É falso que Trump solicitou uso de base aérea brasileira a Lula em meio a conflito com Irã

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Não é verdade que o presidente americano Donald Trump pediu autorização ao governo Lula para o uso da base aérea de Anápolis (GO) em meio ao conflito no Oriente Médio. Além de não haver anúncio similar em canais oficiais e na imprensa, o boato foi desmentido pela Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência.

As peças enganosas somavam 33 mil curtidas no Instagram até a tarde desta quarta-feira (4).

Há poucas horas atrás, Trump pediu, em ligação para o Lula, a base de Anápolis para abastecimento de aeronaves americanas e para armazenar equipamentos e caças militares. É como se fosse uma ponte de abastecimento logístico para os Estados Unidos para a guerra contra o Irã. Agora há pouco, Lula concedeu a autorização dos Estados Unidos para que Trump possa usar a base de Anápolis no Brasil.

Homem com o rosto desfocado para preservar identidade está sentado em ambiente interno diante de câmera. Ele veste camiseta clara sem mangas e aparece diante de parede verde-clara, com janela ao fundo coberta por cortinas claras. Na parte superior da imagem, há um banner vermelho com o texto: ‘URGENTE’. Na parte inferior, outro texto afirma: ‘EUA pedem a base militar do BRASIL para servir de logística de abastecimento para guerra contra o Irã’.

É mentira que o governo americano solicitou ao Brasil o uso da base de Anápolis para o abastecimento de aeronaves e o armazenamento de equipamentos militares em meio ao conflito com o Irã. Em nota, a Secom da Presidência desmentiu a alegação. O anúncio também não consta nos canais oficiais dos dois países (veja aqui e aqui) ou na imprensa.

Até o momento, o posicionamento brasileiro não indica que o país deve se alinhar a qualquer um dos lados do conflito, que envolve EUA, Israel e Irã:

  • No sábado (28), o governo Lula condenou os ataques contra alvos no Irã;
  • Posteriormente, o Itamaraty divulgou nova nota prestando solidariedade aos afetados por ataques retaliatórios do país persa;
  • Na segunda (2), Lula (PT) conversou com o assessor especial da Presidência, o embaixador Celso Amorim, para avaliar iniciativas diplomáticas cabíveis para reduzir as tensões no Oriente Médio.
  • Na terça (3), o chanceler Mauro Vieira fez uma rodada de conversas com líderes da Jordânia, do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos para avaliar o cenário da guerra. Antes, Vieira falou com Lula.

Ainda na terça (3), durante visita a uma fábrica de medicamentos em Valinhos (SP), Lula exibiu caixas de remédios e afirmou, sem mencionar diretamente o conflito no Oriente Médio, que eles seriam o “míssil” para salvar vidas, não matar.

“Se você ligar a televisão de noite, está falando de guerra. Se você ligar a televisão de manhã, está falando de morte. Está falando de drone, está falando de mísseis, está falando de invasão. E aqui nós estamos falando de salvar vida. Isso aqui é um drone de remédio para o povo brasileiro. Isso aqui é o nosso míssil, não o míssil para matar, o míssil para salvar”, disse o presidente.

Aos Fatos já desmentiu uma série de peças de desinformação sobre a escalada militar no Oriente Médio, inclusive posts que buscam relacionar o conflito ao Brasil.

Em checagem anterior, por exemplo, verificamos ser falsa a alegação de que a Força Aérea teria colocado um caça de prontidão na base aérea de Anápolis para proteger Brasília por conta do confronto entre EUA, Israel e Irã.

O caminho da apuração

Aos Fatos solicitou posicionamento da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que negou a alegação feita pelos posts que circulam nas redes.

Em seguida, a reportagem organizou informações sobre manifestações públicas do governo brasileiro relacionadas ao conflito no Oriente Médio, incluindo notas oficiais e declarações do presidente. O cruzamento dessas informações permitiu verificar que a narrativa difundida nas redes não correspondia a fatos confirmados.

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