Câmara não aprovou isenção de conta de luz para LGBTQIA+

Não é verdade que uma comissão da Câmara dos Deputados aprovou a isenção da tarifa de energia elétrica para toda a população LGBTQIA+. Os posts que trazem essa afirmação enganosa distorcem um projeto que propõe o desconto de 100% do valor da conta de energia para abrigos e casas de acolhimento — e não residências familiares, como sugerem as publicações — que abriguem minorias vulneráveis.

As peças de desinformação acumulavam 200 mil visualizações no X (ex-Twitter), 5 mil curtidas e 2.500 compartilhamentos no Facebook.

Comissão da Câmara aprova isenção total de luz para LGBTs

Imagem mostra uma captura de tela composta por duas partes. À esquerda aparece uma publicação com a foto de Erika Hilton, mulher de pele morena e cabelo longo castanho, usando roupa verde e segurando uma bandeira arco-íris acima da cabeça. Sobre a imagem há os textos: ‘PT Nunca mais’ e ‘Comissão da Câmara aprova isenção total de luz para LGBTs’. Abaixo, outro texto diz: ‘“É cota para trans, vaga em concurso público, luz de graça. Daqui a uns dias, não ser trans será considerado crime”, diz leitor’. À direita aparece uma publicação em rede social com comentários de usuários. O texto principal questiona se ‘LGBTs’ não teriam condições de pagar energia e afirma que o benefício deveria ser por condição socioeconômica. Os nomes e fotos de perfil dos usuários estão desfocados.

Publicações nas redes distorcem o conteúdo do PL 1182/2023, aprovado pela Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara, para sugerir que o texto isentaria toda a população LGBTQIA+ do pagamento da conta de luz. Alguns posts vão além e dizem ainda que o texto faria com que pais com filhos gays poderiam obter esse suposto benefício. Nada disso é verdade.

O texto original alterava a lei nº 12.212/2010, que dispõe sobre a tarifa social da energia elétrica, e determinava um desconto de 30% nas tarifas de energia elétrica para abrigos que acolhem pessoas LGBTQIA+ e outras minorias em situação de vulnerabilidade.

O substitutivo aprovado, de autoria da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), no entanto, determina a isenção total da conta de luz para essas casas de acolhimento.

O texto afirma que ficariam isentas “entidades ou unidades consumidoras classificadas na Subclasse Residencial Baixa Renda que atendam abrigos e/ou casas de acolhimento, para pessoas LGBTQIA+ e demais minorias sociais vulneráveis”. Ou seja, só seriam beneficiados locais que proporcionem acolhimento institucional, regulado por lei.

Os posts omitem ainda que o projeto está no início de sua tramitação. Ele ainda precisa ser aprovado em três comissões — Minas e Energia, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça — para, então, ir ao plenário da Câmara. Caso passe na Casa, ainda terá que ser apreciado e aprovado em comissões e no plenário do Senado antes de ir à sanção.

O caminho da apuração

Aos Fatos analisou a íntegra do projeto de lei citado nas peças de desinformação, bem como o substitutivo e a lei que será alterada caso ele seja sancionado. Também procuramos informações sobre a tramitação do projeto no site oficial da Câmara dos Deputados.

Referências

  1. Câmara dos Deputados (1, 2 e 3)
  2. Planalto
  3. Ministério do Desenvolvimento Social

Compartilhe

Adicione o Aos Fatos às suas fontes do Google

fonte preferencial

Leia também

falsoÉ falso que Simone Tebet criticou Lula por fala sobre ‘tomar toque’

É falso que Simone Tebet criticou Lula por fala sobre ‘tomar toque’

falsoÉ falso que fogo em imagem de Nossa Senhora em GO foi obra de evangélicos

É falso que fogo em imagem de Nossa Senhora em GO foi obra de evangélicos

falsoLula não homenageou médium João de Deus em nome de hospital no Pará

Lula não homenageou médium João de Deus em nome de hospital no Pará

fátima
Fátima