Posts usam fotos velhas de atos em Brasília para dizer que infiltrados promoveram vandalismo

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Posts nas redes sociais difundem fotos de manifestações antigas para alegar, sem provas, que integrantes de movimentos sociais e militantes de esquerda foram responsáveis por atos de vandalismo ocorridos em Brasília na noite de segunda-feira (12), após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) diplomar o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As imagens identificadas pelo Aos Fatos remetem a protestos que ocorreram entre 2016 e 2017 durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam centenas de curtidas no Instagram e milhares de visualizações no TikTok nesta terça-feira (13).


Selo falso

Fotos de protestos em 2016 e 2017 são difundidas como recentes

Fotos de protestos antigos têm sido difundidas nas redes sociais para alegar que integrantes de movimentos sociais e militantes de esquerda foram responsáveis por atos de vandalismo em Brasília na noite de segunda-feira (12), após a diplomação de Lula pelo TSE. Por meio de busca reversa, o Aos Fatos identificou que três das cinco imagens compartilhadas pelas peças checadas são de protestos ocorridos entre 2016 e 2017.

O registro de um veículo em chamas em frente à Catedral de Brasília foi feito pelo fotógrafo Jorge William, do jornal O Globo, em 29 de novembro de 2016. É do mesmo dia o registro de um manifestante vestindo uma camiseta da CUT (Central Única dos Trabalhadores), cujo autor o Aos Fatos não conseguiu identificar.

Foto mostra um carro incendiado durante um protesto em novembro de 2016
2016. Carro é incendiado durante protesto em novembro de 2016 em Brasília


Foto mostra um manifestante com camiseta da CUT durante um protesto em novembro de 2016
2016. Manifestante com camiseta da CUT é fotografado durante protesto em novembro de 2016 em Brasília

Na ocasião, milhares de manifestantes, muitos usando roupas vermelhas ou com símbolos de movimentos sociais, protestaram na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, contra uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para fixar um teto para os gastos públicos. O protesto, no entanto, culminou com atos de vandalismo: oito veículos foram incendiados e vidros do prédio do Ministério da Educação foram quebrados. A proposta foi aprovada na Câmara e no Senado ainda naquele ano e passou a vigorar no ano seguinte.

Já a foto de um manifestante com os braços erguidos vestindo calça jeans e uma camiseta vermelha foi tirada pelo fotógrafo Marcelo Camargo, da Agência Brasil, em 24 de maio de 2017, em meio a um protesto contra Temer.

Foto mostra um manifestante com camiseta vermelha e calça jeans durante um protesto em maio de 2017
2017. Manifestante com camiseta vermelha é fotografado durante protesto em maio de 2017 em Brasília

Parte dos manifestantes provocou focos de incêndio no entorno da Esplanada dos Ministérios. Banheiros químicos, pedaços de placas, barricadas da PM, pedaços de telefones públicos e até uma bicicleta foram utilizados para alimentar as chamas, segundo a Rádio Gaúcha.

O Aos Fatos não encontrou a origem da foto em que aparece um manifestante com um pano preto e branco enrolado no rosto e de outro com tecido preto cobrindo parcialmente a cabeça.

Vandalismo. Atos de vandalismo se espalharam pelo Distrito Federal após o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, determinar a prisão temporária do indígena José Acácio Serere Xavante, pelo prazo de dez dias, por suspeita de ameaça de agressão e de perseguição contra Lula.

Carros e ônibus foram incendiados, viaturas do Corpo de Bombeiros foram apedrejadas, barricadas foram feitas com botijões de gás, e postes foram depredados. Ninguém foi preso, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.

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