Fotos de armas apreendidas em flotilha para Gaza são de IA

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Não são reais as imagens que mostram as Forças de Defesa de Israel exibindo armas e explosivos que teriam sido apreendidos na flotilha humanitária enviada para Gaza e interceptada no final de abril. As duas fotos têm inconsistências comuns a conteúdos gerados por IA, como distorções em símbolos e caracteres. Também não há registros de que os israelenses tenham encontrado armamentos nas embarcações.

A desinformação, que circula em diversas línguas, acumulava, no Brasil, milhares de interações no Facebook e no Instagram nesta terça-feira (5).

Israel está exibindo as armas e dispositivos explosivos encontrados de alguns dos barcos flotilhas que se dirigiam para Gaza até serem interceptados pela Marinha Israelita. Lá se vão os manifestantes pacíficos. Eles não eram apenas simpatizantes do Hamas. Eles eram contrabandistas de armas para o Hamas.

A imagem é composta por duas fotos. Na parte superior, militares com uniformes táticos e capacetes estão em um porto, próximos a embarcações, enquanto uma caixa é içada por um guindaste de um barco com a inscrição ‘HUMANITARIAN AID’. Na parte inferior, há uma mesa longa exibindo diversos armamentos e equipamentos, organizados lado a lado, enquanto um homem de pele clara, cabelo curto escuro, usando uniforme militar, fala ao microfone em um púlpito. Ao fundo, há navios e um painel com texto em inglês e hebraico que menciona ‘HUMANITARIAN AID AS COVER FOR TERROR’.

Desde que Israel interceptou, no final de abril, navios de ajuda humanitária destinados à Faixa de Gaza, publicações têm compartilhado imagens geradas por IA que mostrariam armas e explosivos apreendidos nas embarcações.

Aos Fatos encontrou as imagens em alta definição e verificou diversas inconsistências:

  • O brasão das Forças de Defesa de Israel está distorcido no cartaz;
  • Alguns armamentos aparecem com estrutura incompleta;
  • Ferramentas de tradução apontaram que os dizeres no cartaz têm caracteres que não existem ou foram escritos errado;
A imagem mostra um cenário em um porto, onde um homem de pele clara, com cabelo curto escuro, veste uniforme militar e fala ao microfone em um púlpito com emblema. À frente dele, há uma mesa coberta por tecido verde exibindo diversos armamentos e equipamentos organizados, como rifles, lançadores e rádios. Ao fundo, aparecem outros militares uniformizados próximos a embarcações com a inscrição ‘HUMANITARIAN AID’. Há também um painel com textos em inglês e hebraico, incluindo a frase ‘SEIZED WEAPONS FROM GAZA-BOUND FLOTILLA’ e ‘HUMANITARIAN AID USED AS COVER FOR TERROR’. Alguns elementos da imagem estão destacados com círculos.  Círculos laranja apontam distorções.
  • A palavra “Seized” (apreendido, em inglês) está escrita incorretamente (“Seised”) em uma das placas;
  • O cartaz da flotilha com os dizeres “Instrutor de Ajuda Humanitária” tem o brasão das Forças de Defesa de Israel, o que não faz sentido;
  • Por fim, os barcos que aparecem nas imagens não se assemelham às embarcações da flotilha divulgadas pela organização ou por agências de notícias.
A imagem gerada por IA mostra uma operação em um porto, com vários militares usando uniformes táticos, capacetes e coletes, posicionados sobre e ao redor de embarcações. No centro, um guindaste suspende uma caixa metálica contendo armamentos, enquanto outros militares auxiliam na movimentação. Em primeiro plano, há um barco menor com um aviso fixado na cabine. Ao fundo, aparecem navios maiores com a inscrição ‘HUMANITARIAN AID’. Círculos laranja apontam distorções na imagem.

A flotilha Global Sumud foi interceptada em águas internacionais perto da Grécia no dia 30 de abril. Ao todo, 22 embarcações foram bloqueadas e 175 ativistas foram presos. As forças israelenses divulgaram ter encontrado preservativos e drogas nas embarcações, mas não há informações sobre armamentos apreendidos.

Quatro integrantes da missão humanitária são brasileiros. Segundo a Global Sumud, um dos ativistas — Tiago Ávila, que também participou da primeira flotilha, interceptada em outubro de 2025foi detido e disse ter sido torturado. Israel não comentou a acusação.

Esta peça de desinformação circula em diferentes línguas e também foi desmentida pela organização belga Knack.

O caminho da apuração

Aos Fatos realizou uma busca reversa pelas duas imagens que compõem a peça de desinformação e encontrou versões com maior resolução. Procuramos, então, indícios de geração artificial, como distorções e erros em caracteres e símbolos.

Também buscamos informações sobre a interceptação da flotilha e o que foi, de fato, apreendido nas embarcações.

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