Foto de repórter de máscara e macacão volta a circular para insinuar que mídia ‘fabrica pânico’

Por Luiz Fernando Menezes

8 de abril de 2021, 16h49

Voltaram a circular nas redes sociais postagens com uma foto que mostra uma repórter de TV paramentada com luvas, máscara e macacão de proteção individual enquanto o cinegrafista usa roupas normais (veja aqui). Embora a imagem seja verdadeira, os posts distorcem o contexto original para insinuar que trata-se de uma farsa da mídia para incitar o pânico em meio à pandemia de Covid-19. Além de o registro ter sido feito no Líbano, não no Brasil, a jornalista explicou que estava vestindo os trajes para testá-los como parte da reportagem, e que, naquele momento, não havia motivo para pânico.

As peças de desinformação inicialmente circularam nas redes no primeiro semestre de 2020, mas agora voltaram a viralizar em meio à narrativa de que não haveria tantos mortos por Covid-19 quanto os divulgados pela imprensa. Publicações que trazem a imagem sem o devido contexto acumulavam, só nas últimas 24 horas, ao menos 154 mil compartilhamentos no Facebook. Elas foram marcadas com o selo DISTORCIDO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


Circulam nas redes sociais postagens que mostram uma repórter de telejornais paramentada com equipamentos de proteção individual contra a Covid-19 diante de seu cinegrafista que usa apenas roupas normais. A imagem é verdadeira, mas foi retirada de seu contexto original para insinuar que a mídia “fabrica o pânico”. Na verdade, o registro foi feito no Líbano e mostra apenas uma jornalista testando equipamentos que estavam sendo lançados por uma empresa local.

O contexto real da gravação foi explicado pela própria repórter da emissora Al-Hadath retratada na imagem, Ghinwa Yatim, em sua conta no Twitter: ela estava produzindo uma reportagem sobre uma empresa em Beirute que começou a fabricar roupas de proteção médica feitas de TNT contra o Sars-CoV-2. O fato foi noticiado porque o Líbano passava por uma crise econômica e, por isso, a importação de materiais semelhantes seria difícil.

Aos Fatos verificou que Yatim só estava vestindo a roupa para mostrá-la aos telespectadores, na reportagem original, veiculada no dia 18 de março de 2020, intitulada “Repórter em Beirute testa vestimenta de proteção contra o coronavírus”.

Na época, a repórter ainda explicou que, por mais que qualquer cidadão pudesse alugar os equipamentos, eles eram destinados a pessoas em contato direto com infectados e que, naquele momento, não havia motivos para pânico em Beirute.

A peça de desinformação circulou nas redes sociais brasileiras e internacionais em março de 2020. Naquela época, as publicações foram desmentidas pelas equipes da FactCheck.org, Truth or Fiction e Ellinika Hoaxes.

A foto descontextualizada, no entanto, voltou a viralizar junto com a narrativa de que a imprensa estaria aumentando a gravidade da pandemia e forjando mortes. Nas últimas semanas, por exemplo, Aos Fatos desmentiu que a TV Vitória teria produzido um enterro falso de uma vítima de Covid-19 e que um vídeo mostraria um dos supostos mortos pela infecção fumando dentro de um saco funerário, que na verdade tratava-se de um “making of” da gravação de um videoclipe de um rapper russo.

Referências:

1. Twitter (@GhinwaYatim)
2. Al-Hadath
3. Aos Fatos (1 e 2)


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