Governo Lula não tem relação com absolvição de Marcola e de outros 174 membros do PCC

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Não é verdade que o governo Lula soltou Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC (Primeiro Comando da Capital), nem que ordenou a libertação de outros 174 membros da facção criminosa. A Justiça de São Paulo absolveu os denunciados no processo conhecido como “o caso dos 175 réus” por conta do prazo de tramitação, que expirou. Ou seja: não há qualquer relação com a administração federal.

O conteúdo enganoso acumulava ao menos mil compartilhamentos no X e outras centenas no Facebook até a tarde desta quinta-feira (11).

REGIME LULISTA SOLTA 174 MEMBROS DO PCC. MAIOR INVESTIGAÇÃO DA HISTÓRIA DO PCC PRESCREVE APÓS 12 ANOS E MARCOLA É ABSOLVIDO COM OUTROS 174 RÉUS

A imagem mostra um cartaz digital com a palavra ‘URGENTE!’ escrita em letras muito grandes e amarelas no topo. Abaixo, há uma faixa branca com ícones de sirene vermelha dos dois lados e o texto ‘REGIME LULISTA SOLTA 174 MEMBROS DO PCC’ em letras pretas. Na parte inferior, aparece outro texto em branco, em fonte menor, dizendo: ‘GRAVÍSSIMO: MAIOR INVESTIGAÇÃO DA HISTÓRIA DO PCC PRESCREVE APÓS 12 ANOS E MARCOLA É ABSOLVIDO COM OUTROS 174 RÉUS, DIZ METRÓPOLES’. Ao fundo, aparece a foto de um homem vestindo camiseta branca, com outras imagens desfocadas atrás dele.

Publicações enganam ao afirmar que Marcola e outros 174 integrantes do PCC teriam sido soltos por determinação do governo Lula. As peças se baseiam em uma notícia verdadeira — a absolvição do líder da facção e de outros denunciados após a prescrição do maior processo já movido contra o grupo criminoso em São Paulo —, mas fazem uma associação falsa com o governo federal.

A absolvição foi determinada pela Justiça de São Paulo. No início deste mês, o juiz Gabriel Medeiros decidiu que, devido ao tempo decorrido desde o início da ação, não havia mais possibilidade de punição para os 175 denunciados no processo – 15 tiveram a denúncia recusada anteriormente e 160 eram réus, entre eles Marcola.

De acordo com a decisão, o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) apresentou em 2013 a denúncia contra os réus por associação criminosa. Como o processo praticamente não avançou desde então, a Justiça reconheceu a prescrição do caso e, consequentemente, das penas.

O prazo para prescrição começou a ser contado em 28 de setembro daquele ano, com término previsto para o mesmo dia em 2025.

Embora tenha sido absolvido nesse caso específico, Marcola permanece preso na Penitenciária Federal de Brasília — uma unidade de segurança máxima — por condenações em outros processos, e não tem previsão de saída.

A imagem mostra uma cerca de arame farpado sustentada por postes de concreto alinhados, ocupando a parte frontal da cena. Preso à cerca há um pequeno aviso retangular vermelho com a palavra ‘ATENÇÃO’ em branco e, abaixo, o texto ‘ÁREA DE SEGURANÇA MANTENHA-SE AFASTADO’. Ao fundo, desfocadas, aparecem construções de cor alaranjada e cinza, incluindo uma torre retangular que se destaca acima das demais estruturas. O céu é claro e ocupa a parte superior da imagem.
Apesar de ter sido absolvido no processo, Marcola segue preso em Brasília por outras condenações (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Caso original. A absolvição encerra uma ação penal que, à época de sua apresentação, foi classificada por promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) como “o maior mapeamento já produzido sobre o crime organizado no Brasil”.

A denúncia reunia um panorama detalhado da estrutura do PCC: linhas de comando, rotas de armas e drogas, fornecedores estrangeiros, planos de homicídios e resgates, além de estimativas de faturamento que chegavam a cerca de R$ 10 milhões por mês.

O processo foi considerado pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) como a maior ação penal contra a facção criminosa da história.

Contudo, apesar do volume de provas e da complexidade do material, o processo nunca chegou à fase de julgamento. Liminares, recursos sucessivos, desmembramentos e disputas processuais fizeram com que a ação se arrastasse por mais de dez anos.

Assim, quando o mérito foi analisado em 2025, todos os prazos legais para eventual punição já estavam prescritos. A decisão, portanto, não decorre de qualquer interferência do governo Lula, ao contrário do que afirmam as postagens enganosas.

O caminho da apuração

Aos Fatos buscou informações sobre o processo de absolvição de Marcola e outros 174 membros do PCC na imprensa e na Justiça de São Paulo, responsável pelo caso.

A reportagem também buscou informações no Ministério Público de São Paulo sobre a denúncia original, apresentada em 2013, e revisou reportagens e registros públicos sobre o andamento do processo ao longo dos anos.

Por fim, confirmou que Marcola permanece preso na Penitenciária Federal de Brasília por outras condenações.

Referências

  1. CNN Brasil
  2. TJ-DF
  3. Metrópoles (1 e 2)
  4. Uol

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