É falso que Maduro foi condenado à morte nos EUA

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Não é verdade que o líder venezuelano Nicolás Maduro foi condenado à morte pelo governo americano, como alegam peças de desinformação. O vídeo compartilhado nas redes, que simula uma reportagem de telejornal, foi gerado por IA. Até o momento, Maduro passou apenas por uma audiência de custódia. Não há prazo para o julgamento.

As peças enganosas somam 2 milhões de visualizações no TikTok, 1.200 compartilhamentos no Facebook e 21 mil visualizações no X até a tarde desta sexta-feira (9).

O presidente Donald Trump confirmou hoje que Nicolás Maduro foi condenado à morte por um tribunal federal em Miami. A sentença à cadeira elétrica representa um marco na Justiça internacional.

Imagem mostra suposta apresentadora de telejornal em estúdio — mulher jovem de pele clara, cabelo longo loiro liso repartido ao meio, sobrancelhas marcadas e maquiagem discreta —, olhando diretamente para a câmera com expressão neutra. Ela veste blazer verde de corte reto sobre uma blusa branca, com um microfone de lapela preso à roupa. Ao fundo, há um cenário gráfico colorido com formas geométricas e a imagem desfocada de uma paisagem urbana.

Foi gerado por inteligência artificial o vídeo que simula uma reportagem e alega que o governo americano teria condenado Nicolás Maduro à morte na cadeira elétrica após julgamento em um tribunal em Miami.

Aos Fatos verificou que o registro enganoso foi criado por um perfil no TikTok que rotineiramente publica conteúdo sintético, em sua maioria falsos registros de telejornais.

Há ainda uma série de outros elementos que apontam que a gravação é falsa:

  • A pele dos repórteres que aparecem no vídeo tem aspecto “emborrachado”, com aparência lisa e homogênea, sem textura humana real;
  • Os supostos jornalistas mantêm olhares fixos, piscam poucas vezes e falam praticamente sem pausas e com a mesma entonação ao longo de todo o vídeo;
  • Em diversos momentos, é possível ver distorções visuais nos rostos dos repórteres, principalmente na dilatação nasal;
  • No trecho em que aparece a terceira repórter, supostamente de Brasília, pessoas saem e entram de locais que não têm portas e o braço de um homem desaparece e reaparece várias vezes.

Diferentemente do que sugerem as peças de desinformação, não há data marcada para o julgamento de Maduro, capturado pelas forças americanas no sábado (3). Na segunda (5), o líder venezuelano passou por uma audiência de custódia em Nova York, na qual se declarou inocente de crimes como narcoterrorismo e posse de armamentos.

A próxima audiência está marcada para 17 de março e consiste em uma sessão de pré-julgamento. Não há previsão para a conclusão do processo.

As peças de desinformação alegam que o anúncio da condenação de Maduro teria sido feito por Donald Trump. Por meio de busca na imprensa e no Factbase — repositório que armazena os conteúdos publicados pelo presidente americano nas redes — Aos Fatos não localizou qualquer registro de que o republicano tenha feito declaração semelhante.

Desde a captura de Maduro, tem sido recorrente nas redes o compartilhamento de imagens geradas por IA. Ao longo desta semana, Aos Fatos já desmentiu cinco peças de desinformação (veja aqui, aqui aqui, aqui e aqui) que usavam a tecnologia para enganar usuários.

O caminho da apuração

Aos Fatos analisou o vídeo compartilhado e identificou que o conteúdo foi publicado por um perfil do TikTok conhecido por produzir telejornais fictícios com uso de ferramentas de edição e geração sintética. A reportagem examinou características visuais e de áudio do material, como padrões faciais, movimentos e entonação.

Em seguida, realizamos buscas na imprensa e no Factbase para verificar eventuais declarações de Donald Trump sobre o caso. Também consultamos informações oficiais do processo judicial para confirmar o estágio da ação contra Maduro e o local onde tramitam as audiências.

Referências

  1. g1
  2. UOL
  3. Factbase
  4. Aos Fatos (1, 2, 3, 4 e 5)

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