Maduro não denunciou que ministros do STF receberam R$ 38 milhões para blindar o Foro de São Paulo

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Não é verdade que o líder venezuelano Nicolás Maduro denunciou às autoridades americanas que os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli receberam R$ 38 milhões para blindar um esquema do Foro de São Paulo e travar investigações da Polícia Federal. Não há registros de declarações similares na imprensa ou em canais oficiais do governo dos EUA.

Publicações com o conteúdo falso acumulavam 12 mil compartilhamentos no Facebook até a tarde desta sexta-feira (20).

O ditador Nicolás Maduro acaba de entregar as provas que vão abalar o Brasil: Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli são citados diretamente numa rede de proteção ao narcotráfico venezuelano! Segundo a delação premiada nos EUA, os três ministros receberam R$ 38 milhões para blindar o esquema do Foro de São Paulo e travar as investigações da Polícia Federal.

Montagem composta por várias fotografias. Na parte superior esquerda, aparece Alexandre de Moraes, um homem careca, de terno escuro, com as mãos juntas diante do rosto, cobrindo parcialmente a boca e o nariz. Na parte superior direita, há uma imagem de vários homens de terno sentados lado a lado, e a imagem de Nicolás Maduro com um microfone posicionado à frente deles. Atravessando o centro da imagem, há uma faixa de texto que diz: ‘BOMBA! VAZOU TUDO. NOVA DELAÇÃO DE MADURO CITA MORAES E OUTROS MINISTROS’. Na parte inferior, aparecem os rostos de Maduro e dos ministros Luís Roberto Barroso e Moraes alinhados horizontalmente. Sobre essa área inferior, há um carimbo gráfico em vermelho com a palavra ‘DELAÇÃO’. O fundo apresenta elementos desfocados que lembram páginas de jornal ou documentos.

Publicações enganam ao afirmar que Nicolás Maduro teria denunciado, em depoimento às autoridades americanas, que os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli receberam R$ 38 milhões para travar investigações da PF sobre um esquema de narcotráfico envolvendo o Foro de São Paulo.

Não há registros de declarações similares na imprensa, nos canais do governo brasileiro ou em sites oficiais do governo dos Estados Unidos, como o Departamento de Justiça, o FBI e a Procuradoria-Geral de Nova York, estado onde Maduro está detido.

Em sua única aparição pública após a prisão, no dia 5 de janeiro, o ditador venezuelano compareceu a um tribunal de Nova York para ouvir oficialmente por que está sendo julgado e se declarou inocente. A próxima audiência está marcada para 17 de março.

Esta não é a primeira vez que publicações falsas buscam associar Maduro ao presidente Lula, a ministros do STF e a supostos casos de corrupção envolvendo o Foro de São Paulo. Recentemente, Aos Fatos desmentiu peças que alegavam que o New York Times teria divulgado uma delação em que o venezuelano incriminava o petista e Moraes.

O Foro de São Paulo também é alvo recorrente de teorias conspiratórias. Como Aos Fatos já explicou, no entanto, a organização não tem líderes ou opera de forma autônoma. Trata-se de uma articulação de partidos e grupos políticos da esquerda latino-americana que se reúne anualmente para discutir o cenário político da região.

A despeito das acusações que têm sido feitas há anos pela direita — em especial o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — também não há indícios de que o Foro de São Paulo esteja envolvido em esquemas ligados ao tráfico de drogas ou quaisquer outros delitos.

O caminho da apuração

Aos Fatos buscou registros das supostas declarações na imprensa nacional e internacional, além de consultar comunicados e acervos de fontes oficiais, como o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o FBI e a Procuradoria de Nova York.

Não foi encontrado nenhum indício de que Maduro tenha feito tais alegações. A apuração também considerou checagens anteriores de conteúdos similares, incluindo desmentidos de publicações que atribuíam ao jornal The New York Times ou ao próprio Maduro relatos inexistentes sobre Lula, ministros do STF e o Foro de São Paulo.

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