Levantamento que mostra Flávio com 68% é enquete, não pesquisa eleitoral

Não é verdade que uma pesquisa eleitoral revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem 68,4% das intenções de voto e o presidente Lula (PT) possui 9%, como afirmam postagens nas redes. Os números são resultado de uma enquete online, que não tem rigor metodológico ou registro oficial no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Posts enganosos reuniam ao menos 2.500 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quarta-feira (5).

Flavio Bolsonaro lidera as pesquisa para Presidente

A imagem exibe uma montagem gráfica com fundo escuro simulando um resultado de pesquisa eleitoral. No topo, lê-se 'Flávio Bolsonaro Lidera as pesquisa para Presidente.', acima de uma tarja azul com o texto 'VISUALIZAÇÃO DE RESULTADOS POR CANDIDATO'. O centro da imagem é dividido em três painéis apresentando fotografias de homens de pele clara: à esquerda, Flávio Bolsonaro — com cabelo curto escuro, terno escuro, camisa branca e gravata azul-escura —, sobre os dizeres 'FLÁVIO BOLSONARO', 'PARTIDO LIBERAL (PL)' e o percentual '68.4%'; no centro, Renan Santos — com cabelo curto escuro, paletó escuro e camisa azul-clara —, acima de 'RENAN SANTOS', 'MISSÃO - MBL' e '20.4%'; à direita, Luiz Inácio Lula da Silva — com cabelos e barba grisalhos, terno escuro, camisa branca, gravata vermelha e a mão direita erguida —, sobre o texto 'LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA', 'PARTIDO DOS TRABALHADORES (PT)' e '9.5%'. Na parte inferior, uma faixa amarela destaca em letras pretas 'FLÁVIO LIDERA PESQUISA', com as áreas adjacentes e superiores parcialmente ocultas por blocos de censura e pixelização.

Trata-se de uma enquete, não de uma pesquisa eleitoral, o levantamento que coloca o senador Flávio Bolsonaro na liderança da corrida presidencial com 68,4% dos votos, seguido de Renan Santos (Missão) e Lula (PT).

A sondagem foi realizada por um blog de caminhoneiros que a classifica como uma “enquete informal de participação espontânea” e que “não tem valor científico”.

De fato, enquetes de internet não podem ser comparáveis a pesquisas eleitorais porque não tem rigor estatístico e apresentam diversos vieses:

  • A participação é voluntária e restrita ao público da página ou site que organizou a enquete. Ou seja: é mais provável que um eleitor de Flávio veja uma enquete em uma página de direita do que um eleitor de esquerda, o que pode influenciar nos resultados;
  • Enquetes podem ser respondidas pela mesma pessoa mais de uma vez, principalmente se ela não pedir para o eleitor se identificar. Isso acontece no caso específico da enquete da peça de desinformação;
  • Elas também são manipuláveis por ondas de engajamento: grupos podem fazer mutirões para votar no mesmo candidato e alterar o resultado;
  • E 90,5% da população possui acesso à internet no Brasil. Apesar da grande maioria ter acesso, isso significa que as enquetes online deixam de fora uma parcela do eleitorado.

Além disso, as enquetes não seguem as mesmas regras que as pesquisas eleitorais, que devem estar registradas no TSE, com dados que vão desde o financiamento até o estatístico responsável pelo questionário. Veja exemplo abaixo:

A imagem exibe uma captura de tela de um formulário estruturado em formato de tabela, sob o cabeçalho 'Visualizar Pesquisa Eleitoral - BR-06591/2026' e a palavra 'BRASIL' centralizada logo abaixo. A grade detalha os dados de registro de uma pesquisa estatística, informando o cargo de 'Presidente', a empresa contratada 'QUAEST PESQUISAS, CONSULTORIA E PROJETOS LTDA.', a data de registro em '30/07/2026' e a divulgação para '05/08/2026'. O documento lista ainda o total de '2004' entrevistados, o período de realização entre '31/07/2026' e '03/08/2026', o nome e registro da estatística responsável, e o valor do custo de 'R$ 433.255,92', marcando 'Não' para o uso de recursos próprios da empresa de pesquisa. Na parte inferior, abaixo da tabela, o campo de contratante identifica o 'BANCO GENIAL S.A.' e especifica a origem do recurso.
Exemplo de detalhamento de informações de pesquisa eleitoral registrada no TSE nos últimos dias (Reprodução)

Os institutos também detalham a metodologia usada — como a quantidade de pessoas entrevistadas, a maneira como as entrevistas foram feitas (por telefone ou pessoalmente) e a divisão da amostra por categorias, como gênero, idade e região —, informação que determina o nível de confiança de cada pesquisa.

Últimas pesquisas. Nenhuma das principais pesquisas eleitorais mostram o senador com ampla vantagem na corrida presidencial. Segundo a última Quaest, que traçou cenários de segundo turno, por exemplo, Lula tem 44% contra 39% de Flávio em uma disputa direta.

Já o instituto Nexus divulgou que Lula tem 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% de Flávio. Em um eventual segundo turno, os dois aparecem tecnicamente empatados: o petista com 46% e o senador com 45%.

Na última pesquisa Datafolha, divulgada no final de julho, Lula liderava a corrida com 40% dos votos, contra 32% de Flávio. No segundo turno, o atual presidente venceria o senador por 48% a 43%.

Já o agregador de pesquisas Polling Data, mostra Lula com 40% dos votos válidos no primeiro turno, contra 34% de Flávio.

O caminho da apuração

Aos Fatos acessou o link de votação do levantamento citado e verificou quais informações eram necessárias para registrar o voto. A reportagem também procurou pesquisa semelhante na base do TSE, mas nenhuma foi localizada.

Por fim, foram recuperadas informações já publicadas por Aos Fatos que explicam por que enquetes online não têm o mesmo rigor estatístico de uma pesquisa eleitoral clássica.

Compartilhe

Adicione o Aos Fatos às suas fontes do Google

fonte preferencial

Leia também

falsoÉ falso que Maria da Penha disse que nunca foi agredida por ex-marido

É falso que Maria da Penha disse que nunca foi agredida por ex-marido

Pecuária não é ‘solução’ para reduzir gases de efeito estufa

Pecuária não é ‘solução’ para reduzir gases de efeito estufa

Terremotos na Colômbia e na Venezuela não foram causados por arma militar

Terremotos na Colômbia e na Venezuela não foram causados por arma militar

fátima
Fátima