Governo Lula não tem relação com início das operações da chinesa UnionPay no Brasil

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Não é verdade que a bandeira chinesa de cartões de crédito UnionPay começará a operar no Brasil por iniciativa do governo Lula (PT). As peças de desinformação, que alegam que o objetivo da gestão petista é “entregar o sistema bancário para Pequim”, omitem que a operação da UnionPay no país ocorrerá por meio de uma parceria privada que, segundo especialistas, não representa uma ameaça à soberania do país.

As peças enganosas somavam 1.200 compartilhamentos no Facebook e 32 mil visualizações no TikTok até a tarde desta quarta-feira (6).

Você sabia que o Brasil está sendo vendido e completamente entregue para a ditadura chinesa? Olha só esse absurdo. Sob o pretexto de soberania financeira e multipolaridade, o governo Lula está rompendo com o Ocidente e entregando o sistema bancário brasileiro para Pequim. Sim, é isso mesmo. A entrada da UnionPay no Brasil não é inovação, é dominação.

Frame de vídeo que mostra o presidente Lula — homem branco, de cabelo e barba grisalha que aparece usando um terno cinza, camisa social branca e gravata cinza — ao lado do presidente da China, Xi Jinping — homem branco com traços orientais e cabelo preto, que aparece usando um terno azul marinho, camisa social branca e gravata azul. Ambos aparecem segurando pastas contendo a assinatura de acordos comerciais entre seus países. Na parte inferior da imagem, aparece o logotipo da UnionPay, com caracteres chineses. Legenda sobreposta à imagem diz: ‘Denúncia Grave. Brasil vendendo o sistema financeiro para o regime comunista chinês’

Posts nas redes mentem ao afirmar que o governo Lula é o responsável pela chegada da UnionPay ao Brasil. O início das operações da empresa chinesa em território nacional está sendo viabilizado pela fintech brasileira Left, instituição privada que não tem nenhuma relação com o poder público. A empresa será responsável pela emissão dos cartões e pela integração da UnionPay a bancos e sistemas de pagamento.

Cartões internacionais da UnionPay já são aceitos em estabelecimentos comerciais no Brasil, desde que tenham máquinas das financeiras Rede e Stone. Também é possível usar os cartões para sacar dinheiro em caixas eletrônicos do Banco Itaú e da rede Saque e Pague.

A instituição financeira também opera em outros países, como os Estados Unidos. Segundo a empresa, mais de 80% das lojas americanas aceitam pagamento em cartões de crédito e débito da marca.

Algumas publicações enganosas fazem crer que a operadora estaria vindo para o país após uma parceria com o Banco Master, o que foi negado pela instituição financeira. Aos Fatos tentou contato com a Left e a UnionPay, mas não obteve retorno.

Soberania. Especialistas consultados pelo Aos Fatos descartaram que a vinda da UnionPay representa o controle da China sobre o sistema financeiro brasileiro.

“Toda e qualquer empresa de cartões, independentemente do país de origem, que deseja atuar no mercado brasileiro, precisa se associar a uma empresa brasileira, ter CNPJ e estar sujeita a todas as regras jurídicas do Brasil”, explica Carla Beni, professora de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e conselheira do Corecon (Conselho Regional de Economia) de São Paulo.

Para atuar no país, a UnionPay precisa ter autorização do Banco Central, que fiscaliza as operadoras e pode sancioná-las em caso de irregularidades. A empresa chinesa ainda não aparece na lista das empresas autorizadas.

“A UnionPay não representa qualquer ameaça à soberania econômica nacional nem permite à China controlar as transações dos brasileiros. No Brasil, a empresa será submetida à fiscalização do Banco Central, à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e às regras do Sistema de Pagamentos Brasileiro”, diz Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Internacional Empresarial.

O caminho da apuração

Aos Fatos entrou em contato com a Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência da República, com a UnionPay, a Left e o Banco Master e consultou notícias publicadas na imprensa sobre a chegada da empresa chinesa. Também entrevistamos especialistas em economia e direito empresarial para contextualizar a atuação do grupo no país.

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