Não é verdade que uma reportagem noticiou que traficantes instalaram uma faixa com ameaças a quem elogiar a decisão do governo Trump de enquadrar o PCC como terrorista. A imagem que circula nas redes foi editada. Na versão original, a faixa trazia uma ameaça a motociclistas que faziam manobras perigosas em um bairro de Vitória (ES).
Publicações com o conteúdo falso acumulavam ao menos 85 mil visualizações no X, 9.500 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta terça-feira (2).
Recado do tráfico: Faixas foram colocadas com ameaças a apoiadores da decisão americana que classificou o PCC como organização terrorista

É uma montagem a foto que mostra uma faixa supostamente instalada em uma comunidade por traficantes com ameaças a quem elogiar a decisão dos EUA de incluir o PCC (Primeiro Comando da Capital) na lista de organizações terroristas. A imagem original é antiga e não tem qualquer relação com o tema.
O registro real foi exibido em reportagem da TV Gazeta, uma emissora capixaba, em 3 de janeiro de 2022 e mostrava uma faixa instalada por traficantes na região da Grande São Pedro, em Vitória (ES). A mensagem original dizia “proibido tirar de giro e chamar no grau” (veja abaixo).

O termo “tirar de giro” refere-se à prática de acelerar a moto com a embreagem acionada para produzir ruídos. Já “chamar no grau” significa empinar o veículo. À época, outras duas faixas com mensagens semelhantes também foram instaladas na região para intimidar motociclistas que realizavam essas manobras no local.
De acordo com o CTB (Código de Trânsito Brasileiro), tanto a produção deliberada de ruídos excessivos quanto a realização de manobras perigosas com motocicletas configuram infrações de trânsito e podem resultar em multa e retenção do veículo.
A montagem ganhou força nas redes após o governo Trump anunciar na quinta-feira (28) que as facções criminosas brasileiras PCC e CV (Comando Vermelho) passarão a ser consideradas terroristas pelos EUA a partir desta sexta-feira (5).
Criada em 1997, a lista norte-americana de terroristas permite a adoção de medidas como o bloqueio de ativos, restrições migratórias e sanções a pessoas ou entidades que prestem apoio material aos grupos designados.
Em resposta, o governo brasileiro emitiu uma nota na sexta-feira (29) em que reitera que PCC e CV são tratados pelo Estado brasileiro como organizações criminosas, mas que diferencia as facções do conceito de terrorismo ao afirmar que elas atuam principalmente com objetivos financeiros, e não por motivações ideológicas, políticas ou religiosas.
Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro esteve na Casa Branca, onde se reuniu com Trump e afirmou ter pedido ao presidente americano a inclusão das facções na lista dos EUA.
O caminho da apuração
Por meio de busca reversa, Aos Fatos localizou a reportagem original, exibida por uma emissora capixaba em 3 de janeiro de 2022, e verificou que o texto da faixa foi alterado digitalmente.
A checagem foi complementada com informações da imprensa e do governo brasileiro sobre a decisão de classificar facções como organizações terroristas.





