Não é verdade que uma pesquisa eleitoral revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem 68,4% das intenções de voto e o presidente Lula (PT) possui 9%, como afirmam postagens nas redes. Os números são resultado de uma enquete online, que não tem rigor metodológico ou registro oficial no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Posts enganosos reuniam ao menos 2.500 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quarta-feira (5).
Flavio Bolsonaro lidera as pesquisa para Presidente

Trata-se de uma enquete, não de uma pesquisa eleitoral, o levantamento que coloca o senador Flávio Bolsonaro na liderança da corrida presidencial com 68,4% dos votos, seguido de Renan Santos (Missão) e Lula (PT).
A sondagem foi realizada por um blog de caminhoneiros que a classifica como uma “enquete informal de participação espontânea” e que “não tem valor científico”.
De fato, enquetes de internet não podem ser comparáveis a pesquisas eleitorais porque não tem rigor estatístico e apresentam diversos vieses:
- A participação é voluntária e restrita ao público da página ou site que organizou a enquete. Ou seja: é mais provável que um eleitor de Flávio veja uma enquete em uma página de direita do que um eleitor de esquerda, o que pode influenciar nos resultados;
- Enquetes podem ser respondidas pela mesma pessoa mais de uma vez, principalmente se ela não pedir para o eleitor se identificar. Isso acontece no caso específico da enquete da peça de desinformação;
- Elas também são manipuláveis por ondas de engajamento: grupos podem fazer mutirões para votar no mesmo candidato e alterar o resultado;
- E 90,5% da população possui acesso à internet no Brasil. Apesar da grande maioria ter acesso, isso significa que as enquetes online deixam de fora uma parcela do eleitorado.
Além disso, as enquetes não seguem as mesmas regras que as pesquisas eleitorais, que devem estar registradas no TSE, com dados que vão desde o financiamento até o estatístico responsável pelo questionário. Veja exemplo abaixo:

Os institutos também detalham a metodologia usada — como a quantidade de pessoas entrevistadas, a maneira como as entrevistas foram feitas (por telefone ou pessoalmente) e a divisão da amostra por categorias, como gênero, idade e região —, informação que determina o nível de confiança de cada pesquisa.
Últimas pesquisas. Nenhuma das principais pesquisas eleitorais mostram o senador com ampla vantagem na corrida presidencial. Segundo a última Quaest, que traçou cenários de segundo turno, por exemplo, Lula tem 44% contra 39% de Flávio em uma disputa direta.
Já o instituto Nexus divulgou que Lula tem 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% de Flávio. Em um eventual segundo turno, os dois aparecem tecnicamente empatados: o petista com 46% e o senador com 45%.
Na última pesquisa Datafolha, divulgada no final de julho, Lula liderava a corrida com 40% dos votos, contra 32% de Flávio. No segundo turno, o atual presidente venceria o senador por 48% a 43%.
Já o agregador de pesquisas Polling Data, mostra Lula com 40% dos votos válidos no primeiro turno, contra 34% de Flávio.
O caminho da apuração
Aos Fatos acessou o link de votação do levantamento citado e verificou quais informações eram necessárias para registrar o voto. A reportagem também procurou pesquisa semelhante na base do TSE, mas nenhuma foi localizada.
Por fim, foram recuperadas informações já publicadas por Aos Fatos que explicam por que enquetes online não têm o mesmo rigor estatístico de uma pesquisa eleitoral clássica.





