É montagem foto de faixa contra decisão de Trump sobre PCC

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Não é verdade que uma reportagem noticiou que traficantes instalaram uma faixa com ameaças a quem elogiar a decisão do governo Trump de enquadrar o PCC como terrorista. A imagem que circula nas redes foi editada. Na versão original, a faixa trazia uma ameaça a motociclistas que faziam manobras perigosas em um bairro de Vitória (ES).

Publicações com o conteúdo falso acumulavam ao menos 85 mil visualizações no X, 9.500 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta terça-feira (2).

Recado do tráfico: Faixas foram colocadas com ameaças a apoiadores da decisão americana que classificou o PCC como organização terrorista

A imagem mostra uma rua com postes, fios elétricos, árvores e construções ao fundo. Há uma faixa horizontal nas cores vermelha e amarela estendida entre dois postes. Na parte superior da faixa, sobre fundo vermelho, está escrito em letras brancas: ‘PROIBIDO ELOGIAR A DECISÃO DO TRUMP’. No centro, sobre fundo amarelo, aparece a frase ‘SUJEITO A CACETE’ em letras pretas grandes. Na parte inferior da faixa, sobre fundo vermelho, está escrito em letras brancas: ‘NÃO VAMOS ACEITAR ESSAS COISAS NA COMUNIDADE, ETC’. Na parte inferior da imagem há a tarja de um telejornal em que aparece o título ‘RECADO DO TRÁFICO’ em letras brancas. Logo abaixo, em uma faixa branca, está escrito: ‘Faixas foram colocadas com ameaças a apoiadores da decisão americana que classificou o PCC como organização terrorista’.

É uma montagem a foto que mostra uma faixa supostamente instalada em uma comunidade por traficantes com ameaças a quem elogiar a decisão dos EUA de incluir o PCC (Primeiro Comando da Capital) na lista de organizações terroristas. A imagem original é antiga e não tem qualquer relação com o tema.

O registro real foi exibido em reportagem da TV Gazeta, uma emissora capixaba, em 3 de janeiro de 2022 e mostrava uma faixa instalada por traficantes na região da Grande São Pedro, em Vitória (ES). A mensagem original dizia “proibido tirar de giro e chamar no grau” (veja abaixo).

A imagem mostra uma rua com árvores, postes, fios elétricos e edifícios ao fundo. Entre dois postes está estendida uma faixa horizontal nas cores vermelha e amarela. Na parte superior da faixa, sobre fundo vermelho, está escrito em letras brancas: ‘PROIBIDO TIRAR DE GIRO E CHAMAR NO GRAU’. No centro, sobre fundo amarelo, aparece a frase ‘SUJEITO A CACETE’ em letras pretas grandes. Na parte inferior da faixa, sobre fundo vermelho, lê-se: ‘NÃO VAMOS ACEITAR ESSAS COISAS NA COMUNIDADE, ETC’. Na parte inferior da imagem há elementos de uma reportagem de televisão. À esquerda aparece o logotipo ‘ES1’ e o horário ‘12:03’. Ao lado, em uma faixa azul escura, está escrito ‘RECADO DO TRÁFICO’. Logo abaixo, em uma faixa branca, aparece o texto: ‘Faixas foram colocadas com ameaças a motociclistas no bairro São Pedro, em Vitória’. No canto inferior direito há o logotipo de uma emissora de televisão. Ao fundo são visíveis fachadas de casas e prédios, postes de iluminação pública, cabos aéreos e a copa de uma árvore.
Imagem original mostra uma ameaça a motociclistas em 2022, sem qualquer relação com o governo americano (Reprodução/TV Gazeta)

O termo “tirar de giro” refere-se à prática de acelerar a moto com a embreagem acionada para produzir ruídos. Já “chamar no grau” significa empinar o veículo. À época, outras duas faixas com mensagens semelhantes também foram instaladas na região para intimidar motociclistas que realizavam essas manobras no local.

De acordo com o CTB (Código de Trânsito Brasileiro), tanto a produção deliberada de ruídos excessivos quanto a realização de manobras perigosas com motocicletas configuram infrações de trânsito e podem resultar em multa e retenção do veículo.

A montagem ganhou força nas redes após o governo Trump anunciar na quinta-feira (28) que as facções criminosas brasileiras PCC e CV (Comando Vermelho) passarão a ser consideradas terroristas pelos EUA a partir desta sexta-feira (5).

Criada em 1997, a lista norte-americana de terroristas permite a adoção de medidas como o bloqueio de ativos, restrições migratórias e sanções a pessoas ou entidades que prestem apoio material aos grupos designados.

Em resposta, o governo brasileiro emitiu uma nota na sexta-feira (29) em que reitera que PCC e CV são tratados pelo Estado brasileiro como organizações criminosas, mas que diferencia as facções do conceito de terrorismo ao afirmar que elas atuam principalmente com objetivos financeiros, e não por motivações ideológicas, políticas ou religiosas.

Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro esteve na Casa Branca, onde se reuniu com Trump e afirmou ter pedido ao presidente americano a inclusão das facções na lista dos EUA.

O caminho da apuração

Por meio de busca reversa, Aos Fatos localizou a reportagem original, exibida por uma emissora capixaba em 3 de janeiro de 2022, e verificou que o texto da faixa foi alterado digitalmente.

A checagem foi complementada com informações da imprensa e do governo brasileiro sobre a decisão de classificar facções como organizações terroristas.

Referências

  1. g1 (1 e 2)
  2. Governo federal
  3. BBC Brasil
  4. CNN Brasil (1 e 2)

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