Pensionista militar foi presa por injúria racial, não por levar coroa fúnebre para Lula

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Não é verdade que uma idosa de 77 anos foi presa nesta quarta-feira (18) por deixar uma coroa de flores em frente à casa do presidente Lula, em São Paulo. A mulher deixou a coroa fúnebre para Lula e foi detida por injúria racial após chamar de “macaco” um agente da Polícia Federal, que fazia a segurança presidencial.

Publicações nas redes com o conteúdo enganoso acumulavam 1.600 curtidas no Instagram até a tarde desta sexta-feira (20). Os posts distorcidos também foram compartilhados dezenas de vezes no Facebook e alcançaram milhares de visualizações no TikTok.

Uma idosa foi presa após levar coroa fúnebre e deixar na frente da casa do presidente Lula.

Post engana ao afirmar que idosa teria sido presa por causa

A idosa que levou uma coroa fúnebre até a casa de Lula em São Paulo, nesta quarta-feira (18), foi presa por injúria racial contra um agente da Polícia Federal, não por levar o adereço até a residência do presidente para fazer chacota com o estado de saúde dele. Posts que circulam nas redes usam uma descrição enganosa sobreposta a uma reportagem do SBT Brasil, que informa o real motivo da prisão da mulher.

Ao contrário do que alegam as publicações, a prisão da pensionista militar Maria Cristina de Araújo Rocha, 77, aconteceu porque ela se dirigiu a um dos agentes de segurança institucional dizendo: “Eu não vou fugir, seu macaco” (veja abaixo), após ser impedida de deixar o local sem esclarecimentos por agentes da PF.

O agente da PF ofendido com ataques racistas fazia a segurança da casa do presidente, no Alto de Pinheiros, em São Paulo. Maria Cristina foi presa pelo crime de injúria racial, o ato de ofender alguém em razão da sua cor, raça, etnia ou nacionalidade. A lei prevê pena de prisão de 2 a 5 anos e multa.

O presidente Lula se recupera em casa de uma cirurgia de emergência na cabeça para drenar um hematoma decorrente de uma queda em outubro deste ano. O presidente passou por novos exames e foi liberado pelos médicos para retornar a Brasília.

Maria Cristina foi encaminhada para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Além da coroa fúnebre, o veículo usado pela pensionista para chegar ao local tinha dois adesivos em que o ministro do STF Alexandre de Moraes é representado atrás das grades e com uma cruz invertida na testa.

O caminho da apuração

Aos Fatos buscou pelo vídeo original da reportagem veiculada pelo SBT Brasil e identificou que a matéria dizia o motivo real da prisão: a mulher de 77 anos foi presa por injúria racial, após chamar de “macaco” um agente da Polícia Federal que atuava na segurança em frente à casa do presidente Lula em São Paulo. Também procuramos outras notícias na imprensa para contextualizar a verificação.

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