Foto de sacos pretos não mostra fraude de enterros de vítimas de Covid-19 no Brasil

Por Luiz Fernando Menezes

3 de junho de 2020, 18h05


A foto de um "enterro simbólico" feito por manifestantes na Flórida, nos EUA, circula em publicações nas redes sociais como se fosse uma prova de que estados brasileiros forjam sepultamentos para inflar o número de mortes por Covid-19 (veja aqui). O protesto, que reivindicava auxílio financeiro para os desempregados pela pandemia, usava sacos pretos preenchidos para simular cadáveres.

A foto em contexto enganoso têm circulado principalmente no Facebook, onde posts que reuniam ao menos 2.000 compartilhamentos na tarde desta quarta-feira (3) foram marcados com o selo FALSO na ferramenta de verificação (saiba como funciona).


FALSO

Inventam mortes, inventam enterros, inventam caixões vazios, inventam corpos de mentira.

Uma foto em que sacos pretos preenchidos aparecem enfileirados não foi tirada no Brasil nem seria uma prova de que estados forjam óbitos para inflar o número de mortos pela Covid-19, como querem fazer crer publicações nas redes sociais. A imagem retrata um protesto em 27 de maio na Flórida, nos EUA, que reivindicava auxílio financeiro para os que ficaram desempregados em razão da pandemia.

Conforme Aos Fatos constatou em busca reversa, a imagem foi registrada por Cristobal Herrera, da EPA (European Pressphoto Agency). A manifestação, organizada pelo movimento NewFM (New Florida Majority), simulou uma procissão funerária com 50 sacos que foram preenchidos para simular cadáveres. Outro registro do ato pode ser visto na página oficial da organização política.

Em um dos corpos falsos, por exemplo, está escrito “2200k + FL Dead from Covid”, se referindo aos óbitos registrados no estado americano até aquele momento.

Falsas alegações de que estados têm inflado as estatísticas de mortes por Covid-19 por meio de falsos enterros, atestados de óbito fraudados e que os dados teriam passado por auditoria e foram até alvo de operação policial têm sido frequentes nas redes sociais com o avanço da pandemia. Em todos os casos, predomina a narrativa de que os registros são forjados a mando dos governadores para prejudicar o presidente Jair Bolsonaro. Além de inexistirem indícios que comprovem tal tese, cientistas alertam para a subnotificação de casos e mortes pela doença no país, como Aos Fatos mostrou.

Esta peça de desinformação também foi desmentida pela Agência Lupa, pela AFP Checamos e pelo Fato ou Fake.

Referências:

1. La Prensa Latina

2. Lusa

3. New Florida Majority

4. Aos Fatos 1, 2, 3, 4 e 5