Foto não mostra pessoas arremessadas por explosão no Líbano

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Não é verdade que uma imagem com dez pontos negros próximos a uma coluna de fumaça seja um registro de pessoas arremessadas pela explosão que ocorreu em Beirute, no Líbano, na última terça-feira (4). Segundo a imprensa libanesa, a foto (veja aqui) foi registrada após o impacto e mostra pássaros que sobrevoavam o local.

No Facebook, a imagem foi tirada de contexto por publicações em perfis pessoais que reuniam ao menos 1.600 compartilhamentos até a tarde desta quarta-feira (5). Todas as publicações foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

Uma foto de dez pontos negros pairando no ar próximos a uma coluna de fumaça circula nas redes sociais como se mostrasse pessoas que foram arremessadas pela explosão que atingiu a cidade de Beirute, no Líbano, na última terça-feira (4). A mesma alegação aparece nas redes em língua árabe e foi desmentida pelo jornal libanês An-Nahar. A equipe contatou um fotógrafo e, segundo a análise feita por ele, a imagem não mostra corpos arremessados, mas um grupo de pássaros que sobrevoou o local após o desastre.

A foto veiculada pelas peças de desinformação foi publicada por jornais locais (aqui e aqui) e pelo perfil de um comunicador libanês. Nas postagens, no entanto, não há nenhuma informação de que se trata de um registro de corpos. Na verdade, citam a nuvem de fumaça formada após a explosão.

O registro de fato não se parece com o momento da explosão, como pode ser verificado em diversos vídeos:

A coluna de fumaça registrada na foto da peça de desinformação se assemelha mais às imagens registradas depois do impacto. Em três vídeos gravados após a explosão (aqui, aqui e aqui) no porto de Beirute, também é possível ver uma cena semelhante, que mostra que, naquele momento, já não havia mais objetos caindo ou sendo arremessados.

Testemunhas, no entanto, relataram que viram pessoas sendo arremessadas no momento da explosão. Outras vítimas também disseram ter sido atingidas por pedras e pedaços de vidro que foram lançados. Até às 13h desta quarta-feira (5), as autoridades libanesas estimavam 135 mortos e ao menos 5.000 feridos pelo desastre.

Ao Aos Fatos, o tenente-coronel da reserva da Polícia Militar e especialista em gerenciamento de crise com explosivos, Diógenes Lucca afirmou que não é possível que os pontos mostrados na imagem sejam pessoas. Por mais que as vítimas possam ser projetadas pela onda de choque, elas não atingiriam a altura da foto: “Eu não desprezo a possibilidade de uma pessoa ser arremessada para cima. Mas quem está no epicentro da explosão não sobe a uma altura dessas, ele é desintegrado”, explicou.

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