Fux não ‘cancelou’ julgamento que condenou Bolsonaro por tentativa de golpe

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Não é verdade que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux anulou o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe. O vídeo compartilhado pelas peças de desinformação teve o áudio adulterado. Além disso, os posts omitem que, apesar de ter defendido a anulação do caso, Fux foi voto vencido. O ex-presidente foi condenado por maioria na Primeira Turma do Supremo a 27 anos de prisão.

Publicações nas redes com o conteúdo manipulado acumulavam 600 mil visualizações no TikTok e 91 mil visualizações no Kwai até a tarde desta quarta-feira (17).

Luiz Fux cancela julgamento de Bolsonaro hoje 12/09/2025.

Captura de vídeo mostra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux — homem branco de cabelos grisalhos, usando um terno escuro, camisa branca, gravata amarela e toga preta. Ele está sentado em uma poltrona vermelha. Acima, há uma cena que mostra caminhões e pessoas vestidas de verde e amarelo, além de uma faixa vermelha que diz: ‘Luiz Fux cancela julgamento de Bolsonaro hoje 12/09/2025’.

Publicações nas redes têm compartilhado um vídeo adulterado digitalmente para alegar que o ministro Luiz Fux teria anunciado a anulação do julgamento que condenou Jair Bolsonaro e mais sete réus por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

Apesar de Aos Fatos não ter encontrado o trecho que originou a versão adulterada, há diversos indícios de que o conteúdo que circula nas redes teve o áudio manipulado:

  • O ministro fala com tom de voz artificial e inexpressivo;
  • Seu ritmo de fala é mais acelerado do que o normal;
  • Fux incentiva usuários a curtirem o conteúdo, o que é comum em vídeos publicados por perfis que buscam engajamento com desinformação ou sensacionalismo.

Aos Fatos também transcreveu todo o voto do ministro, que foi proferido no dia 10 de setembro e durou cerca de 13 horas (veja aqui e aqui), bem como as demais sessões que analisaram o caso de Bolsonaro, ocorridas nos dias 2 (aqui e aqui), 3 (aqui), 9 (aqui e aqui) e 11 (aqui) de setembro. Em nenhum momento Fux mencionou a frase “eu anulei o julgamento contra o Bolsonaro”.

É fato, porém, que, além de votar pela absolvição do ex-presidente, Fux defendeu a nulidade do processo (veja aqui). Segundo ele, nem a Primeira Turma nem o STF teriam competência para julgar o caso, uma vez que os réus não teriam mais foro por prerrogativa de função.

O magistrado, no entanto, foi voto vencido, e a Primeira Turma do Supremo condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão na última quinta-feira (11). Não houve sessão no dia 12 de setembro, data da suposta anulação apontada pelas peças enganosas.

Esta peça de desinformação também foi verificada pela Reuters.

O caminho da apuração

Aos Fatos transcreveu com o uso da ferramenta Escriba todos os vídeos correspondentes ao voto do ministro Luiz Fux, bem como das demais sessões do julgamento. Não foram encontradas menções à frase “eu anulei o julgamento contra o Bolsonaro”, que aparece no vídeo enganoso.

A reportagem também analisou o áudio usado nas peças enganosas e identificou indícios comuns em conteúdos manipulados digitalmente, como voz artificial e pedidos de engajamento.

Referências

  1. Escriba (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8)
  2. YouTube (STF) (1 e 2)
  3. Aos Fatos
  4. STF

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