Haddad reformulou o Enem, mas exame foi criado pelo governo FHC

São enganosas as publicações que afirmam que Fernando Haddad (PT) teria criado o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) enquanto era ministro da Educação. Apesar de sua gestão, entre 2005 e 2012, ter sido marcada pela reformulação, expansão e consolidação de um novo formato da prova, transformada na principal forma de entrada em instituições federais de ensino superior, o Enem foi criado em 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Publicações com o conteúdo incorreto acumulavam centenas de compartilhamentos no Facebook e no X até a tarde desta quarta-feira (19).

O Enem não apareceu do nada. Foi criado por um dos políticos mais inteligentes do país: Fernando Haddad

A imagem tem fundo amarelo e moldura em verde nas bordas. No topo há um ícone simples de um livro aberto, também em verde. Abaixo do ícone, está escrito em letras maiúsculas verdes: ‘LEMBRANDO…’. No centro da imagem, aparece o texto em letras grandes vermelhas: ‘O ENEM NÃO APARECEU DO NADA.’ Logo abaixo, em letras azuis: ‘FOI CRIADO POR UM DOS POLÍTICOS MAIS INTELIGENTES DO PAÍS:’. Na parte inferior, em letras azul-escuro e bem grandes, está o nome ‘FERNANDO HADDAD’.

Publicações nas redes enganam ao alegar que o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teria criado o Enem enquanto atuou como ministro da Educação nos primeiros mandatos do presidente Lula (PT). Na realidade, o exame foi instituído em 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, com o objetivo de avaliar o desempenho dos concluintes do ensino médio.

É fato, porém, que foi na gestão de Haddad no Ministério da Educação que o Enem deixou de ser apenas uma avaliação de desempenho e passou por uma ampla reformulação, que o transformou na principal via de acesso ao ensino superior no Brasil.

Na época da criação da prova, o ministro da Educação era o economista Paulo Renato Souza. Na primeira edição do exame, cerca de 157 mil estudantes se inscreveram. De 1998 até 2003, a prova foi aplicada exclusivamente como avaliação diagnóstica, sem vínculo com o acesso ao ensino superior.

Em 2004, já no primeiro mandato do presidente Lula (PT) e com Tarso Genro (PT) à frente do Ministério da Educação, o governo lançou o Prouni (Programa Universidade para Todos), que concede bolsas de estudo em instituições privadas. A nota do Enem passou a ser usada como critério de seleção dos candidatos ao programa.

À frente da pasta entre 2005 e 2012, Haddad implementou mudanças estruturais que ampliaram o alcance e a função da prova, fazendo dela um instrumento central das políticas educacionais federais.

Em 2009, sob sua gestão, o MEC lançou oficialmente o novo Enem, com matriz de competências ampliada, maior número de questões e caráter seletivo. A nota passou a ser utilizada no recém-criado Sisu (Sistema de Seleção Unificada), que se baseia na pontuação dos estudantes para garantir a entrada em institutos e universidades federais.

Posteriormente, os resultados também passaram a ser adotados pelo Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).

O caminho da apuração

Aos Fatos iniciou a apuração consultando dados do Ministério da Educação e registros históricos para identificar quando o Enem foi instituído e quem ocupava a pasta naquele período. A reportagem também revisou notícias e comunicados do MEC para mapear a função original do exame e acompanhar sua evolução ao longo dos anos.

Referências

  1. Governo federal

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