Malafaia não fala mal de Flávio Bolsonaro e ‘Dark Horse’ em vídeo

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Não é verdade que um vídeo mostra o pastor Silas Malafaia criticando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e “Dark Horse”, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O trecho da gravação circula editado em posts nas redes. No original, o religioso cita o ator Wagner Moura e o filme “O Agente Secreto”.

Publicações com o vídeo editado acumulavam 70 mil visualizações no TikTok e ao menos 10 mil interações no Instagram e no Facebook até a tarde de sexta-feira (22).

SILAS MALAFAIA DETONA E MOSTRA QUE JÁ SOLTOU A MÃO DE FLÁVIO BOLSONARO.

Imagem dividida em três partes. Na parte superior, sobre um fundo com as cores verde, amarelo e azul da bandeira do Brasil, há um texto dizendo: ‘SILAS MALAFAIA DETONA E MOSTRA QUE JÁ SOLTOU A MÃO DE FLÁVIO BOLSONARO’, seguido de um emoji chorando de rir. No centro da imagem aparece Silas Malafaia, um homem grisalho usando camisa xadrez escura, sentado em frente a uma estante com livros e objetos decorativos. Ele está com a boca aberta e uma das mãos levantadas, apontando o dedo. Na parte inferior, há três fotos lado a lado de homens usando terno. O primeiro, Flávio Bolsonaro, usa óculos; o segundo, Daniel Vorcaro, tem barba e cabelo penteado para trás; e o terceiro, Jair Bolsonaro, tem cabelo grisalho e expressão séria.

Publicações nas redes tiram de contexto um vídeo de Silas Malafaia para dizer que ele teria criticado Flávio Bolsonaro e o filme “Dark Horse” após o Intercept Brasil divulgar mensagens que relacionam o senador ao banqueiro Daniel Vorcaro.

No trecho que circula nas redes, o pastor faz questionamentos a uma pessoa não identificada nominalmente. Ele pergunta quanto ela teria recebido de “grana dos contribuintes brasileiros” para participar de um filme.

Aos Fatos localizou o vídeo completo, de 20 de abril deste ano — antes, portanto, da revelação das conversas de Flávio e Vorcaro —, e verificou que a fala não tem relação com o senador.

Malafaia publicou a gravação para comentar sobre o processo movido por Wagner Moura contra ele. No trecho viral, o pastor se refere ao cachê recebido pelo ator para estrelar “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, e afirma que parte do valor teria origem em recursos públicos.

“Quanto você recebeu? Diz em público. O dinheiro que você recebeu para fazer o filme tem grana dos contribuintes brasileiros”, afirma o pastor no vídeo.

Não há registros de declarações públicas de Malafaia criticando Flávio Bolsonaro pelas conversas com Vorcaro. Após a divulgação das mensagens, ele publicou um vídeo nas redes em que diz que não julgará o senador com base em “vazamentos seletivos”.

O filme “O Agente Secreto” foi orçado em R$ 28 milhões, pagos por meio de recursos públicos e privados obtidos no Brasil, na França, na Alemanha e na Holanda. O montante brasileiro é de R$ 13,5 milhões, sendo R$ 7,5 milhões do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual) e R$ 6 milhões da iniciativa privada.

Não houve uso da Lei Rouanet, já que o mecanismo não pode ser usado para financiar longas-metragens.

Wagner Moura de fato acionou a Justiça do Rio de Janeiro contra Malafaia após o religioso publicar ofensas nas redes sobre a indicação do ator ao Oscar.

Esta peça de desinformação também foi checada pelo Estadão Verifica.

O caminho da apuração

Por meio de busca reversa, Aos Fatos encontrou o vídeo original, publicado por Silas Malafaia em 20 de abril, e verificou que não só a gravação antecede a divulgação das mensagens de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro como também não há sequer citação ao nome do senador.

Também foram consultadas informações públicas sobre o financiamento do filme “O Agente Secreto” e publicações recentes de Malafaia comentando o caso envolvendo o senador.

A reportagem também entrou em contato por meio do formulário no site oficial do pastor e do email institucional da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que ele preside, mas não obteve resposta até a publicação da checagem.

Referências

  1. Intercept Brasil
  2. YouTube (Silas Malafaia Oficial) (1 e 2)
  3. g1 (1 e 2)
  4. Governo federal
  5. Uol

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