Idoso réu do 8 de janeiro não foi condenado por Moraes antes de morrer

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É falso que um dos réus do 8 de janeiro teria sido condenado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes antes de morrer, como afirmam posts nas redes sociais. À época da morte do idoso, o processo ainda estava em fase de instrução, quando as partes produzem e apresentam as provas necessárias para comprovar suas alegações.

Postagens com o conteúdo enganoso reuniam milhares de interações no Instagram e no Facebook nesta terça-feira (8).

Idoso cadeirante, réu do 8 de janeiro, morre aos 63 anos; recebia um salário-mínimo do BPC e foi condenado por Moraes ao ser apontado como financiador do ato

Captura de tela de uma publicação de rede social com fundo amarelo-claro e texto jornalístico acompanhado de imagens na metade inferior. Na parte superior, há cinco parágrafos em texto: 'Ronaldo Edison Richard, conhecido como Richard Galo, réu em um processo relacionado aos atos de 8 de janeiro, morreu aos 63 anos em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. Segundo as informações divulgadas na publicação, Richard era cadeirante e recebia um salário mínimo pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC). Mesmo assim, foi investigado pela Polícia Federal por uma suspeita de financiamento de transporte para os atos em Brasília. A investigação apontou que seria necessário pagar cerca de R$ 22 mil pelo aluguel de um ônibus. Segundo a PF, a situação financeira de Richard seria incompatível com o pagamento desse valor sozinho. O relatório levantou a possibilidade de que ele tivesse administrado uma arrecadação coletiva entre os passageiros. A defesa, porém, afirmou que Richard não esteve em Brasília no dia 8 de janeiro. O nome dele também não aparece na lista dos 35 passageiros do ônibus, segundo a publicação. A certidão de óbito foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes. O caso agora deverá considerar a morte do réu no andamento do processo.' Abaixo do texto, a imagem está dividida ao meio na vertical com duas fotos sobrepostas por um título com trechos destacados em amarelo: Lado esquerdo: Foto de um homem idoso de pele clara, olhos azuis, cabelo curto grisalho e barba curta branca, sorrindo levemente. Lado direito: Foto do ministro Alexandre de Moraes, homem de pele clara e calvo, trajando terno escuro e camisa branca. Sobreposta na parte inferior das fotos, há a manchete em letras brancas e amarelas sobre fundo escuro: 'Idoso cadeirante, réu do 8 de janeiro, morreu aos 63 anos; recebia um salário-mínimo do BPC e foi condenado por Moraes ao ser apontado como financiador do ato' No rodapé da publicação, aparecem os ícones de engajamento da rede social mostrando 2,7 mil reações, 619 comentários e 957 compartilhamentos.

Não é verdade que um idoso réu do 8 de janeiro tenha sido condenado em decisão de Alexandre de Moraes antes de morrer. Ronaldo Edison Richard enfrentava, de fato, acusações por envolvimento nos atos, mas o processo estava em fase de instrução e ele respondia em liberdade.

Richard morreu aos 63 anos, em 10 de agosto de 2026, antes da conclusão do procedimento legal. Um perfil ligado a amigos e familiares de envolvidos no 8 de janeiro publicou, inclusive, uma nota de pesar que diz que Richard faleceu “sem que pudesse acompanhar o desfecho” de um processo que o marcou profundamente.

Captura de tela de uma publicação do Instagram sobre a morte de Ronaldo Édison Richard.  A imagem está dividida em duas colunas:Lado esquerdo (Arte do post): Card com fundo branco. Na parte superior, há uma foto circular de um homem de pele clara, cabelos grisalhos e camisa xadrez em tom azul, sorrindo. Sobreposta ao canto esquerdo do círculo, há uma fita preta de luto. Abaixo da foto, o nome 'RONALDO ÉDISON RICHARD' em letras maiúsculas pretas. Logo abaixo, há uma estrela amarela seguida da data '29/12/1962' e uma cruz amarela com a data '10/08/2026'.  Lado direito (Texto da legenda): 'É com profundo pesar que a ASFAV comunica o falecimento do senhor Ronaldo Édison Richard.  Ronaldo é mais uma vítima do 8 de Janeiro que parte enquanto aguardava que a Justiça fosse feita, sem que pudesse acompanhar o desfecho de um processo que marcou profundamente sua vida e a de sua família.  Neste momento de dor, a ASFAV manifesta sua solidariedade aos familiares e amigos de Ronaldo, compartilhando o sentimento de perda e reafirmando seu compromisso com a memória, a dignidade e a busca por Justiça para todas as vítimas do 8 de Janeiro.  Que Deus conforte seus familiares e amigos e conceda a todos força para atravessar este momento de profunda tristeza. 🥲'  Na parte inferior da legenda, lê-se '11 mil curtidas' e a data '11 de agosto'.
Imagem: Reprodução / Instagram

Também conhecido como Richard Galo, ele foi mencionado na 23ª fase da Operação Lesa Pátria e era investigado por financiar um ônibus que levou manifestantes até Brasília, tendo supostamente desembolsado R$ 22 mil.

A defesa argumentou que, pelas condições financeiras do réu, o financiamento seria impossível. No entanto, a principal hipótese da Polícia Federal era de que o réu tivesse ajudado a organizar uma arrecadação coletiva.

Richard era beneficiário do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e, até julho de 2026, recebia o total de R$ 1.621. Ele concorreu ao cargo de vereador de Santa Rosa (RS) nas eleições de 2000, 2012 e 2016, pelo PSB, e, em 2024, pelo PL.

Na última declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral, declarou um carro do modelo Fusca, ano 1975, no valor de R$ 5.000 e saldo em conta de R$ 885,72.

O caminho da apuração

Aos Fatos buscou informações sobre o julgamento de Ronaldo Richard e apurou que o processo ainda estava em curso à época de sua morte.


A reportagem também consultou bases de dados do governo que confirmam que o réu era beneficiário do BPC.

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