Fotos e vídeos antigos são atribuídos nas redes aos terremotos na Venezuela

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Uma série de fotos e vídeos fora de contexto tem circulado nas redes como se fossem registros de danos causados pelos terremotos que atingiram a Venezuela. Aos Fatos verificou que há imagens feitas durante tremores em outros países e vídeos de imigrantes venezuelanos em meio à pandemia de Covid-19.

Veja abaixo as imagens enganosas que, juntas, somam mais de 40 mil curtidas no Instagram e 130 mil visualizações no TikTok nesta quarta-feira (1º):

  1. Vídeo que mostra caminhada de venezuelanos para o Brasil é de 2021;
  2. Gravação em que mulher protege filho durante tremor foi feito na Colômbia em 2025;
  3. Imagens de pessoas dentro de elevador em terremoto é do ano passado;
  4. Foto mostra rua destruída por terremoto no Japão, não na Venezuela.

A costa norte da Venezuela foi atingida por dois dos maiores terremotos registrados no país no dia 24 de junho. O desastre causou, até o momento, 2.295 mortes, mais de 11 mil feridos e 50 mil desaparecidos. Estima-se que ao menos 59 mil edifícios foram danificados ou completamente destruídos por causa dos tremores.

O Brasil agora vai ficar cheio de venezuelano… Depois desse terremoto agora, ó.

Uma captura de tela exibe uma cena de pessoas caminhando por uma estrada. Na parte superior, sobre um fundo preto, há o texto em branco: 'Podem não acreditar, mas o Brasil será um lugar De refúgio para as Nações!', seguido por emojis da bandeira do Brasil, um rosto amarelo chorando e mãos unidas em prece. A imagem principal mostra um grupo de indivíduos caminhando de costas para a câmera em uma via asfaltada ladeada por vegetação. Em primeiro plano, destaca-se uma pessoa com cabelos escuros amarrados, vestindo um casaco claro com capuz e carregando uma mochila azul com alças escuras. Logo à frente, à esquerda, outra pessoa veste uma blusa azul-escura e calça escura, carregando um tecido claro sobre o ombro; ao centro, uma terceira pessoa carrega uma mochila azul-clara. Várias outras pessoas são vistas caminhando mais adiante na estrada. Na parte inferior, sobreposta à imagem, há uma caixa branca com detalhes geométricos amarelos nas bordas. Dentro da caixa, repetem-se os emojis da bandeira, do rosto chorando e das mãos em prece, posicionados acima do texto em letras pretas: 'Venezuelanos vindo A pé para o Brasil !'.

Um dos vídeos mais virais nesta semana mostra dezenas de pessoas andando com sacolas de roupas e pertences em uma rodovia. Ele circula com uma legenda que diz que seriam venezuelanos fugindo para o Brasil depois dos terremotos, o que não é verdade.

Aos Fatos identificou, por meio de busca reversa, que trechos da gravação estão disponíveis nas redes desde abril de 2021. As próprias imagens já indicavam que o registro havia sido feito durante a pandemia de covid-19, já que mostram pessoas usando máscaras.

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social disse ao Aos Fatos que “não registrou nenhum aumento da demanda por acolhimento significativo dos terremotos” e que o fluxo migratório na fronteira permanece dentro da normalidade.

Terremoto na Venezuela: grávida cobre o filho com o próprio corpo em gesto emocionante.

Uma captura de tela de um vídeo exibe uma cena de interior de uma residência, vista de um ângulo superior, mostrando uma grande cama ao centro. O lençol é claro com estampas de flores e folhas em tons escuros. Sobre a cama, do lado esquerdo, uma criança vestindo pijama azul repousa deitada, parcialmente coberta por uma manta vermelha com estampas azuis. Imediatamente ao seu lado, uma figura volumosa encontra-se inteiramente coberta por um tecido branco, posicionada de forma encurvada sobre a criança. Espalhados pela cama, há também um cobertor azul desarrumado, outras peças de tecido e um bicho de pelúcia marrom. No canto superior direito do enquadramento, observa-se o piso claro, uma lixeira branca e parte de um móvel branco com pés curtos de madeira. No centro da composição, sobreposto à imagem do quarto, há um ícone circular escuro com um símbolo de reprodução de vídeo em formato de triângulo branco. Na parte inferior, sobre uma ampla faixa preta sólida, há o texto em letras brancas: 'Terremoto na Venezuela:' em destaque, seguido logo abaixo por 'grávida cobre o filho com o próprio corpo em gesto emocionante'.

Publicações nas redes têm compartilhado como se tivesse sido feito na Venezuela o vídeo em que uma mulher grávida protege seu filho durante um terremoto.

A gravação original, feita por uma câmera de segurança e publicada no TikTok, é de 8 de junho de 2025. Na ocasião, um sismo de magnitude 6,5 na escala Richter atingiu a região de Bogotá, na Colômbia.

@juliomariorey Temblor 8/06/25 magnitud 6,3🥺 El amor de madre es la voz de Dios susurrando el alma♥️ Dios me dio la mejor! #mama #esposa #temblor #mamaesmama #familia #terremoto ♬ sonido original - Julio Mario Rey

Desde então, esse mesmo vídeo tem sido compartilhado de forma descontextualizada em outros terremotos para representar a coragem das mães para protegerem seus filhos.

🇻🇪 Venezuela | 29 de junho de 2026 – O horror vivido por dentro: divulgado vídeo impressionante de terremoto dentro de um elevador.

Uma captura de tela vertical, com aspecto de imagem de câmera de segurança, exibe o interior de um elevador visto de um ângulo superior. No centro da cena, um homem de pele clara e cabelos curtos, sem camisa e vestindo bermuda escura e tênis brancos, aparece de perfil. Ele está com o braço direito estendido para a frente, tocando a parte superior de um grande painel de botões escuro localizado na parede direita. Sua mão esquerda segura um pequeno objeto claro na altura da cintura. Uma faixa horizontal com efeito de desfoque digital atravessa a região do seu peito e as costas. O piso do elevador é escuro, com marcas e reflexos claros que lembram rachaduras ou um padrão marmorizado, enquanto a parede ao fundo apresenta um tom quente amadeirado ou alaranjado. Sobreposta ao centro da imagem, há uma marca d'água translúcida com o texto 'MundoVisiónInfo', e no canto inferior direito, outra marca d'água diz 'Mvinfo'. No canto superior direito, notam-se caracteres brancos desfocados típicos de registros de data e hora de monitoramento, além de um ícone de tela cheia.

Outro vídeo descontextualizado que tem circulado em meio às imagens dos tremores na Venezuela mostra pessoas desesperadas dentro de um elevador. A gravação também não é recente e não foi feita no país latino-americano.

Por meio de busca reversa, Aos Fatos encontrou uma versão estendida do vídeo, que mostra que ele foi gravado no dia 28 de março de 2025.

Apesar do vídeo não identificar o local onde foi gravado, a data é a mesma de um terremoto sentido em Mianmar e na Tailândia.

Nicarágua, Chile e Argentina também registraram tremores de terra nas últimas horas

Uma imagem exibe o estrago causado por um terremoto em uma rua asfaltada, que apresenta uma fenda longa e profunda ao longo de sua extensão, com a parte esquerda do terreno severamente afundada. Ao fundo, do lado direito, em uma área intacta da via, estão estacionados uma pequena caminhonete branca e um carro de passeio branco, com uma pessoa em pé próxima a eles; atrás dos veículos, há uma cerca de tela de arame e um prédio verde-claro. Sobreposta à parte inferior da fotografia, há uma grande tarja azul típica de noticiários. No canto superior esquerdo dessa tarja, sobre um pequeno retângulo branco, lê-se a palavra 'NEWS' em azul. O texto principal na tarja azul, escrito em letras brancas maiúsculas e com algumas palavras destacadas em fundo amarelo, diz: 'NICARÁGUA, CHILE E ARGENTINA TAMBÉM REGISTRARAM TREMORES DE TERRA NAS ÚLTIMAS HORAS'. À direita, logo acima da tarja azul, há um pequeno quadrado borrado digitalmente.

Uma imagem registrada no Japão tem sido usada para ilustrar tremores que teriam ocorrido em outros países da América Latina após os sismos na Venezuela.

A foto foi registrada em janeiro de 2024 por Yusuke Fukuhara, da AFP, e publicada por diversos veículos internacionais e nacionais. Ela mostra a destruição causada por um terremoto com magnitude de 7,6 que atingiu a cidade de Wajima naquela época.

É fato, no entanto, que Nicarágua, Chile e Argentina registraram tremores de terra dias depois dos terremotos na Venezuela, mas nenhum com magnitude elevada a ponto de causar danos como os mostrados na foto.

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