Feira de animais mostrada em vídeo não fica na China, mas na Indonésia

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Um vídeo que mostra o mercado Langowan, na Indonésia, tem sido compartilhado no Facebook como se fosse na China e representasse uma das causas da disseminação do novo coronavírus (veja aqui). A feira é conhecida por oferecer pratos feitos com animais considerados exóticos para os paladares ocidentais, como morcegos, cobras e ratos.

Com a atribuição enganosa, as imagens se espalham desde o fim de janeiro em publicações nas redes sociais não só do Brasil, mas também na Espanha e na Índia. Por aqui, tais publicações reuniam ao menos 350 mil compartilhamentos até a tarde desta quarta-feira (5). Todas foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (saiba como funciona).

Confira abaixo, em detalhes, o que checamos.


FALSO

Publicações nas redes sociais enganam ao reproduzir um vídeo gravado no mercado de Langowan, na Indonésia, como se fosse na China. A feira, realizada na província de Sulawesi, é um dos pontos turísticos da região por servir em suas barracas refeições preparadas com animais como ratos, cobras, lagartos, morcegos e cachorros.

Por meio de ferramentas de busca reversa, Aos Fatos verificou que as imagens foram publicadas pela primeira vez no YouTube em julho de 2019. O título da publicação é o mesmo que aparece nos primeiros segundos do vídeo: “Pasar EXTREME Langowan”, mercado extremo Langowan em indonésio.

A localização da feira pode ser atestada aos 18 segundos de vídeo, quando é possível ver, no canto direito da tela, uma placa com os dizeres “kantor pasar Langowan”, ou escritório do mercado Langowan.

Apesar de a origem do novo coronavírus não ter sido identificada, há suspeitas de que ele tenha surgido em um mercado de animais e frutos do mar em Wuhan, por onde parte dos primeiros infectados havia circulado. A hipótese, entretanto, ainda não foi confirmada.

Coronavírus. Grande família viral descoberta na década de 1960 que causa infecções respiratórias em animais e seres humanos, o coronavírus costuma ter sintomas semelhantes aos de um resfriado comum. Algumas manifestações do vírus, no entanto, geram quadros clínicos mais graves — caso do SARS-CoV, que se alastrou pela China em 2002 e deixou ao menos 800 mortos pelo mundo.

No último dia de 2019, a OMS emitiu o alerta para uma doença responsável por um quadro similar ao da pneumonia na cidade de Wuhan, sétima maior cidade da China. Desde então, o vírus — chamado de 2019-nCov e pertencente à família coronavírus — se espalhou para 25 países, causando, até o momento, 427 mortes.

No Brasil, já foram analisados cerca de 7.000 casos suspeitos da doença, todos descartados. Apesar da ausência de contaminação no país, o governo federal decidiu decretar estado de emergência em saúde pública na última segunda-feira (3). Também foi anunciada a repatriação dos brasileiros que estão em Wuhan. A cidade chinesa entrou em quarentena no dia 23 de janeiro.

Referências:

1. New York Times
2. Fiocruz
3. OMS
4. G1
5.
Aos Fatos
6. Folha de S.Paulo
7. Veja
8. Época

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