Lula não sugeriu que militares façam 'bico' para complementar renda

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Não é verdade que o presidente Lula (PT) sugeriu que militares fizessem ‘bicos’ para complementar a renda. Não há registros da declaração nas redes sociais do petista, nos canais do governo ou na imprensa. Procurada por Aos Fatos, a Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência desmentiu a alegação.

O conteúdo enganoso acumulava 4.000 curtidas no Instagram e 5.000 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta sexta-feira (26).

Lula ironiza e sugere que os militares façam bico, dirijam uber ou vendam balas nos semáforos para complementar a renda e que cada militar leve marmita de casa pra comer no quartel

Montagem em formato vertical. Na parte superior há uma fotografia em que aparecem quatro militares uniformizados e o presidente Lula. Em primeiro plano, um militar de uniforme cinza, faixa verde atravessada no peito e quepe com detalhes dourados faz continência com a mão direita. À esquerda dele, outro militar usa uniforme azul, boina azul e óculos, também fazendo continência. Ao fundo, um terceiro militar aparece parcialmente visível usando uniforme branco e boné branco. À direita da imagem, Lula aparece de perfil, vestindo terno escuro, camisa branca e gravata vermelha, olhando em direção ao militar que está em continência. Outro militar aparece parcialmente ao fundo, atrás de Lula. A metade inferior da imagem é ocupada por um bloco de fundo preto com texto em letras brancas, distribuído em várias linhas, que diz: 'Lula ironiza e sugere que os militares façam bico, dirijam uber ou vendam balas nos semáforos para complementar a renda e que cada militar leve marmita de casa pra comer no quartel'.

Publicações nas redes mentem ao dizer que o presidente Lula ironizou militares ao sugerir que eles “façam bico, dirijam carro de aplicativo ou vendam balas nos semáforos” para complementar a renda. A frase foi inventada.

Não há registros da suposta declaração nas redes sociais do petista, nos canais oficiais ou na imprensa. A Secom da Presidência desmentiu a veracidade da alegação e disse que os pronunciamentos de Lula são públicos e podem ser consultados no site do Palácio do Planalto.

As peças desinformativas começaram a circular nas redes após o governo federal anunciar no final de maio um segundo bloqueio no Orçamento de 2026, de R$ 22,1 bilhões. O primeiro, de março, contingenciou R$ 1,6 bilhão. O Ministério da Defesa foi uma das pastas mais afetadas, com redução orçamentária de R$ 4,363 bilhões.

Apesar disso, o governo federal tem defendido o fortalecimento das Forças Armadas. Em 2025, os militares brasileiros receberam um reajuste salarial de 9%, beneficiando cerca de 740 mil militares da ativa, da reserva e pensionistas.

Lula também afirmou que pretende ampliar a capacidade de defesa nacional e incorporar o tema ao programa de governo pela primeira vez. A declaração foi dada durante a entrega de uma embarcação da Marinha em Itajaí (SC) nesta sexta-feira (26).

“Eu não quero guerra. Mas eu também não quero ser pego de surpresa”, afirmou.

Aos Fatos já desmentiu uma série de publicações enganosas que inventam falas do presidente Lula para sugerir que ele teria criticado ou zombado de trabalhadores e servidores (veja aqui, aqui e aqui).

Esta peça de desinformação também foi checada pela Reuters e pelo Estadão Verifica.

O caminho da apuração

Aos Fatos buscou a suposta declaração nos perfis oficiais de Lula, nos canais de comunicação do governo federal e na imprensa, sem encontrar registros.

A reportagem também procurou a Secretaria de Comunicação da Presidência, que confirmou que a alegação é falsa.

Por fim, Aos Fatos também procurou dados sobre ações mais recentes do governo Lula voltadas aos militares.

Referências

  1. Agência Brasil (1 e 2)
  2. g1
  3. Uol
  4. Aos Fatos (1, 2 e 3)

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