Foto que mostra prefeito de Nova York ainda criança ao lado de Epstein é gerada por IA

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Foi gerada por IA (inteligência artificial) a foto que supostamente mostra o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, ainda criança ao lado de Jeffrey Epstein (1953-2019), empresário acusado de tráfico sexual. Além de ter encontrado inconsistências na imagem, Aos Fatos verificou que o registro foi originalmente publicado por um perfil no X especializado em conteúdo sintético.

As peças enganosas acumulavam mais de 23 mil visualizações no X até a tarde desta segunda-feira (2).

O sistema se alimenta, Zohran Mamdani (atual prefeito de Nova York) com sua mãe, a cineasta Mira Nair, em uma festa após a exibição de um filme em 2002, que contou com a presença de Bill Clinton, Bill Gates, Jeff Bezos e outros. A foto está relacionada a documentos recentemente divulgados sobre Epstein que mencionam o evento.

Fotografia noturna registrada em ambiente urbano, com prédios e luzes ao fundo, reunindo um grupo de adultos e uma criança em primeiro plano. Ao centro, aparece um menino de pele morena, cabelo curto escuro, vestindo um suéter escuro, posicionado à frente de uma mulher de pele morena, cabelos escuros longos, usando vestido ou casaco vermelho, que o envolve com o braço. À esquerda e à direita deles, há homens e mulheres adultos — entre eles Jeffrey Epstein, Bill Clinton, Bill Gates e Jeff Bezos — usando roupas sociais em tons escuros, como ternos, blazers e camisas. Um círculo vermelho foi desenhado sobre a imagem para destacar o menino e a mulher ao centro.

Posts nas redes têm compartilhado como se fosse autêntica uma foto gerada por IA que supostamente mostraria Zohran Mamdani ainda criança ao lado de Jeffrey Epstein. Por meio de busca reversa de imagens, Aos Fatos verificou que o conteúdo foi publicado por um perfil especializado em peças sintéticas.

O registro foi postado em 31 de janeiro pela conta satírica DFF no X. A página diz divulgar “conteúdo original com inteligência artificial”, como “memes, músicas, imagens e histórias feitas para quem entende do assunto”.

A suposta fotografia também não consta em nenhum dos arquivos públicos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA sobre o caso Epstein.

A foto falsa faz referência a um email que consta nos documentos publicados pelo governo americano. A mensagem, datada de 21 de outubro de 2009, foi enviada a Epstein pela consultora de relações públicas Peggy Siegal.

Nela, Siegal diz: “Acabei de sair da casa da Ghislaine... depois da festa do filme. Bill Clinton e Jeff Bezos estavam lá... Jean Pigoni, a diretora Mira Nair”. Nair, que é mãe do prefeito Zohran Mamdani, é uma conhecida diretora e roteirista indiana que vive e trabalha nos EUA.

A data do email revela uma inconsistência na imagem: se o registro é de 2009, Mamdani, que nasceu em 18 de outubro de 1991, teria 18 anos. Na foto falsa, no entanto, ele aparece como uma criança.

Também haveria incoerências caso a imagem tivesse sido tirada antes de 2009. Considerando que Mamdani aparenta ter cerca de dez anos, o registro teria sido feito no início dos anos 2000. Nessa época, o dono da Amazon, Jeff Bezos, não era completamente calvo, como aparece na imagem.

Por fim, uma análise realizada pelo SynthID, ferramenta do Google, determinou que o registro possui uma marca d’água aplicada a todos os conteúdos gerados por ferramentas de inteligência artificial da empresa.

Em 30 de janeiro, o Departamento de Justiça dos EUA divulgou mais um lote contendo 3 milhões de documentos, 2.000 vídeos e 180 mil imagens relacionados à investigação do caso Epstein. A publicação foi feita em cumprimento à lei de transparência aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Donald Trump em novembro de 2025.

Histórico. Epstein é acusado de comandar, por décadas, uma rede de exploração sexual infantil com o envolvimento de pessoas ricas e influentes. Em 2008, o empresário firmou um acordo judicial controverso na Flórida, mas o caso voltou à tona em 2019, quando foi preso novamente e morreu.

As dúvidas e controvérsias em torno do escândalo estão ligadas, sobretudo, ao alcance de suas relações pessoais. Epstein frequentava círculos que incluíam empresários, pesquisadores, integrantes da realeza e figuras políticas, o que ampliou a repercussão das acusações.

A morte de Epstein na prisão, em 2019, virou combustível para controvérsias. Ele foi encontrado sem vida em sua cela, e as autoridades concluíram que se tratou de suicídio. Problemas nos procedimentos de segurança do presídio, entretanto, abriram espaço para questionamentos e especulações.

Desde então, o caso se tornou um tema recorrente no debate político dos EUA. Desde a campanha eleitoral de 2020, aliados e críticos do presidente Donald Trump e do ex-presidente Joe Biden passaram a usar o episódio para acusar adversários de acobertamento, seletividade judicial ou manipulação de investigações.

O caminho da apuração

Por meio de busca reversa, Aos Fatos verificou que a foto foi publicada originalmente por um perfil especializado em material satírico gerado por inteligência artificial.

Em seguida, a reportagem conferiu documentos públicos citados no contexto do caso Epstein e dados biográficos para checar datas e idades associadas às pessoas retratadas. Isso permitiu verificar inconsistências contextuais no registro.

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