A AFA (Federação Argentina de Futebol) não está sendo investigada pelo FBI por causa de fraudes nos resultados da Copa do Mundo, como afirmam postagens nas redes sociais. A apuração, iniciada em 2025, analisa movimentações milionárias da associação nos Estados Unidos que podem configurar fraude bancária ou até lavagem de dinheiro.
Publicações enganosas acumulavam ao menos 800 mil curtidas no Instagram, 5.000 compartilhamentos no Facebook e dezenas de milhares de visualizações no TikTok até a tarde desta quinta-feira (9).
FBI investiga Federação Argentina por fraude durante a Copa nos EUA. Que robas, Argentina? Depois a gente é doido. Dito isso, Argentina tinha que ser desclassificada ou a Copa devia recomeçar do zero. [...] O que a Argentina roubou nessa Copa eu não comi de arroz.

Publicações têm compartilhado nas redes que o FBI, polícia federal dos EUA, estaria investigando a AFA “por fraude durante a Copa”. A mensagem, da maneira como é disseminada, está fora de contexto.
A apuração do FBI não tem relação com os resultados dos jogos ou com uma suposta “vantagem” em relação à arbitragem, como sugerem alguns posts.
A investigação ocorre ao menos desde 2025 e, na semana passada, o FBI passou a colher depoimentos, segundo reportagem publicada na quarta-feira (8) pelo jornal argentino La Nación. Os agentes apuram movimentações financeiras da AFA realizadas nos EUA para tentar identificar se houve lavagem de dinheiro ou fraude.
Segundo a publicação, a AFA movimentou centenas de milhões de dólares pelo sistema bancário americano e ao menos US$ 57 milhões foram transferidos sem justificativa ou finalidade identificável.
O embaixador da AFA na América do Norte, Tomas Regalado, pediu para que as pessoas respeitem a presunção da inocência e disse que “sozinhas, medidas de investigação não determinam responsabilidade ou culpa”.
Em nenhum momento do texto há a citação de compra de resultados ou sequer envolvimento da Fifa (Federação Internacional de Futebol) no suposto esquema.
As peças de desinformação circulam junto de alegações de que a seleção argentina teria “comprado” a arbitragem da Copa do Mundo ou que a própria Fifa ajudaria a equipe a vencer por um suposto favoritismo em relação ao jogador Lionel Messi.
As acusações ganharam força desde o confronto entre Argentina e Egito, na terça-feira (7). Os argentinos estavam perdendo o jogo por dois a zero e conseguiram virar o placar. A partida foi marcada por um gol anulado dos egípcios e uma falta argentina que não foi identificada pelo juiz.
A Federação Egípcia de Futebol formalizou uma denúncia contra a arbitragem da partida à Fifa, alegando que os erros influenciaram o resultado. Eles pedem que os três juízes em campo sejam investigados e afastados do restante da competição.
Nesta quinta-feira (9), o chefe de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, se manifestou, mas sem citar especificamente a denúncia dos egípcios. “Ninguém pode afirmar que a arbitragem da Fifa seja influenciada por alguém, nem mesmo pelo presidente da Fifa [Gianni Infantino]”, disse.
O caminho da apuração
Aos Fatos identificou que as publicações faziam referência a uma reportagem publicada pelo jornal argentino La Nación. Como o site do FBI não divulgou nenhuma informação sobre o caso, a reportagem consultou textos publicados nas imprensas argentina, americana e brasileira.
Além disso, Aos Fatos também procurou informações sobre as acusações feitas pela equipe do Egito à arbitragem da partida contra a Argentina.





