É falso que hackers conseguiram invadir urnas eletrônicas em 35 ataques durante evento realizado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), como afirmam publicações nas redes sociais. As peças distorcem resultados do Teste Público de Segurança de 2025, que permite que especialistas busquem vulnerabilidades. Ao todo, 29 ataques foram executados e nenhum resultou na alteração de votos ou resultados.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 10 mil interações no Instagram e no Facebook até a tarde desta terça-feira (8).
OS MELHORES HACKERS DO BRASIL TENTARAM INVADIR UMA URNA ELETRÔNICA EM TESTE DE SEGURANÇA: FORAM 35 PLANOS DE ATAQUE DIFERENTES E A URNA FOI INVADIDA EM TODOS.

Publicações nas redes sociais mentem ao afirmar que os “melhores hackers do Brasil” invadiram urnas eletrônicas durante um teste de segurança do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Os posts também alegam que foram executados 35 planos de ataque e que todos conseguiram violar os equipamentos, mas nenhuma das afirmações procede.
As peças distorcem os resultados do Teste Público de Segurança dos Sistemas Eleitorais, etapa de fiscalização em que investigadores externos são convidados a procurar eventuais vulnerabilidades nos sistemas utilizados nas eleições. O procedimento ocorre em ambiente controlado e serve para que possíveis falhas sejam identificadas e corrigidas antes do pleito.
Na edição realizada em dezembro de 2025, foram inscritos 35 planos de ataque e 29 chegaram a ser executados. Desses, quatro produziram achados considerados relevantes pela comissão responsável. Segundo o TSE, nenhum deles permitiu alterar votos ou resultados, quebrar o sigilo da votação ou comprometer a integridade do processo eleitoral.
Nesses quatro planos que produziram achados considerados relevantes, foram identificados seis pontos de aprimoramento. Entre eles estavam falhas que permitiam visualizar pastas que deveriam estar protegidas, extrair arquivos para locais diferentes dos autorizados e provocar o travamento de um dos sistemas testados.
Também foram identificados problemas em componentes de código aberto utilizados pelo Kit JE-Connect, conjunto de sistemas inseridos em mídias, que possibilita a transmissão de dados obtidos na urna eletrônica a partir de computadores. Com o mecanismo, os resultados podem ser enviados dos próprios locais de votação por meio desses equipamentos por uma VPN (Rede Virtual Privada).
Após o teste, o TSE corrigiu os problemas identificados. Entre as mudanças, o tribunal atualizou ou retirou componentes vulneráveis, reforçou mecanismos de validação e controle de acesso e solucionou a falha que poderia provocar o travamento do Kit JE-Connect.
As correções passaram por uma nova verificação entre 13 e 15 de maio de 2026, durante o chamado Teste de Confirmação. Os próprios investigadores que haviam identificado os problemas repetiram os procedimentos usados anteriormente e constataram que as vulnerabilidades haviam sido corrigidas.
Também é enganoso interpretar os achados como uma “invasão” das urnas. O objetivo do teste é justamente submeter os sistemas eleitorais a tentativas de ataque para identificar pontos que possam ser aperfeiçoados. Os pesquisadores trabalham com acesso e condições previamente estabelecidos pelo tribunal, diferentes daqueles disponíveis durante uma eleição real.
Como funciona. Realizado pelo TSE desde 2009, o Teste Público de Segurança integra os mecanismos de fiscalização das urnas eletrônicas. Especialistas externos podem elaborar e executar planos para tentar explorar vulnerabilidades nos sistemas eleitorais, e os problemas eventualmente encontrados são analisados pelo tribunal e submetidos a correções e novos testes.
O TSE disponibiliza publicamente os relatórios das diferentes edições do Teste Público de Segurança, assim como informações sobre as demais oportunidades de fiscalização do sistema eletrônico de votação.
A iniciativa é apenas uma das etapas de fiscalização das urnas eletrônicas, utilizadas no Brasil desde 1996. O sistema passa por procedimentos de auditoria e verificação antes, durante e depois das eleições.
Esta peça de desinformação também foi checada pela Lupa e pelo Fato ou Fake.
O caminho da apuração
Aos Fatos entrou em contato com o TSE, que confirmou que a declaração era falsa e explicou o contexto do teste de segurança realizado em 2025.
A reportagem também consultou os resultados do Teste Público de Segurança dos Sistemas Eleitorais de 2025 e os relatórios divulgados pelo TSE.





