Golpes virtuais crescem 65% com brasileiros passando mais tempo na internet

Compartilhe

Impulsionados pela pandemia de Covid-19 e pela migração cotidiana para o mundo virtual, os golpes aplicados pela internet cresceram 65,2% no ano passado. De acordo com os dados coletados a partir de boletins de ocorrência e divulgados nesta quinta-feira (20) na nova edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os casos de estelionato virtual passaram de 120.470 em 2021 para 200.322 no ano passado. As dificuldades encontradas pela polícia para conter esse tipo de crime são apontadas como um dos motivos para o aumento no número de casos.

O anuário aponta, no entanto, que os dados podem ser ainda maiores, já que seis estados — entre eles, Rio de Janeiro e São Paulo — não especificaram os crimes cometidos pela internet ao informar os dados gerais de estelionato. A prática desse crime de forma geral também cresceu: na comparação com 2021, houve 37,9% mais casos no ano passado.

Classifica-se como estelionato o crime de obter “vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro”, mediante “meio fraudulento”. Em 2021, o artigo 171 do Código Penal foi ampliado para tipificar especificamente o crime de fraude eletrônica, que é o golpe que usa informações fornecidas pela vítima após ser induzida a erro por meio de redes sociais, telefone ou email.

A disseminação massiva dos golpes e de outras infrações praticadas pela internet já foi abordada pelo Aos Fatos em uma série de reportagens:

  • Entre outubro e novembro de 2019, foram desmentidas seis publicações fraudulentas que prometiam vagas de emprego com o objetivo de roubar dados de usuários;
  • Também foram desmentidas diversas publicações que promoviam suplementos alimentares com a falsa promessa de curar problemas de visão ou até diabetes;
  • Em junho de 2022, o Aos Fatos revelou um esquema de venda de falsos emagrecedores, divulgados a partir de peças de desinformação que editavam vídeos para sugerir o apoio de celebridades aos produtos;
  • Motivados pelo pedido de recuperação judicial das Lojas Americanas, golpistas difundiram em janeiro de 2023 uma falsa promoção de copos térmicos vendidos pela rede varejista;
  • O Aos Fatos também revelou neste ano que golpistas usavam perfis falsos, posts patrocinados e páginas que imitavam a identidade visual da Meta para enganar usuários que buscavam obter selos de verificação no Facebook e no Instagram;
  • No Facebook, no Instagram e no YouTube, usuários têm oferecido ainda cursos e perfis falsos que auxiliam golpistas a vender produtos fraudulentos;
  • Reportagem recente também mostrou que plataformas de pagamento têm atuado como intermediárias de esquemas fraudulentos ao permitirem que golpistas encontrem interessados em divulgar produtos enganosos nas redes em troca de percentuais dos valores pagos pelas vítimas.
Leia mais
Manuais Saiba como não cair em golpes nas redes sociais
Manuais Saiba como não cair em golpes com o Pix

Ao longo dos anos, o Aos Fatos também publicou guias que buscam ajudar usuários a se esquivarem de golpes virtuais:

  • Reportagem publicada em 2019 citava alguns dos principais esquemas fraudulentos e dava dicas de como denunciar conteúdos enganosos e navegar com segurança nas redes;
  • No ano seguinte, foi publicado um guia de como evitar golpes praticados pelo WhatsApp;
  • Com a popularização do Pix — e, consequentemente, a disseminação de práticas golpistas — o Aos Fatos produziu um guia sobre como usar o método de pagamento de forma segura e evitar esquemas fraudulentos.

Compartilhe

Leia também

falsoVídeo é editado para fazer crer que família Bolsonaro apoia pré-candidatura de Pablo Marçal

Vídeo é editado para fazer crer que família Bolsonaro apoia pré-candidatura de Pablo Marçal

falsoPosts usam foto de outra pessoa para sugerir que autor de atentado contra Trump era trans

Posts usam foto de outra pessoa para sugerir que autor de atentado contra Trump era trans

Pré-candidato, Marçal oferece prêmio a seguidores e especialistas veem infração eleitoral

Pré-candidato, Marçal oferece prêmio a seguidores e especialistas veem infração eleitoral