Homem que nega existência da Covid-19 em vídeo não é diretor de hospital que se suicidou

Por Marco Faustino

13 de janeiro de 2022, 18h04

Não é Thomas Jendges, ex-diretor de um hospital na Alemanha que se suicidou em 2021, o homem que afirma em vídeo nas redes sociais que a Covid-19 não existe e que a pandemia é um plano de “ditadura mundial” (veja aqui). O autor da gravação, na realidade, é o ginecologista alemão Guido C. Hofmann, notabilizado naquele país pelas críticas e pela desinformação sobre medidas adotadas para conter o novo coronavírus.

As publicações com o conteúdo enganoso somavam ao menos 10.100 compartilhamentos nesta quinta-feira (13) no Facebook.


Selo falso

Diretor do maior hospital da Alemanha se suicidou. Ouça o que ele revelou neste vídeo antes de se suicidar.

O homem que diz no vídeo que a pandemia de Covid-19 não tem relação com vírus e seria uma tentativa de implantar uma “ditadura mundial” não é Thomas Jendges, ex-diretor de um hospital em Chenmitz, na Alemanha, que se suicidou em novembro de 2021. O registro mostra o ginecologista alemão Guido C. Hofmann, que está vivo.

O vídeo foi gravado em agosto de 2020 e compartilhado por Hofmann em seu canal no Telegram em setembro. Três meses depois, em novembro, o médico voltou a compartilhar a gravação para afirmar que ele era o autor. O ginecologista é conhecido na Alemanha por se posicionar contra medidas para conter a doença e por disseminar desinformação a respeito da pandemia.

Aos Fatos não encontrou vídeo ou publicação de Thomas Jendges com o mesmo teor que o de Hofmann. Em agosto de 2021, o hospital Chemnitz divulgou que abriria um ponto de vacinação, e o então diretor afirmou que a imunização reduz significativamente o risco de infecção e casos graves da Covid-19. Além disso, o Jendges foi uma das primeiras pessoas na unidade a receber uma dose da vacina.

Em 2 de novembro de 2021, Jendges morreu ao se jogar do telhado do hospital onde trabalhava, segundo informações obtidas pelo jornal alemão Freie Press e pela Reuters com autoridades municipais e policiais locais.

Também é falsa a alegação presente nas postagens de que a Covid-19 não é causada por um vírus, como já checado por Aos Fatos. O Ministério da Saúde e universidades, como USP (Universidade de São Paulo), Harvard e Oxford, atestam que a doença é causada pelo coronavírus Sars-CoV-2.

Esta peça de desinformação também circulou na Alemanha, nos EUA, Espanha e Bolívia, onde foi verificada por DPA, Reuters, Maldita, Newtral e Bolívia Verifica.

Referências:

1. Instagram Guido C. Hofmann
2. Site hospital Chemnitz
3. 20 Minutes
4. Freie Press
5. Reuters
6. Aos Fatos
7. Ministério da Saúde
8. Jornal da USP
9. Universidade de Harvard
10. CEBM


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Esta reportagem foi publicada de acordo com a metodologia anterior do Aos Fatos.

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