É falso que a Lupo tenha transferido toda sua produção do Brasil para o Paraguai, como afirmam posts nas redes sociais. A empresa, na realidade, abriu uma fábrica em Ciudad del Este no ano passado, mas manteve as unidades de produção brasileiras.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 15.000 de interações no Instagram, Facebook e X nesta sexta-feira (21).
A Lupo estava há 100 anos no Brasil, faturava 1,85 bilhão por ano. Em 2025, saiu do país e levou a produção pro Paraguai. 🇵🇾

É falso que a Lupo tenha saído do Brasil e levado a produção para o Paraguai. A empresa abriu, de fato, uma planta industrial no país vizinho em 2025, porém, isso não afetou as operações da marca em território nacional.
A Lupo disse ao Aos Fatos que a fábrica inaugurada no ano passado não representa a transferência da produção da Lupo para fora do Brasil, e que “a nova planta faz parte de um movimento de expansão, e não substituiu ou reduziu a produção de nenhuma das fábricas brasileiras".
A unidade paraguaia é exclusivamente dedicada à produção de meias e tem capacidade para fabricar até 20 milhões de pares por ano. Esse volume representa menos de um quarto da produção total, que é, em média, de 90 milhões de pares. Para a nova planta industrial, foram investidos R$ 30 milhões.
Em novembro, a então CEO da Lupo, Liliana Aufiero, disse à Folha de S. Paulo que a empresa foi “empurrada para o Paraguai” pela alta carga tributária brasileira. No entanto, reforçou publicamente que a mudança não implicaria no encerramento das operações nacionais.
Também não é verdade que a Lupo teria registrado faturamento anual de R$ 1,85 bilhão. O maior valor de Receita Operacional Líquida registrado pela companhia nos últimos cinco anos foi de R$ 1,59 bilhão, em 2025. Apesar de apresentar crescimento de receita no período, em nenhum dos exercícios a Receita Operacional Líquida atingiu R$ 1,85 bilhão.
A Lupo completou 105 anos em 2026 e tem quatro fábricas no Brasil: em Araraquara (SP); Itabuna (BA); Pacatuba (CE) e Maracanaú (CE).
Onda de desinformação. Não é a primeira vez que posts distorcem anúncios de fechamentos de plantas industriais, encerramento de atividades ou demissões em massa para sugerir uma saída de empresas do país durante o governo Lula (PT).
Apenas em 2026, Aos Fatos já desmentiu alegações de que:
- Uma empresa não nomeada teria demitido 4.000 funcionários nordestinos;
- A Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, fecharia uma fábrica no Brasil;
- A Volkswagen teria demitido 100 mil funcionários no país;
- A Toyota teria encerrado as atividades no Brasil;
- Mais de 200 empresas teriam deixado o país para se instalar no Paraguai;
- A Coca-Cola decidiu reduzir o tamanho das embalagens vendidas no Brasil;
- A Mercedez-Benz transferiu as operações do Brasil para a Argentina;
- A fábrica responsável por produzir itens das marcas Adidas, Nike e Umbro teria sido transferida para o Paraguai;
- A Amazon teria anunciado o encerramento das operações no Brasil;
- O país teria registrado um recorde de falências em 2025;
- A Electrolux anunciou fechamento de fábrica e demissão em massa no Brasil;
- E que a Nestlé fechou duas fábricas, demitiu 16 mil funcionários e encerrou a produção de KitKat no Brasil.
O caminho da apuração
Aos Fatos entrou buscou informações sobre a abertura da fábrica no Paraguai. Em seguida, a reportagem entrou em contato com a Lupo.
Aos Fatos também consultou os relatórios fiscais, declarações e coberturas de anos anteriores sobre operações da empresa.





