Não é verdade que o enviado presidencial para missões especiais dos Estados Unidos, Richard Grenell, desembarcou no Brasil para fiscalizar a aplicação da Lei Magnitsky. A imagem compartilhada pelas peças de desinformação como registro da chegada do americano foi gerada por IA (inteligência artificial). Além disso, não há registros ou evidências de uma viagem recente de Grenell ao país.
Publicações enganosas acumulavam ao menos 9.000 curtidas no Instagram, 78 mil visualizações no TikTok e 3.000 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta segunda-feira (18). As peças de desinformação também circulam no WhatsApp, plataforma em que não é possível estimar o alcance dos conteúdos (fale com a Fátima).
Chegou ao Brasil na madrugada de hoje, em um jato do Governo Americano, o Embaixador Richard Grenell (conhecido como o Executor). (...) O Embaixador Richard Grenell é o responsável pela fiscalização da aplicação da Lei Magnitsky e, pelo que se sabe, é informado pela CIA quando um sancionado burla as sanções.

Foi gerada por IA a imagem que supostamente mostra o americano Richard Grenell desembarcando no Brasil. As publicações enganosas afirmam que ele estaria no país para fiscalizar a aplicação da Lei Magnitsky, mas não há registros na imprensa, nos canais oficiais da embaixada americana ou nas próprias redes de Grenell que comprovem a alegação.
A imagem compartilhada pelas peças desinformativas apresenta sinais evidentes de manipulação: textura artificial da pele, cabelos e roupas, distorções de proporções e erros de escala — Grenell aparece próximo ao avião em tamanho incompatível com a dimensão real da aeronave.

A ferramenta de detecção HiveMedia também indicou alta probabilidade de geração por IA (veja abaixo):

Atualmente, Grenell exerce a função de enviado a missões especiais no governo de Donald Trump. Em 31 de janeiro, ele esteve na Venezuela para uma reunião com o presidente Nicolás Maduro, por exemplo. Grenell também já ocupou cargos como chefe da Agência de Inteligência Nacional dos EUA e embaixador na Alemanha.
O conteúdo falso passou a circular semanas após o governo americano aplicar sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), com a Lei Magnitsky.
Esta peça de desinformação também foi checada pelo Fato ou Fake e pelo UOL Confere.
O caminho da apuração
Aos Fatos utilizou ferramentas de detecção de IA, que apontaram alta probabilidade de geração artificial da imagem. Além disso, a análise visual da peça revelou distorções típicas desse tipo de conteúdo, como pele e cabelos com aspecto plastificado e erros de proporção.
Também foram consultados os canais oficiais da embaixada dos EUA, as redes sociais de Grenell e veículos de imprensa, todos sem registros da suposta viagem.




