É falso que um dos réus do 8 de janeiro teria sido condenado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes antes de morrer, como afirmam posts nas redes sociais. À época da morte do idoso, o processo ainda estava em fase de instrução, quando as partes produzem e apresentam as provas necessárias para comprovar suas alegações.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam milhares de interações no Instagram e no Facebook nesta terça-feira (8).
Idoso cadeirante, réu do 8 de janeiro, morre aos 63 anos; recebia um salário-mínimo do BPC e foi condenado por Moraes ao ser apontado como financiador do ato
Não é verdade que um idoso réu do 8 de janeiro tenha sido condenado em decisão de Alexandre de Moraes antes de morrer. Ronaldo Edison Richard enfrentava, de fato, acusações por envolvimento nos atos, mas o processo estava em fase de instrução e ele respondia em liberdade.
Richard morreu aos 63 anos, em 10 de agosto de 2026, antes da conclusão do procedimento legal. Um perfil ligado a amigos e familiares de envolvidos no 8 de janeiro publicou, inclusive, uma nota de pesar que diz que Richard faleceu “sem que pudesse acompanhar o desfecho” de um processo que o marcou profundamente.

Também conhecido como Richard Galo, ele foi mencionado na 23ª fase da Operação Lesa Pátria e era investigado por financiar um ônibus que levou manifestantes até Brasília, tendo supostamente desembolsado R$ 22 mil.
A defesa argumentou que, pelas condições financeiras do réu, o financiamento seria impossível. No entanto, a principal hipótese da Polícia Federal era de que o réu tivesse ajudado a organizar uma arrecadação coletiva.
Richard era beneficiário do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e, até julho de 2026, recebia o total de R$ 1.621. Ele concorreu ao cargo de vereador de Santa Rosa (RS) nas eleições de 2000, 2012 e 2016, pelo PSB, e, em 2024, pelo PL.
Na última declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral, declarou um carro do modelo Fusca, ano 1975, no valor de R$ 5.000 e saldo em conta de R$ 885,72.
O caminho da apuração
Aos Fatos buscou informações sobre o julgamento de Ronaldo Richard e apurou que o processo ainda estava em curso à época de sua morte.
A reportagem também consultou bases de dados do governo que confirmam que o réu era beneficiário do BPC.





