Não há registros públicos de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha dito que, se eleito, acabaria com o Pix para agradar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração inexistente circula nas redes em um post que simula a identidade visual do jornal Estado de Minas. A assessoria do parlamentar também negou a autoria da fala.
Publicações enganosas com esse teor circulavam no Facebook até a tarde desta terça-feira (9).
Flávio Bolsonaro: Vou acabar com o PIX para agradar o Trump

Não é verdade que Flávio Bolsonaro tenha dito que, se for eleito presidente, vai acabar com o Pix para agradar a Donald Trump. Em buscas nesta terça (9), Aos Fatos não localizou registros, na imprensa e nas redes do senador, de declarações iguais ou semelhantes a essa.
A assessoria do pré-candidato à Presidência pelo PL também desmentiu ao Aos Fatos a autoria da declaração.
A imagem que circula nas redes com a fala inexistente do presidenciável imita a identidade visual do perfil do Estado de Minas no Instagram, mas não corresponde a nenhuma reportagem publicada pelo jornal.
Além disso, a foto compartilhada pelas peças desinformativas é uma montagem. Não há imagens reais em que o senador apareça usando um terno estampado com a bandeira dos Estados Unidos.
A montagem com a manchete falsa manipulou um post do jornal mineiro publicado no último dia 29 de março no Instagram. A publicação original noticia declaração de Flávio Bolsonaro sobre a exploração de terras raras no Brasil durante discurso na CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora, em português).
Na ocasião, o senador afirmou que o Brasil era uma “solução para os Estados Unidos” terem acesso a terras raras. A postura de Flávio foi criticada por ser considerada submissão a interesses norte-americanos em detrimento dos brasileiros.
O discurso do fim do Pix tem sido atrelado a ele e à família Bolsonaro desde ao menos julho de 2025, quando o governo americano publicou um relatório criticando a tecnologia nacional por “práticas desleais” contra empresas americanas.
O documento veio a público logo após o anúncio das tarifas de 50% contra exportações brasileiras por parte do governo americano, medida que contou com a participação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Em abril deste ano, poucos dias após o governo Trump voltar a criticar o Pix, Flávio Bolsonaro afirmou em vídeo que não acabaria com o meio de pagamento caso fosse eleito presidente.
No mês passado, alegações similares voltaram às redes sociais após um encontro de Trump com Flávio Bolsonaro, às vésperas de os Estados Unidos anunciarem a inclusão das facções brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) na lista de organizações terroristas.
Representantes do governo Lula — como o ministro da Fazenda, Dario Durigan — reagiram afirmando que a decisão dos EUA poderia afetar o funcionamento do Pix e de bancos nacionais, que poderiam ser alvo de sanções por autoridades norte-americanas em caso de denúncias de que manteriam contas de membros das facções.
Mas foi com o anúncio de um novo tarifaço americano contra o Brasil, que também ocorreu logo após a visita de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, que a onda de críticas ao pré-candidato do PL ganhou força. Um dos alvos da medida é justamente a concorrência do Pix com os serviços das empresas de cartões de crédito americanas.
Esta peça de desinformação também foi checada pela AFP.
O caminho da apuração
Por meio de busca reversa, Aos Fatos encontrou o conteúdo original utilizado como base para as publicações falsas e constatou que ele era diferente daquele compartilhado pelas peças enganosas.
A reportagem também entrou em contato com a assessoria de Flávio Bolsonaro, que negou as alegações, e complementou a checagem com informações da imprensa.





