Não é verdade que um vídeo mostra um médico discutindo com servidores do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para contestar a negativa de benefícios previdenciários a que seus pacientes teriam direito. As cenas retratam o momento em que um profissional de saúde confronta funcionários da Prefeitura de Manaus que teriam negado o direito à gratuidade no transporte público a pacientes com deficiência.
As peças enganosas somavam 5 milhões de visualizações no TikTok, 430 mil visualizações no X e 65 mil curtidas no Instagram até a tarde desta quarta-feira (4).
Um médico foi até a agência do INSS para contestar a negativa dos benefícios de seus pacientes. Ele destacou que não se tratava de fraude em laudos, e sim de pessoas doentes, em situação real de necessidade, muitas vezes dependendo do benefício para sobreviver.

Um vídeo de 2023 em que um médico discute com servidores da Prefeitura de Manaus tem sido compartilhado nas redes como se mostrasse um confronto com funcionários do INSS após a negativa de acesso a benefícios previdenciários.
O registro mostra Cleverson Redivo em uma unidade de atendimento do Immu (Instituto Municipal de Mobilidade Urbana) — autarquia vinculada à prefeitura. Na ocasião, ele questionava a negativa dada pelo órgão a pedidos de isenção tarifária no transporte coletivo municipal a pacientes com deficiência e baixa renda.
@drcleversonredivo ♬ som original - Dr. Cleverson Redivo
O médico alegou que o Sinetram (Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Amazonas) estaria recusando laudos emitidos por ele e o acusando de vender os documentos. “Eles ficam criando dificuldade para liberar o Passa Fácil [benefício de transporte gratuito da prefeitura] para pessoas que precisam se locomover”, disse.
Em nota publicada na época, o Immu repudiou o que classificou como “agressão verbal” contra os servidores e informou que “confere toda a documentação encaminhada para expedição de qualquer benefício”.
O caminho da apuração
Aos Fatos analisou o vídeo compartilhado nas redes e realizou busca reversa para identificar a origem do registro. A reportagem verificou que a gravação corresponde a um episódio ocorrido em 2023 em uma unidade do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana de Manaus.
Em seguida, reunimos informações sobre o caso a partir de registros públicos e posicionamentos institucionais da prefeitura e do órgão municipal. A comparação com as alegações divulgadas nas redes permitiu constatar que o episódio não tinha relação com o INSS nem com benefícios previdenciários.





