É falso que o governo federal tenha orientado jovens a se alistar no Exército por conta do conflito entre EUA, Israel e Irã. Não há nenhum posicionamento público semelhante do Executivo. As peças de desinformação também ignoram que, por lei, o alistamento ocorre sempre entre 1º de janeiro e 30 de junho e é obrigatório a cidadãos de 18 anos do sexo masculino.
As publicações enganosas acumulavam 85 mil curtidas no Instagram e 3.500 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta sexta-feira (6).
Devido às tensões no Oriente Médio, governo brasileiro pede que jovens que completam 18 anos em 2026 devem se alistar imediatamente.

Não é verdade que o governo federal solicitou que jovens que completam 18 anos em 2026 se alistem no Exército por causa do conflito no Oriente Médio. Não há nenhuma nota oficial ou pronunciamento do presidente Lula (PT) ou do ministro da Defesa, José Múcio, nessa linha.
As peças de desinformação ignoram que o alistamento é obrigatório e deve ser seguido de acordo com a Lei do Serviço Militar (lei nº 4.375/1964) e o decreto nº 57.654/1966. Os textos determinam que:
- Todo cidadão do sexo masculino deve se alistar no ano em que completa 18 anos;
- A apresentação obrigatória deve ser feita “dentro dos primeiros seis meses do ano”;
- Caso o jovem não apareça, ele será multado e considerado em débito com o Exército — o que impede, por exemplo, a emissão de passaporte ou a posse em cargo público;
- Jovens de 16 e 17 anos também podem se alistar de maneira voluntária.
Isso significa que, pela lei, o período de alistamento sempre acontece entre 1º de janeiro e 30 de junho. Essas datas, portanto, não têm nenhuma relação com o conflito entre EUA, Israel e Irã, que se intensificou no final de fevereiro.
Diversas peças de desinformação que circulam nas redes sugerem que o Brasil poderia estar se preparando para entrar no conflito (veja aqui e aqui). Contudo, não há, até o momento, nenhuma movimentação que indique isso.
O próprio Lula, inclusive, disse na quarta (4), em conferência da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), que os líderes mundiais deveriam buscar o caminho da paz e parar de ampliar os gastos com armamentos.
O caminho da apuração
Aos Fatos buscou notas e posicionamentos do governo federal referentes ao alistamento militar, mas não encontrou nada relacionado ao conflito no Oriente Médio.
Também consultamos a legislação militar para explicar as regras do alistamento obrigatório.





