O presidente Lula (PT) não ligou para Donald Trump para dizer que aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teriam ligação com o CV (Comando Vermelho). O texto que tem sido compartilhado fora de contexto nas redes foi publicado, originalmente, como uma sátira. O Palácio do Planalto negou que tal telefonema tenha ocorrido.
Publicações enganosas acumulavam ao menos 1.500 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta terça-feira (14).
Lula quebrou o protocolo e ligou direto para Trump para desmascarar a farsa do clã Bolsonaro e expôs as ligações da direita com o Comando Vermelho.

Um texto fictício publicado pelo site Brasil 247 que relata uma conversa telefônica entre Lula e Trump tem sido compartilhado nas redes como se fosse real. A coluna original, publicada em 9 de julho e assinada pelo sociólogo Oliveiros Marques, relata um telefonema que nunca existiu entre os dois presidentes.
Segundo o texto, o petista teria falado sobre as relações entre a família Bolsonaro e políticos investigados por possível ligação com o CV.
Em nota enviada ao Aos Fatos, a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) negou a veracidade do conteúdo e disse que a ligação citada nunca ocorreu.
À Reuters, o autor do texto original disse que se trata de uma crônica de humor.
O texto original não deixa claro que se trata de uma ficção, mas foi publicado na seção de opinião do Brasil 247, que também inclui textos satíricos. Nesse caso, era possível identificar pontos que atestam que se trata de um texto humorístico:
- Lula começa dizendo que gostaria de pedir por uma intervenção da Fifa sobre o Corinthians;
- Trump estaria salvo nos contatos do WhatsApp de Lula como Orange;
- E há uma descrição muito detalhada da vida do presidente brasileiro, como o que ele comeu no café da manhã e sua rotina de treino.
Apesar de narrar um cenário ficcional, a crônica publicada pelo Brasil247 cita investigações reais de figuras políticas brasileiras:
- O ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso por suspeita de integrar organização criminosa. Ele foi indiciado, em fevereiro deste ano, por possível vazamento de dados para o CV;
- Bacellar era apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao governo do Rio e tem diversas fotos com os integrantes da família;
- Na mesma investigação, foi preso o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias (sem partido). Aliado de Bacellar, ele também apareceu em fotos com Flávio Bolsonaro.
- Por fim, o ex-prefeito de Belford Roxo (RJ), Márcio Canella (União Brasil), foi preso por porte ilegal de arma em investigação da PF sobre uso de postos de gasolina para lavagem de dinheiro;
- Canella é pré-candidato ao Senado com apoio de Flávio.
O caminho da apuração
Aos Fatos fez uma busca por trechos do texto que tem sido compartilhado e encontrou a publicação original. Entramos em contato com a Secom e com o autor original do texto, mas só a primeira respondeu.
Também procuramos informações sobre os políticos citados na crônica que tem sido descontextualizada para explicar porque eles estão sendo investigados e quais suas relações com a família Bolsonaro.





