A largada oficial do Carnaval é nesta sexta-feira, mas a folia já está na rua em muitas cidades do Brasil. As festas e blocos de rua, que devem reunir cerca de 53 milhões de pessoas e movimentar R$ 12 bilhões neste ano, também atraem criminosos que se aproveitam da distração das vítimas para aplicar golpes financeiros.
Aos Fatos consultou especialistas para explicar quais são os principais golpes aplicados durante o Carnaval, como evitá-los e o que fazer caso se torne vítima.
- Golpe dos sites falsos
- Golpe do falso atendente
- Golpe do Pix
- Golpes da maquininha e da troca de cartão
- Golpe do pagamento por aproximação
- Golpe da Wi-Fi
- Golpe dos totens de carregamento
- Caí num golpe, e agora?
1. Golpe dos sites falsos
Em datas festivas como o Carnaval, é comum que criminosos criem sites falsos, que imitam páginas oficiais de festas, camarotes e até agências de turismo. Nesses casos, além de ter o dinheiro roubado, o consumidor acaba cedendo dados pessoais e de cartões de crédito.
Em um caso recente, golpistas adulteraram um vídeo da atriz Paolla Oliveira com o uso de IA (inteligência artificial) para vender falsas entradas para um camarote no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. O vídeo enganoso prometia 50% de desconto nas entradas e serviu de isca para redirecionar os usuários a um perfil falso nas redes sociais.

Como evitar:
- Desconfie de sites ou contas nas redes que vendem produtos ou serviços com valores muito inferiores aos praticados no mercado;
- Pesquise pela reputação e pelas contas oficiais da empresa com a qual deseja fazer negócio;
- Faça uma pesquisa na internet e verifique se há notícias de que criminosos estejam usando o nome da empresa para aplicar golpes.
2. Golpe do falso atendente
Aproveitando o fato de que os foliões geralmente fazem inúmeras pequenas transações durante a festa e nem sempre se lembram da quantidade de vezes que usaram o cartão de crédito, criminosos também podem se passar por atendentes de instituições financeiras para roubar dados pessoais e financeiros pelo telefone.
Como evitar:
- Nunca forneça dados pessoais, senhas ou quaisquer outros números atrelados a cartões de crédito pelo telefone;
- Também não forneça dados por mensagens de texto nem ligue para números enviados por esse meio;
- Na dúvida, entre em contato diretamente com a instituição financeira pelos canais de atendimento oficiais.
3. Golpe do Pix
Nessa modalidade, golpistas tentam se passar por ambulantes e alteram o valor de uma compra antes do QR Code de pagamento ser exibido.
Como evitar:
- Preste atenção ao preço cobrado pelo produto antes de confirmar a transferência;
- Segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), o folião também pode pedir o comprovante impresso da transação ou verificar se o valor está correto nas mensagens que recebe pelo aplicativo do banco.
“O consumidor também pode estabelecer limites por transação diretamente no aplicativo do banco ou instituição financeira onde possui conta”, sugeriu ao Aos Fatos o advogado e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) São Paulo, Thiago Amaral, especialista em Direito Comercial.

4. Golpes da maquininha e da troca de cartão
Durante pagamentos com cartão de crédito, criminosos que se passam por ambulantes podem se aproveitar de distrações para induzir foliões a digitarem a senha no campo onde é inserido o valor da compra, principalmente se a tela do equipamento estiver quebrada ou apagada.
Os golpistas também podem substituir o cartão do consumidor por outro semelhante após a cobrança na maquininha.
Como evitar:
- Tenha atenção em todos os passos feitos durante o pagamento de compras. O campo de senha, por exemplo, deve mostrar apenas asteriscos;
- Outra orientação é manter o cartão em mãos durante todo o processo de pagamento e não entregá-lo a nenhum vendedor.
5. Golpe do pagamento por aproximação
Criminosos também podem se aproveitar de aglomerações para capturar sinais de cartões e realizar débitos indevidos.
Como evitar:
- Desative temporariamente o pagamento por aproximação, o que pode ser feito em aplicativos bancários ou entrando em contato direto com os bancos;
- Caso queira continuar usando essa tecnologia no Carnaval, cadastre o cartão na carteira digital de seu celular para que os pagamentos sejam submetidos a mecanismos de segurança dos próprios aparelhos, como a senha biométrica;

6. Golpe da wi-fi
O consumidor também fica suscetível a golpes quando se conecta a falsas redes abertas de Wi-Fi. Com o aparelho conectado à rede, é possível espionar a navegação do celular e interceptar informações e senhas.
Como evitar:
- Apenas conecte o celular a redes oficiais, protegidas e confiáveis;
- Evite também acessar aplicativos de bancos em redes públicas de internet.
7. Golpe dos totens de carregamento
O mesmo problema pode ocorrer em totens públicos de carregamento de bateria conectados a cabos USB suspeitos, que podem transmitir códigos maliciosos aos celulares.
Como evitar:
- Sempre use baterias externas, também conhecida como power banks, e evite os totens públicos de carregamento;
- Alternativamente, use carregador e cabo próprios.
8. Caí num golpe, e agora?
O Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor) de São Paulo afirmou ao Aos Fatos que os bancos e meios de pagamento têm o dever legal de bloquear a conta do fraudador e tomar medidas urgentes para verificar a possibilidade de estorno das operações contestadas.
Para pagamentos com cartão, a primeira medida é entrar em contato imediatamente com o banco responsável e solicitar o bloqueio, evitando que compras ou saques indevidos sejam realizados.
Em seguida, é importante seguir as orientações da instituição, que geralmente incluem: registrar um boletim de ocorrência, apresentar uma contestação por escrito e comprovar que as transações não foram realizadas pelo titular do cartão.
É importante guardar recibos, mensagens e prints de transações que comprovem a fraude. Em caso de golpes presenciais, a orientação é identificar testemunhas ou câmeras de segurança no local.
Para pagamentos indevidos via Pix, o consumidor pode recorrer ao MED (Mecanismo Especial de Devolução), sistema criado pelo Banco Central para reparar danos gerados por fraude com o uso desse meio de pagamento.
“A devolução não é garantida, uma vez que depende da análise das instituições envolvidas e da disponibilidade de saldo na conta do fraudador. Ainda assim, o MED representa uma alternativa rápida para tentar recuperar os valores e minimizar o prejuízo”, afirmou ao Aos Fatos o advogado Leonardo Pantaleão, especialista em Direito e Processo Penal.
Em casos mais complexos, como golpes de grande valor, um advogado pode auxiliar na recuperação do dinheiro por meio de ação judicial.
O caminho da apuração
Aos Fatos entrou em contato a ABBC (Associação Brasileira de Bancos), Febraban, Procon de São Paulo e especialistas para que pudessem explicar os golpes que circulam no período do Carnaval, o que fazer para evitá-los e como agir caso uma pessoa seja vítima dos criminosos.




