Não é verdade que o governo de Lula decidiu pagar indenizações e pensões vitalícias às famílias dos mortos na megaoperação ocorrida no Rio de Janeiro no fim de outubro como uma forma de compensação pelo “dano causado pela polícia”. Publicações compartilham uma notícia falsa que imita a identidade visual do portal g1. O MDHC (Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania) negou as alegações.
Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam centenas de curtidas e comentários no Instagram e no Facebook até a tarde desta segunda-feira (10).
Presidente Lula garante as famílias dos mortos do morro do Alemão e Penha uma indenização e pensão vitalícia para compensar o dano causado pela polícia.

Publicações mentem ao alegar que o governo Lula teria garantido indenização e pensão vitalícias às famílias dos mortos na megaoperação realizada no Rio de Janeiro em 28 de outubro. A ação policial, considerada a mais letal da história do país, deixou 121 mortos.
A peça desinformativa reproduz a identidade visual do g1, mas contém erros gramaticais e de formato: o título e subtítulo da suposta reportagem, por exemplo, são bem mais longos do que os normalmente usados pelo portal.
Em nota, o veículo desmentiu a autoria do texto. Em busca no site pelos termos da manchete, também não foram encontrados resultados. A publicação apócrifa circula apenas em redes sociais e grupos de WhatsApp, sem link ou autoria identificável.
Na última quarta-feira (5), o MDHC publicou uma nota afirmando que a informação era falsa e reforçando que a visita da ministra Macaé Evaristo ao local em que houve a operação teve como objetivo o acolhimento às comunidades afetadas e a discussão sobre a retomada imediata de serviços públicos:
“A presença da equipe federal no território atendeu à necessidade de dialogar diretamente com as comunidades e contribuir para a retomada do funcionamento regular de serviços e a garantia de direitos. O MDHC reitera que não fez nenhum anúncio de ajuda financeira às famílias”.
A origem. O boato começou a circular a partir de uma coluna publicada pelo portal Metrópoles na última terça-feira (4). O texto alegava que o governo Lula discutia uma possível assistência a familiares dos mortos na operação, proposta que seria defendida pela ministra Macaé Evaristo.
A própria reportagem, no entanto, ressaltava que o Planalto tratava o tema com cautela e que, “diante do impasse, o mais provável, hoje, é que a União não forneça assistência às famílias”.
Segundo a coluna, a apuração se baseou em informações de servidores do Ministério dos Direitos Humanos. Não havia qualquer menção a indenizações ou pensões, nem aos valores que supostamente seriam direcionados à ação.
Horas após a publicação, políticos e perfis de oposição começaram a compartilhar o título da matéria do Metrópoles de forma isolada, sugerindo que o governo Lula planejava criar o que chamaram de “bolsa facção” ou “bolsa quadrilha”, sem mencionar os trechos que mostravam a falta de consenso dentro do governo.
Alguns desses posts chegaram a afirmar que o benefício já havia sido criado. Outros repetiam alegações já desmentidas pelo Aos Fatos, como a de que Lula teria negado um pedido de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) feito pelo governador Cláudio Castro (PL-RJ). Castro nunca formalizou o pedido e afirmou não ver sentido na ideia.
Em paralelo, também já circulava nas redes o print desinformativo que imitava o layout do g1.

No dia seguinte, quarta-feira (5), o MDHC negou as informações. A coluna do Metrópoles anexou a nota, mas afirmou que mantinha as alegações publicadas e que o texto havia sido feito “com base em informações de servidores do Ministério dos Direitos Humanos que atuam diretamente com a ministra Macaé Evaristo”.
O caminho da apuração
Aos Fatos verificou que não há nenhuma reportagem com esse conteúdo no portal g1. Também localizamos notas oficiais do próprio jornal e do Ministério dos Direitos Humanos desmentindo a alegação. Além disso, utilizamos informações da imprensa e do governo para contextualizar a checagem.




