Não é verdade que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) gravaram vídeos pedindo doações a apoiadores para ajudar a custear o processo do pai, Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado. As gravações foram manipuladas por IA (inteligência artificial) para aplicar golpes financeiros em apoiadores do ex-presidente.
Publicações com o conteúdo artificial acumulavam 1.800 compartilhamentos no Facebook e alcançaram cerca de 280 mil visualizações como anúncios pagos na plataforma da Meta até a tarde desta sexta-feira (28).
O nosso capitão acaba de ser preso, e nós, como cidadãos brasileiros, devemos nos unir mais do que nunca. Nesse exato momento, abrimos uma ação para ajudá-lo a custear todos os processos necessários, nesse momento tão difícil e desesperador [...] Como forma de agradecimento, estaremos enviando um kit com uma camisa, um boné e uma garrafa. Não importa o valor, apenas faça de coração.

Golpistas têm compartilhado vídeos manipulados por IA que mostram Flávio e Eduardo Bolsonaro supostamente pedindo doações para ajudar a custear o processo do pai. As duas gravações, que foram impulsionadas como anúncios pagos nas plataformas da Meta, direcionam a uma página de pagamento — agora fora do ar — para roubar o dinheiro de apoiadores do ex-presidente.
Aos Fatos identificou indícios de que o áudio e o vídeo das gravações foram falsificados para aplicar golpes financeiros:
- Flávio e Eduardo dizem exatamente as mesmas frases ao longo dos quase 40 segundos de vídeo;
- O tom de voz de ambos possui aspecto artificial;
- As palavras são pronunciadas de forma pausada e pouco natural;
- Os lábios dos políticos apresentam movimentos incomuns.

Por meio de uma busca reversa, Aos Fatos encontrou os registros originais das duas publicações, feitas no Instagram. Tanto Flávio quanto Eduardo postaram os vídeos em suas contas no último sábado (22), data em que Bolsonaro foi preso preventivamente. Em nenhuma das duas gravações, os parlamentares pedem doações para o pai.
Em sua publicação, Flávio afirma que a prisão de Bolsonaro aconteceu na tentativa de calá-lo por representar uma outra visão do país (veja abaixo).
Já Eduardo declarou na gravação que iria trabalhar para pautar a anistia no Congresso Nacional (veja abaixo).
Em busca nas redes e na imprensa, Aos Fatos não encontrou nenhum registro de que os filhos de Bolsonaro estariam promovendo uma campanha de arrecadação para custear o processo por golpe de Estado, tampouco que teriam prometido o envio de brindes personalizados — como camisetas, bonés e garrafas — a apoiadores.
Vídeo de apoiador manipulado por IA. Um terceiro vídeo golpista que trata sobre o mesmo tema compartilha a imagem do produtor rural gaúcho Fábio Eckert.
Uma busca reversa de imagem feita pela reportagem encontrou no Instagram o registro original, postado pelo produtor rural no dia 5 de setembro.
As cenas foram registradas no pátio do Parque Assis Brasil, em Esteio (RS), durante a abertura da Expointer 2025. Na ocasião, ministros do governo Lula (PT) e o governador Eduardo Leite (PSDB-RS) foram vaiados pelos presentes enquanto discursavam, com apelos pela securitização de dívidas do agro.
Apesar de Eckert demonstrar nas redes apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em nenhum momento da gravação o agricultor pede dinheiro para ajudar a pagar o processo do político. Ele apenas convoca outros produtores rurais a participarem do protesto (veja abaixo).
O caminho da apuração
Aos Fatos analisou as gravações virais do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do agricultor Fábio Eckert e constatou indícios de manipulação por inteligência artificial.
A reportagem também realizou uma busca reversa de imagem e verificou que os registros originais das gravações de Flávio e Eduardo foram publicados no último sábado (22), enquanto a gravação de Eckert foi postada no dia 5 de setembro. Identificamos, então, que em nenhum momento os parlamentares e o produtor rural pedem doações para custear o processo de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.




