Ao contrário do que afirmam posts nas redes, o governo Lula não teve participação na recente venda de minas brasileiras de níquel para a para a MMG, subsidiária da estatal chinesa China Minmetals. A negociação foi feita pela Anglo American, conglomerado britânico privado que não tem participação societária da União.
As peças de desinformação acumulavam 700 mil visualizações no YouTube, centenas de compartilhamentos no Facebook e centenas de curtidas no Instagram até a tarde desta quinta-feira (28).
Governo Lula está vendendo o Brasil [minas de níquel brasileiras] para a China

Publicações nas redes têm tirado de contexto uma reportagem do Poder360 para fazer crer que o governo Lula teria envolvimento na recente venda de minas de níquel brasileiras para a China. O que ocorreu, na realidade, foi uma venda privada de ativos de níquel do conglomerado britânico Anglo American para a MMG, subsidiária australiana da estatal chinesa China Minmetals.
Em nota, o Ministério de Minas e Energia informou que o governo não participou das negociações entre a Anglo American e a China Minmetals, e que a União não tem participação acionária no conglomerado britânico, o que foi confirmado pelo Aos Fatos.
A transação inclui a transferência para a MMG dos complexos mineradores nas cidades de Barro Alto e Niquelândia, em Goiás, além de projetos de exploração no Pará e no Mato Grosso pelo valor de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões, pela cotação atual).
A operação em Niquelândia, denominada Codemin, é a mais antiga da Anglo American no Brasil e está em funcionamento desde 1982. Já a operação em Barro Alto foi iniciada em 2011.
A venda dos ativos de níquel da Anglo American foi questionada pela Corex Holding, ligada ao grupo turco Yildirim e sediada na Holanda. A empresa afirmou ter oferecido US$ 900 milhões pelos ativos — 80% a mais que a MMG. Segundo a Corex Holding, com a venda, a MMG controlaria 30% do mercado brasileiro de níquel e empresas chinesas seriam responsáveis por até 60% do fornecimento mundial do insumo.
As indagações foram feitas ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que investiga a venda, ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e à Comissão Europeia.
Em notas à imprensa, a Anglo American disse que a venda segue sua estratégia de concentrar negócios em cobre, minério de ferro e nutrientes agrícolas. Já a MMG afirmou que cumprirá todas as exigências regulatórias e que o acordo “representa uma grande realização para empregados, comunidades locais e acionistas”.
Procuradas pelo Aos Fatos, a Anglo American e a MMG não retornaram até a publicação desta checagem.
Alteração. Inicialmente, o título da matéria publicada pelo Poder360 era “Brasil vende minas à China apesar de oferta mais alta”, como aparece no print compartilhado pelas peças de desinformação. O título foi, no entanto, alterado posteriormente para “Anglo American vende minas de níquel no Brasil à China, apesar de proposta maior”.
O caminho da apuração
Aos Fatos entrou em contato com a Secom da Presidência da República e o Ministério de Minas e Energia, que desmentiram o boato. Contextualizamos a checagem com informações sobre a venda dos ativos de níquel da Anglo American para a MMG, subsidiária da estatal chinesa China Minmetals, assim como consultamos a composição societária das empresas envolvidas.




