Foi gerada por IA a foto que mostra o presidente Lula (PT) diante de uma alegoria de palhaço enjaulado que faz alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Além de ter encontrado inconsistências na imagem, Aos Fatos verificou que o registro foi criado pela ferramenta Gemini, do Google.
As peças enganosas somavam 276 mil visualizações no X, 200 mil visualizações no TikTok e 16 mil curtidas no Instagram até a tarde desta quinta-feira (19).
O carnaval tá uma maravilha este ano!

Posts nas redes têm compartilhado como se fosse real uma foto gerada por IA que mostra Lula em frente a uma alegoria que faz referência à prisão de Bolsonaro. Aos Fatos analisou a imagem e encontrou inconsistências que atestam que o registro não é autêntico:
- Na alegoria original, a figura do palhaço aparece com uma expressão de espanto, usa protetores auriculares e faz parte de um carro alegórico (confira abaixo). Já na imagem falsa, o palhaço aparece sorridente, com feições e vestimentas diferentes e como estrutura isolada;
- Na imagem falsa, um dos pés do palhaço aparece sendo atravessado pela barra da jaula;
- No registro gerado por IA, Lula usa camiseta azul. O presidente, no entanto, compareceu à Marquês de Sapucaí trajando camisa e calça brancas, além de um chapéu adornado com uma fita azul (veja abaixo);

- A escola Acadêmicos de Niterói desfilou à noite. A imagem falsa, no entanto, sugere que a apresentação teria acontecido durante o amanhecer ou o entardecer;
- Em algumas das peças de desinformação é possível ver, no canto inferior direito da imagem, uma marca d’água que indica o uso da ferramenta de IA Gemini, do Google.
Aos Fatos verificou também que a suposta foto não foi publicada pela imprensa nem pelos perfis oficiais do presidente nas redes.
A imagem do palhaço atrás das grades integrava o quarto carro da escola Acadêmicos de Niterói, denominado “O Brasil mudou de cara”. A alegoria simbolizava o embate político entre Bolsonaro e Lula.
O caminho da apuração
Aos Fatos analisou a imagem e identificou inconsistências visuais na alegoria, no cenário e nas roupas atribuídas ao presidente. A reportagem comparou o registro viral com imagens autênticas do desfile e com fotografias do presidente no evento.
Em seguida, verificamos a presença de marca d’água associada à ferramenta Gemini e buscamos a circulação da suposta selfie na imprensa e nos perfis oficiais do presidente. A ausência de registros públicos da imagem e as diferenças em relação ao material original do desfile confirmaram a origem sintética do conteúdo.




