Não é verdade que uma embaixadora venezuelana expulsou o presidente Lula (PT) de uma reunião emergencial da ONU (Organização das Nações Unidas) após ele defender Nicolás Maduro. Não há qualquer registro do encontro na imprensa, em canais oficiais ou na agenda oficial do petista.
Publicações com o conteúdo falso acumulavam cerca de 7.000 compartilhamentos no Facebook, dezenas de curtidas no Instagram e 115 mil visualizações no YouTube até a tarde desta terça-feira (13).
Numa reunião de emergência da ONU, o Presidente Lula tentou ‘falar grosso’ contra os EUA e defender o ditador Nicolás Maduro, mas o tiro saiu pela culatra. Uma embaixadora venezuelana interrompeu o discurso petista aos berros, mandando Lula calar a boca e sentar-se no seu lugar!

Publicações nas redes enganam ao afirmar que Lula teria sido expulso de uma reunião emergencial da ONU por uma suposta embaixadora venezuelana após defender Maduro. Não há registros do episódio na imprensa, nos canais oficiais das Nações Unidas ou em comunicados de governos estrangeiros. Tampouco existe confirmação de que a reunião tenha ocorrido.
A agenda oficial de Lula não registrou compromissos com a ONU após os ataques à Venezuela, no dia 3. O presidente estava de recesso e passou as férias na base das Forças Armadas na Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, onde chegou em 26 de dezembro e permaneceu até depois da virada do ano.
Após retornar ao Palácio do Planalto, seus compromissos públicos não incluíram encontros com representantes das Nações Unidas.
Além disso, as peças não identificam a suposta embaixadora venezuelana. Em muitos casos, as publicações apresentam imagens de María Corina Machado, principal liderança da oposição ao regime de Nicolás Maduro, que não ocupa cargos diplomáticos.
Lula se pronunciou oficialmente sobre a captura de Maduro cerca de sete horas após a operação conduzida pelos Estados Unidos. No mesmo dia, o petista também entrou em contato com a então presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Em publicação nas redes, Lula afirmou que a ofensiva ultrapassava um limite inaceitável e remetia aos piores episódios de interferência política na América Latina. O petista, no entanto, não mencionou diretamente os EUA ou seu presidente, Donald Trump.
Desde então, líderes europeus e latino-americanos têm procurado Lula para ouvir a posição do Brasil diante da crise política na Venezuela. Entre os pedidos de contato estão os do presidente da França, Emmanuel Macron, e do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.
Maduro e sua mulher passaram por audiência de custódia nos EUA no dia 5 e aguardam julgamento, que ainda não tem data para ocorrer. O venezuelano se declarou inocente de todos os crimes pelos quais é acusado, que incluem narcoterrorismo e posse de armamentos.
Enquanto isso, a presidente interina Delcy Rodríguez tem feito acenos aos americanos, em uma tentativa de restabelecer relações diplomáticas. A governante anunciou na semana passada o envio de uma delegação a Washington.
Uma missão enviada por Donald Trump também já visitou a Venezuela. Os dois países anunciaram na sexta (9) que cogitam a retomada do diálogo.
O caminho da apuração
Aos Fatos buscou registros da suposta reunião emergencial nos canais oficiais da ONU e na cobertura da imprensa internacional, sem encontrar qualquer menção ao episódio. A reportagem também verificou a agenda oficial do presidente Lula e confirmou que não havia compromissos com as Nações Unidas no período alegado pelas publicações.
Também complementamos a checagem com a declaração oficial de Lula sobre a prisão de Maduro e outras informações publicadas por veículos jornalísticos sobre os desdobramentos da captura do líder venezuelano.




