Jornal Nacional não veiculou reportagem que afirma que Bolsonaro é inocente

Compartilhe

Não é verdade que uma reportagem do Jornal Nacional comprovou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é inocente das acusações de tentativa de golpe de Estado. As peças de desinformação recortam um trecho da edição da última segunda-feira (19), que informa que os instrumentos cogitados pelo ex-presidente para se manter no poder estão previstos na Constituição, mas não respaldam rupturas institucionais.

As peças de desinformação somavam 4.600 curtidas no Instagram, 24 mil compartilhamentos no X e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta terça-feira (20).

Jornal Nacional inocenta Bolsonaro do tal golpe ao vivo para todo o Brasil.

Frame de vídeo mostra o jornalista William Bonner — homem branco de cabelo grisalho que usa uma camisa social branca, gravata azul e terno azul marinho — apresentando o Jornal Nacional. Legenda em caixa alta na parte superior diz: ‘Jornal Nacional inocenta Bolsonaro’. Na parte inferior da imagem há outra legenda em caixa alta que diz: ‘Ao vivo para todo o Brasil!’

Posts nas redes têm compartilhado um trecho editado de uma reportagem do Jornal Nacional da última segunda-feira (19) para fazer crer que o telejornal teria alegado que Bolsonaro é inocente da acusação de golpe de Estado. As peças de desinformação omitem o trecho que explica que nenhum dos recursos previstos pelo ex-presidente para evitar a posse de Lula (PT) respaldam uma ruptura institucional.

A reportagem noticia o início da fase de depoimentos do chamado núcleo crucial da tentativa de golpe de Estado, que inclui Bolsonaro e mais sete aliados. A PGR (Procuradoria Geral da República) afirma que os acusados desse grupo formaram uma organização criminosa estável, com divisão de tarefas, para promover a ruptura democrática.

Em depoimento à Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) na última segunda-feira (19), o ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, mencionou uma reunião ocorrida no fim de 2022 em que Bolsonaro teria apresentado estudos que previam a instauração de estado de sítio, estado de defesa ou a aplicação da GLO (garantia da lei e da ordem) no país após as eleições daquele ano.

A versão editada da reportagem cita apenas que esses instrumentos — que podem ser aplicados apenas em situações de crise no país — estão previstos na Constituição. No entanto, no trecho seguinte, omitido pelas peças de desinformação, o telejornal informa que nenhuma dessas medidas respalda uma ruptura institucional.

Segundo especialistas em direito constitucional ouvidos pelo Aos Fatos em reportagem publicada em dezembro de 2022, a Constituição não prevê a possibilidade de intervenção nos Poderes. Qualquer tentativa das Forças Armadas de acabar com o Legislativo e o Judiciário, ainda que sob ordem do presidente da República, configura golpe de Estado.

Até o dia 2 de junho, devem ser ouvidas cerca de 80 testemunhas relacionadas ao núcleo crucial da tentativa de golpe de Estado.

O caminho da apuração

Aos Fatos localizou a reportagem na íntegra exibida pelo Jornal Nacional e contextualizou a checagem com informações sobre o depoimento do general Marco Antônio Freire Gomes ao STF na última segunda-feira (19).

Referências

  1. g1 (1, 2 e 3)
  2. O Globo
  3. Aos Fatos

Compartilhe

Leia também

falsoÉ falso que Lula só venceu eleições após adoção das urnas eletrônicas

É falso que Lula só venceu eleições após adoção das urnas eletrônicas

falsoVídeo que mostra manifestação de caminhoneiros em Brasília foi gerado por IA

Vídeo que mostra manifestação de caminhoneiros em Brasília foi gerado por IA

falsoPosts inventam que PF revelou dossiê contra Nikolas Ferreira e irmão de Bolsonaro

Posts inventam que PF revelou dossiê contra Nikolas Ferreira e irmão de Bolsonaro

fátima
Fátima