Foto não mostra camponês recebendo extrema-unção em Cuba, mas um militar

Por Bernardo Barbosa

9 de setembro de 2020, 18h42


É falso que uma foto de 1959 que circula nas redes sociais mostre “um padre dando a última bênção a um camponês cubano” condenado à morte por se recusar a “trabalhar para o regime de Fidel Castro” (veja aqui). O homem que recebe a extrema-unção era um militar. As informações sobre a imagem estão disponíveis no site do Pulitzer, principal prêmio de jornalismo no mundo.

No Facebook, posts com a alegação falsa somavam pouco mais de 3.000 compartilhamentos até o fim da tarde desta quarta-feira (9) e foram marcados com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona).


FALSO

Esta foto ganhou o Pulitzer. Um padre dando a última bênção a um camponês cubano, proprietário de terra, que se recusou a trabalhar para o regime de Fidel Castro, e que foi condenado por “Che”, sem direito à defesa, a morrer por fuzilamento. Você nunca verá essa foto na camiseta de um comunista.

Não é verdade que uma foto que circula nas redes sociais mostre “um camponês cubano, proprietário de terra, que se recusou a trabalhar para o regime de Fidel Castro”, recebendo a extrema-unção de um padre após ser condenado por Che Guevara, como dizem posts no Facebook. Quem aparece de joelhos na imagem, que é de 1959, é um militar, segundo o site do prêmio Pulitzer.

A premiação é mencionada na postagem com a alegação falsa. De fato, a imagem rendeu um Pulitzer ao fotógrafo Andrew Lopez, da agência de notícias UPI, em 1960. No entanto, a legenda da foto no site do prêmio esclarece que o homem abençoado pelo padre era um integrante das tropas de Fulgencio Batista, governante deposto pela Revolução Cubana de 1959.

O militar foi executado pelos revolucionários comandados por Fidel Castro. Mas, nas informações disponíveis no site do Pulitzer, não há nenhuma menção a Ernesto “Che” Guevara.

A mesma foto de Lopez também pode ser encontrada nos arquivos da agência de imagens Getty Images, onde constam algumas informações adicionais: o homem de joelhos era o cabo José Cipriano Rodríguez, que teria matado duas pessoas. O padre se chamava Domingo Lorenzo. Também não há, no entanto, nenhuma menção a Che Guevara.

Uma checagem da mesma imagem feita pelo site espanhol Maldita no começo de setembro cita ainda uma reportagem publicada em novembro de 1962 pelo jornal ABC, também da Espanha, que traz uma entrevista com o padre Domingo Lorenzo. O religioso afirmou ao jornal que a vítima da execução era um cabo chamado José Rodríguez, integrante do Exército de Batista.

A circulação desta peça de desinformação não é nova. Há quase um ano, a Agência Lupa fez uma checagem sobre ela. Versões da alegação falsa também circularam em abril em Portugal e em maio na Bolívia. No Brasil, o Estadão Verifica também checou este conteúdo.

Referências:

1. Pulitzer.org
2. Getty Images
3. Maldita.es
4. ABC
5. Agência Lupa
6. Polígrafo
7. Bolivia Verifica
8. Estadão Verifica