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Manter ritmo de investimentos pós-Jogos é desafio até para sedes bem-sucedidas

Por Sérgio Spagnuolo

4 de agosto de 2016, 15h07

As cidades eleitas para sediarem as Olimpíadas recebem a maior parte dos investimentos para a realização dos Jogos de dois a três anos antes do evento. O impacto nacional e local, entretanto, varia, mas sua intensidade geralmente depende de um fator: manutenção desse fluxo.

O diagnóstico de especialistas que analisaram o desempenho econômico de cidades-sede depois da realização dos Jogos Olímpicos indica que manter o mesmo ritmo de investimentos não é simples, especialmente depois da realização do torneio esportivo, quando os holofotes não mais estão virados para aquela direção.

Segundo Markus Bruckner e Evi Pappa, do Departamento de Economia da Universidade de Nacional de Cingapura e do Instituto Universitário Europeu, respectivamente, os efeitos de investimentos em infraestrutura podem melhorar as condições de investimento na cidade e, inclusive, “aumentar o PIB per capita no longo prazo”. Eles chegaram a essa conclusão por meio de modelos estatísticos com dados de 188 países.

No caso de Barcelona, por exemplo, a avaliação geral é que as Olimpíadas transformaram a cidade para melhor, sobretudo por conta do desenvolvimento de projetos de infraestrutura para desenvolvimento urbano. Um estudo da Universidade Autônoma de Barcelona afirma que a cidade catalã é considerada um modelo para organizações de mega-eventos.

No entanto, os avanços foram tão significativos, que criou-se um tipo de desafio para a cidade: continuar investindo para manter os caros sistemas desenvolvidos naquela época — seja de transporte, de coleta de lixo ou outros.

“As realizações da cidade de 1986 a 1992 e depois de 1992 foram enormes. Mesmo assim, os desafios que ela enfrenta agora e no futuro são semelhantes. Os investimentos na transformação urbana devem continuar”, conclui o estudo.

"Há necessidade de maiores esforços na manutenção dos investimentos no legado dos Jogos. Uma vez que a cidade, sob pretexto de ajudar sua comunidade, investiu significativamente em sua projeção internacional, é importante colher resultados no turismo e nos negócios. Isso só pode ser alcançado com um plano bem executado e apurado, que permita que a cidade tranforme benefícios episódicos em perenes e que auxilie a reduzir eventuais fardos", continua.

Essa linha de pensamento, de que os investimentos devem continuar, é compartilhada por muitos especialistas, mas particularmente difícil de ser executada em muitos casos — mesmo o de Barcelona, que continuou bancando projetos de infraestrutura urbana com alguma intensidade até 2004.

Alguns economistas como o americano Andrew Zimbalist, autor do livro Circus Maximus, argumentam que muitos desses investimentos apenas levam à criação de elefantes brancos — grandes e caras estruturas e arenas que custam milhões de dólares para se manter que foram construídas para um fim específico que terão pouco uso após o evento esportivo.

A conclusão é que o ritmo de investimentos deveria continuar, mas não para gerar, segundo ele, "um estádio de vôlei ocupado por sem-teto e uma arena de softball cheia de mato, como em Atenas; uma pista de corrida tomada por ervas daninhas, como em Pequim; e um estádio de futebol de 40 mil lugares para times de segunda divisão jogarem diante de um público de 1,5 mil pessoas, como no Brasil".

Esse argumento vai bastante em linha com o estudo de Tucker, de que às vezes os maiores benefícios são vistos quando os gastos não são tão excessivos.

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