Governo não retém 27,5% de imposto em vendas por cartão de crédito

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Não é verdade que o governo federal retém 27,5% de imposto em vendas feitas no cartão de crédito, como alega um vídeo nas redes. O Ministério da Fazenda e a Receita Federal afirmam que não há hoje cobrança de tributos sobre movimentações com cartões ou Pix. O percentual citado nas postagens é equivalente ao da alíquota máxima do Imposto de Renda da Pessoa Física, que não incide sobre transações financeiras.

Posts com o vídeo enganoso acumulavam 230 mil visualizações no TikTok até a tarde desta segunda-feira (8). As peças também circularam no WhatsApp, plataforma em que não é possível medir o alcance.

Acorda Brasileiro Governo retendo na fonte 27.5% imposto na fonte no Cartão de crédito

A imagem mostra um celular sendo segurado por uma mão, inclinado na diagonal. Na tela está aberto o aplicativo do Nubank Empresas com interface em tons de roxo e fundo escuro. Na parte superior da imagem há um bloco de texto em fundo branco com letras pretas distribuídas em várias linhas, dizendo: ‘Acorda Brasileiro Governo retendo na fonte 27.5% imposto na fonte no Cartão de crédito’. Na tela do celular aparece o nome da conta ‘Conta Nu Empresas’ e o saldo de ‘R$ 3.737,58’. Abaixo há opções como ‘Área Pix e Transferir’, ‘Cobrar Tap to Pay”, ‘Cobrar com link’, ‘Caixinhas PJ’ e outras funções do aplicativo. Também é possível ver uma barra de busca com o texto ‘Retornar ao atendimento’ e diversos ícones na parte superior da interface. O fundo ao redor do celular está desfocado em tons claros de bege e marrom.

Um vídeo viral nas redes engana ao dizer que o governo federal passou a reter 27,5% de imposto sobre vendas realizadas com cartão de crédito.

A Receita Federal disse ao Aos Fatos que não existe tributação em transações e que a Constituição Federal proíbe tributos sobre movimentações financeiras.

Um imposto do tipo só poderia ser criado por meio de emenda constitucional, como foi o caso da antiga CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), mas isso não aconteceu.

O Ministério da Fazenda também desmentiu a alegação. “Não existe cobrança de imposto da Receita Federal sobre gastos pagos com cartão de crédito, cartão de débito ou Pix”, afirmou a pasta em nota.

O percentual citado nas peças desinformativas refere-se à alíquota máxima do Imposto de Renda da Pessoa Física, que incide apenas sobre rendimentos — como salários ou aposentadorias, por exemplo —, não sobre movimentações bancárias.

No vídeo, um homem exibe na tela do celular uma conta empresarial com saldo de R$ 3.737,58. Segundo ele, esse seria o valor efetivamente recebido após uma venda de R$ 5.621,14 por meio do Tap to Pay, tecnologia de pagamentos por aproximação.

Os ​detalhes da transação mostram o desconto de ​R$ 621,14 da taxa de transação do banco, o valor a receber de R$ 5.000 e a informação de que o pagamento foi liberado em 13 de maio de 2026.

O autor do vídeo afirma, então, que a diferença entre o valor a receber e o saldo exibido seria resultado de uma retenção de 27,5% de um suposto imposto federal. No entanto, nem mesmo os números apresentados por ele confirmam essa alegação.

A diferença entre o valor a ser recebido e o saldo é de R$ 1.262,42, o que equivale a 25,2% do total. Caso uma retenção de 27,5% realmente tivesse sido aplicada, o desconto seria de R$ 1.375, restando R$ 3.625 — R$ 112,58 a menos do que o exibido na gravação.

Se o valor citado no vídeo fosse tributado pelo Imposto de Renda, o desconto seria menor do que alegado na peça de desinformação, por causa das deduções, como mostra a calculadora da Receita Federal.

Além disso, não é possível concluir, apenas com as imagens do vídeo, que o saldo mostrado tenha relação direta com a transação apresentada. A gravação não permite verificar ainda se houve outras movimentações na conta, cobranças adicionais do banco ou qualquer outro fator que explique a diferença entre os valores.

Esta não é a primeira vez que Aos Fatos desmente conteúdos falsos sobre a suposta criação de um imposto de 27,5% sobre movimentações financeiras. Em dezembro de 2025, uma desinformação semelhante viralizou nas redes ao afirmar que a Receita Federal passaria a cobrar a taxa sobre transações acima de R$ 5.000 via Pix.

Esta peça de desinformação também foi checada pela Reuters.

O caminho da apuração

Aos Fatos analisou o vídeo compartilhado nas redes sociais e verificou inconsistências entre os valores exibidos na transação e no saldo da conta mostrada e a afirmação feita sobre o imposto cobrado na fonte.

A Receita Federal e o Ministério da Fazenda foram procurados e negaram a existência de retenção de 27,5% sobre vendas realizadas por cartão de crédito.

O Nubank e a Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência também foram acionados por Aos Fatos, mas não responderam até a publicação da checagem, na tarde desta segunda-feira (8).

Por fim, Aos Fatos consultou informações sobre a legislação tributária brasileira para verificar a possibilidade de cobrança sobre movimentações financeiras por parte do governo federal.

Referências

  1. Receita Federal (1 e 2)
  2. Casa Civil da Presidência da República
  3. Aos Fatos (1 e 2)

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