Jean Wyllys não foi intimado a depor sobre Adélio Bispo

Por Luiz Fernando Menezes

3 de agosto de 2022, 17h43

Uma entrevista do senador Marcos do Val (Podemos-ES) feita em abril de 2020 voltou a ser compartilhada nas redes sociais com a alegação falsa de que o ex-deputado federal Jean Wyllys (PT) será intimado a depor na investigação sobre o caso Adélio Bispo (veja aqui). Na época, Do Val tentou convidar Wyllys para depor no Senado acerca da facada sofrida por Jair Bolsonaro (PL) em 2018, mas o convite foi rejeitado pelo Senado. Inquéritos da Polícia Federal apontam que Bispo agiu sozinho e Wyllys nunca foi intimado a depor nas investigações.

O vídeo descontextualizado acumulava mais de 4.000 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quarta-feira (3).


Selo não é bem assim

Vídeo de 2020 sobre envolvimento de Wyllys no caso Adélio circula como se fosse recente

Com base em um vídeo divulgado em abril de 2020, postagens nas redes sociais alegam que o ex-deputado federal Jean Wyllys será intimado pela PF a depor no caso do atentado sofrido pelo presidente Jair Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018. A informação divulgada no vídeo, entretanto, diz respeito a um pedido do senador Marcos Do Val para que Wyllys prestasse depoimento ao Senado sobre o caso. O pedido não foi votado e o ex-deputado nunca foi intimado nas investigações.

Naquela época, Do Val havia protocolado um convite para que Wyllys prestasse esclarecimentos à CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado sobre o caso. O convite estava baseado nas declarações de um homem chamado Luciano Mergulhador que afirmou, ao blogueiro Oswaldo Eustáquio, que conhecia Adélio Bispo e que ele havia visitado o gabinete de Jean Wyllys em 2013. A acusação, no entanto, não foi sustentada pelo próprio Luciano em depoimento à PF meses depois.

Após a repercussão do vídeo, Wyllys se defendeu das acusações, negou qualquer envolvimento com o caso e processou o senador por danos morais. Em agosto de 2021, a 5ª Vara Cível do Rio de Janeiro condenou Do Val a pagar R$ 41,8 mil em indenização ao ex-deputado. Até o momento, a PF finalizou dois inquéritos sobre o caso — um em setembro de 2018 e outro em maio de 2020 — e concluiu que Bispo agiu sozinho e a motivação seria “inconformismo político”. Jean Wyllys não foi citado ou ouvido em nenhum dos inquéritos.

Desde novembro de 2021, após uma decisão do TRF1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), a polícia investiga os advogados que atuaram na defesa do agressor. Não há, no entanto, atualizações sobre esse inquérito.

Notícias antigas sobre o caso são recorrentemente recuperadas por desinformadores nas redes sociais. Em junho deste ano, por exemplo, o Aos Fatos também desmentiu a alegação de que a PF teria descoberto seis contas de email no nome de Adélio Bispo e que isso mostraria que o atentado teria sido arquitetado por outras pessoas.

Referências:

1. Jornal de Brasília
2. Facebook (Mídia Ninja)
3. O Globo
4. Poder 360 (1 e 2)
5. G1
6. Aos Fatos

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