Vídeo mostra incêndio em Hong Kong, não bombardeios no Irã

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Não é verdade que o vídeo que mostra um prédio em chamas tenha sido gravado no Irã após a nova onda de bombardeios dos Estados Unidos ao país no sábado (11), diferentemente do que alegam posts nas redes. O registro foi feito em novembro de 2025 em Hong Kong, quando um incêndio atingiu um complexo residencial.

O conteúdo descontextualizado acumulava ao menos 1.500 curtidas no Instagram até a tarde desta terça-feira (14).

Guerra volta a se intensificar: EUA lançam nova onda de bombardeios nesse momento contra o Irã

A imagem mostra um prédio alto envolvido por um grande incêndio durante a noite. Chamas intensas saem da parte superior e de vários andares da fachada, enquanto uma espessa fumaça alaranjada sobe e cobre o céu acima do edifício. Em prédios vizinhos, algumas janelas iluminadas também são visíveis. A imagem possui elementos gráficos sobrepostos, incluindo linhas brancas decorativas nas laterais e dois retângulos azuis com conteúdo desfocado, um no canto superior direito e outro próximo à parte inferior central. Na metade inferior da imagem há um bloco escuro com um texto em destaque. Em letras amarelas e brancas, lê-se: 'TRUMP ESTÁ FAZENDO O IRÃ SE TORNAR UM INFERNO NESTA SEGUNDA-FEIRA, 13'.

O vídeo de um incêndio em um complexo residencial no ano passado em Hong Kong tem circulado nas redes como se registrasse o resultado dos bombardeios dos Estados Unidos ao Irã no final de semana.

Por meio de busca reversa, Aos Fatos localizou a gravação original e confirmou que as imagens foram feitas em 24 de novembro de 2025. O vídeo mostra o momento em que o incêndio atinge o complexo residencial Wang Fuk Court, localizado em Tai Po, um dos 18 distritos administrativos de Hong Kong (veja abaixo):

Ao menos sete dos oito blocos do condomínio foram afetados pelas chamas, forçando moradores a deixarem suas casas e se abrigarem em acomodações temporárias.

As autoridades locais reportaram ao menos 168 mortos, entre eles operários que trabalhavam na reforma do conjunto e bombeiros que atuaram no combate ao incêndio.

Conflito. É fato, porém, que os Estados Unidos voltaram a bombardear o Irã no último fim de semana, apesar do acordo de cessar-fogo firmado entre os países em 18 de junho.

No sábado (11), o governo de Donald Trump afirmou ter atingido cerca de 140 alvos militares iranianos após um ataque do país persa a um navio mercante do Chipre que atravessava o Estreito de Ormuz.

Os ataques prosseguiram no domingo (12) e na segunda-feira (13), quando o Centcom (Comando Central dos Estados Unidos) divulgou um comunicado informando que, após cinco horas de ataques, os norte-americanos atingiram alvos militares em todo o país.

Após os três dias seguidos de ataques, a agência de notícias Fars informou que nesta terça-feira (14) várias explosões foram ouvidas na ilha iraniana de Qeshm, próxima ao Estreito de Hormuz.

Localizada próxima à cidade portuária Bandar Abbas, a ilha ocupa uma posição estratégica no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quarto de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo.

A região também abriga a principal base da Marinha iraniana e ganhou ainda mais relevância desde a escalada do conflito no Oriente Médio.

O caminho da apuração

Aos Fatos fez uma busca reversa e encontrou a mesma gravação atribuída a um incêndio ocorrido em novembro de 2025 em Hong Kong.

A reportagem também consultou informações divulgadas à época sobre o incidente.

Por fim, Aos Fatos foi em busca de informações sobre os ataques recentes entre Estados Unidos e Irã que, embora tenham ocorrido, não têm relação com o vídeo descontextualizado que circula nas redes.

Referências

  1. Instagram (@hc_noticias)
  2. CNN Brasil (1 e 2)
  3. Uol (1 e 2)
  4. Nexo
  5. CNN
  6. g1 (1 e 2)
  7. Observador

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