uma empresa vencedora.

A reportagem também procurou a Seppen, responsável pelo pregão, que confirmou não ter relação com a empresa citada pelas peças desinformativas.

Aos Fatos também analisou o quadro societário e informações sobre a empresa sem encontrar qualquer relação com Felippe Miranda, marido da neta de Lula.

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